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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia: Serra da Lua: A Mensagem da Terra - II

A mensagem da Terra.jpg

                II

 

" A MENSAGEM DA TERRA"

 

Olá amor...

Digo eu,

Sorrindo,

Como sempre,

Séculos de felicidade,

Qual geólogo ou geofísico

Que encontra a plena realização,

De toda uma vida,

Ao julgar explicar a formação

Das cadeias de montanhas

Ou do genuíno batólito que fez nascer,

Um dia,

Num remoto passado,

A Serra da Lua...

 

Olá amor...

Sabes,

Minha querida,

Tu que és como a teoria

Que parece ser definitiva,

Firme,

Estática,

Mas que evolui

Pelos resultados das novas observações

De um verdadeiro existir que,

Como tu,

Entre tese e antítese,

Constrói a essência

Que te torna única...

Que te faz bela...

Que te concebe assim:

Perfeita,

Singela,

Singular…

 

Olá amor...

Tu és o fenómeno

Onde eu recomeço

A cada dia,

Desde o mais primitivo início,

A minha apaixonada investigação,

Observando diretamente,

A nu,

O conhecimento de ti...

Porque existo por e para ti,

Para te ver sorrir

Porque te sentes amada,

Viva e confiante…

Tu és o onde

Aonde eu procuro a confirmação

Do transcendente amor

Que me invade as veias

E me explode

O coração...

 

Olá amor...

Tu és a mensagem da Terra,

A voz da Serra da Lua,

O ser que me faz Sintra...

Tu és o grito celta do druida

Na Lua Cheia,

No fim de um rito único e sagrado…

Tu és o sortilégio do mago

Na bruma,

Da qual eu sou Senhor…

O elemento que transforma

A pedra em rocha,

O batólito em História,

A História em mito,

O mito em lenda,

A lenda em tradição,

A tradição em romance

E o romance

Em amor...

 

Olá amor...

Tu és a mensagem da Terra

O estrato mais subtil,

Mais puro

Porque, apenas em ti,

A pedra vira amor

E o sedimento:

Pilar!

 

Olá amor...

Tu és a árvore

Que veio de fora

E que fez verde a Serra toda...

A raiz que se expandiu

Transmitindo a palavra

Que se fez fértil,

Que se fez vida,

Que te fez tu,

Que em mim gerou felicidade!...

 

Olá amor...

Tu és a onda que chega

Num perpétuo renovar das areias,

Sombrias de minério,

Da Praia Grande,

De onde espalhas a tua mensagem,

Tão permanente

Como as pegadas que os

Dinossauros deixaram,

Para sempre,

Eternizadas nas rochas,

Agora verticais...

Tu és o milagre

Que me fez homem,

Que me fez servo,

Que me fez dono,

De ti e tu de mim,

Numa simbiose irrepetível

Porque verdadeira,

Sentida e universal…

 

Olá amor...

Tu transmites,

Pelo brilho

Da espuma e do granito,

Pela bruma,

Névoa ou neblina.

Pela magia ritual

De uma saudade,

Que amar é existir

Em fusão e harmonia...

Pois que esta é,

Na forma cristalina,

A Mensagem da Terra!

 

Olá amor…

E obrigado!

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia: Serra da Lua: Eterna Rocha - I

Eterna Rocha.jpg

           I

 

“ETERNA ROCHA”

 

A flor do jardim olhou para mim...

Eu,

Um Vagabundo Dos Limbos,

Da net;

Senhor da Bruma,

Da noite;

Haragano, O Etéreo...

Lenda urbana de quem nunca

Ninguém ouviu falar...

 

Passava perto,

A caminho da vida,

E a flor do jardim olhou para mim...

 

As pétalas penteadas pela brisa,

O tronco hirto e firme pela certeza,

As folhas como braços abertos

Em minha direção...

 

"- É contigo que eu quero partilhar

A minha essência...

Aqui,

Numa cama de pétalas,

Sob um céu de luar...

 

Vem!

Terás contigo o perfume da noite,

O sorriso das estrelas,

A plácida tranquilidade da Serra

Perante a eterna vigília da Lua...

 

Vem!

