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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: Balança

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"BALANÇA"

 

A vida, que se vive sem viver,

É o peso da morte na balança,

Que pende para o lado do sofrer

No prato negro da insegurança...

 

A vida, que se vive sem haver

Dentro dela uma mínima esperança,

É combate onde sem se combater

Se abandona o direito de mudança...

 

E se, na vida, eu não poder amar,

Sujeito-me ao consolo de chorar,

Pois que a vida, sem ti, é gargalhada...

 

É um eco cretino em minha mente...

Uma dentada dada por serpente

Nesta minha existência envenenada!...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: Agasalho

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  XXVII

 

"AGASALHO"

De mim, daquil' que sou, eu sou culpado...
A minha própria vida eu esconjuro;
Sou triste e velho como um podre muro,
Sem ter a mocidade completado...

Num beco me sinto eu abandonado;
Muito sozinho, triste e sem futuro,
Na solidão da noite, no escuro,
Completamente sem significado...

Fui como rebotalho durante anos,
Fui farsa, fui mentira, fui enganos,
E tu... foste, p'ra mim, suave orvalho,

Em cada folha ser do meu esplendor...
Em cada dia... só... foste agasalho
De mim, que fui daninha erva sem cor...

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: Sem Raízes

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"SEM RAÍZES"

 

É mais um ano passo atrás de passo;

Outono, Inverno, Primavera, V’rão...

E transformando amor em profissão,

Caminho por caminhos de cansaço...

 

Mas como este meu mar se torna baço

Eu penso em entregar meu coração...

E depois, por detrás, mentindo em vão,

Vou manchando de dor o teu regaço;

 

Vou recebendo, sem te saber dar...

Vou dizendo que sim àquilo que dizes;

Sentindo a solidão a se instalar

 

No meu corpo, repleto só de crises...

Eu não sou digno mesmo desse amar.

Sim, porque eu escrevo e falo sem raízes!...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: Fria

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"FRIA"

 

Aqui, a rua está tão agitada...

Nas gentes um sorriso se retrata

E nestas noites, um luar de prata

Aviva a coisa mais inanimada...

 

E ali no largo, perto da esplanada,

Ali mesmo tu estás, distante, ingrata...

E em meu corpo um fogo se desata,

Queimando esta minha alma já queimada

 

Por te sentir fria!... Fria e distante...

Por me sentir de todo desprezado...

E nesse tempo, nesse mesmo instante,

 

Eu começo a fugir amedrontado...

O luar vai... se apaga lancinante...

E ali, no chão, eu quedo abandonado...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: Cedo

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"CEDO"

 

Eu quero amar-te! Sim! Com que ansiedade...

Ó única, dos olhos meus, miragem...

Ó por ninguém, jamais, vista paisagem,

Só porque nunca alguém viu a verdade!

 

Eu quero amar-te p’ra sentir saudade...

Eu quero, ao longe, ver a tua imagem

Projetada em meu corpo de selvagem,

Tão louco por perder a liberdade!

 

E, no entanto, quero um maior bem:

O trunfo desse amor... desse segredo!

Mas encontro-me só e sem ninguém,

 

No mundo escuro... só... com o meu medo.

E tão só, sem poder ir mais além,

Fico tão solitário ‘inda tão cedo...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: Sombras

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"SOMBRAS"

 

As sombras desse imenso castanheiro,

Retiram deste solo o sol que quente

Aquece as casas, animais e gente,

Inverno, primavera, o ano inteiro.

 

As sombras, deste sólido mosteiro,

Apagam o brilhar do afluente

Que se arrastando, só, assim tão crente,

Inveja um soalheiro, além, ribeiro...

 

As sombras negras, soltas na cidade,

Vão devorando o verde natural...

Ah! Só a tua sombra é liberdade,

 

A sombra do teu ser não tem igual,

Pois nela se protege a felicidade

Deste meu simples ser, sentimental.

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: Incerteza

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"INCERTEZA"

 

Eu não fui... jamais disse... nunca eu vim,

Na cruel incerteza de um futuro,

Dizer que te acuso ou te censuro,

Pelo nosso horizonte ir ter um fim!...

 

Eu não fui tudo aquilo que há em mim;

Eu fui, já mesmo até, por demais duro;

Quem sabe se não fui talvez obscuro

Como uma personagem-folhetim?!...

 

Mas não vejo eu teus olhos celestiais

O brilho que o amor obriga a ter?

Não! Incerteza... não! Eu quero mais...

 

Eu quero ser amado e poder crer

Que não nos separamos, pois jamais

Podemos separados nós viver!...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: Se...

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"SE"

 

Ai! Se este viver nosso, em nossa vida,

Tem real importância, na verdade;

Se amor se vive, em nós, em lealdade;

Se não te dás, tu mesmo, por vencida;

 

Se não pensas em breve despedida;

Se choras por, apenas, felicidade;

Se nunca foi, nem é, só caridade

O motivo que a mim te tem unida;

 

Se, para ti, Amor, o amor é arte;

Se, para ti, sou só eu a escultura

Que um certo artista, um dia, retalhou

 

Espero ser, e vir da tua parte,

A vida, o louco amor e a ternura,

Que de mim para sempre se apossou...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: Oásis

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"OÁSIS"

 

Oásis no deserto escondido,

Fonte onde, apenas eu, a sede, seco

E pela qual meu ser eu hipoteco,

Por me encontrar a ela resumido...

 

Um rio, até aqui desconhecido;

A única saída daquele beco,

No qual a minha voz não tinha eco

E no qual eu teria apodrecido,

 

Se a tempo não desse eu com a nascente,

Fugindo, logo então, de imediato,

Daquel’ recanto podre, delinquente,

 

Sinónimo de mundo e aparato,

Para esse meu oásis transparente,

Que da tua figura é o retrato...

 

Gil Saraiva

 

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: Chorar

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"CHORAR"

 

Sangue, suor e lágrimas eu choro,

E vou assim chorar pra toda a vida...

Não vou mais conseguir estancar a ferida,

Aberta por tamanho meteoro

 

No coração de quem eu mais adoro

E nesta já minha alma suicida...

Meu sangue vai escorrendo da jazida,

Saindo-me p’la pele em cada poro...

 

Suor tenho nas veias e artérias,

Correndo loucamente para a morte...

As lágrimas são átomos, matérias,

 

São o consolo triste da má sorte...

Chorar é meu último conforto,

Agora que na vida vivo morto!...

 

Gil Saraiva

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