Ocupa o meu jardim,

Sê meu Senhor,

O Senhor da Serra da Lua,

Dono do meu amar,

Do meu amor…

 

Vem.

Sou toda tua..."

 

Olhei a flor do jardim...

Ainda suspirava na ânsia da resposta...

 

Olhei de novo a flor,

Ali,

Ao sol exposta,

Branca e pura como a pura neve,

Silvestre e livre como a liberdade,

Doce e bela como a natureza...

 

Sorri...

Oh como eu sorri...

Sorri de orgulho daquele olhar florido

Em mim poisado,

De vaidade infinita por me sentir

O desejo profundo de uma flor

Que de mim espera um devir…

E respondi:

 

"- Flor,

Eu sou um Vagabundo Dos Limbos,

Da net;

Senhor da Bruma,

Da noite;

Haragano, O Etéreo,

Lenda urbana de quem nunca

Ninguém ouviu falar,

Buscava perdido o caminho da vida,

Em confusão, e, afinal

Tudo é tão mais simples...

 

Serei teu e serás minha

Se o orvalho da madrugada

Eu puder ser em tua sede,

Alimentando-te a raiz e o existir...

 

Serei, enfim,

O solo onde te firmas,

Servo da terra onde és jardim...

 

Não te quero eu perder,

Dá-me o teu etéreo existir

Na eternidade,

Transmuta-me na Serra da Lua...

 

Que a minha voz seja agora

A do vento que sopra de Ocidente,

A saliva

O mar

Que desagua no meu corpo

E meus passos as pegadas do futuro

Que um qualquer dinossauro

Marcou na eterna rocha..."

 

Gil Saraiva

Pegadas Eterna Rocha.jpg

 

Livro de Poesia: Serra da Lua: - Introdução

Serra da Lua.jpg

INTRODUÇÃO

 

A vila de Sintra tem origens que se perdem no tempo e remontam ao período neolítico. Uma janela temporal que se estende entre 10 mil a 3 mil anos a.C., ou seja, desde que os homens começaram a assentar arraiais que, sem dificuldade, se podem encontrar registos pré-históricos no Concelho de Sintra. Não cabe a este preambulo reescrever a história toda nem mesmo sequer contá-la, num detalhe que a provaria como única e especial no contexto mundial.

Importa assinalar que os primeiros registos humanos da região foram encontrados na Serra de Sintra, perto de onde hoje se localiza São Pedro de Penaferrim e remontam ao início do V milénio a.C., tendo a região sido ocupada por diferentes povos e culturas. É no século II a.C. que a zona é tomada pelos romanos. São eles que revelam, primeiramente, o misticismo especial da região, as práticas religiosas ou pagãs, que os precederam e que se mantiveram depois de adaptadas à cultura romana. Sintra foi romana por 7 séculos e entre 30 e 50 a.C., não se sabe ao certo, passou a município pelas mãos de Júlio César ou de Octávio.

Ptolomeu, frequentemente considerado um dos pilares da astronomia antiga, era um cientista grego que viveu em Alexandria e é um dos frutos notáveis da famosa escola de Alexandria, no Egito, sob o domínio romano de Adriano. Porém, a criação da astronomia tem a sua fundação mais de um século antes com Hiparco. Foi, contudo, Ptolomeu que usou pela primeira vez a designação “Serra da Lua” para denominar a serra de Sintra. Ainda nos dias de hoje há quem se interrogue o que terá levado Ptolomeu, no Egito, a referir-se a Sintra.

Suntria é a forma medieval mais antiga que se conhece de Sintra, tem, ao que tudo indica uma origem indo-europeia e significaria Sol ou astro luminoso. Já a classificação da serra como Monte Sagrado remonta ou a Varrão, ainda no segundo século a.C. ou a Columeia, já no primeiro século d.C., as opiniões sobre o assunto dividem-se, não deixando de ser ambas bem remotas.

Durante o domínio árabe, que durou mais de quinhentos anos, no século X, um geógrafo árabe, de nome Al-Bacr, classificou Sintra como a terra “permanentemente mergulhada numa bruma que não se dissipa”, embora se defenda que ele se estava a referir apenas à serra onde os árabes tinham o seu castelo. São dessa altura as designações de Sintra como Xintara ou Shantara (em árabe), onde esta aparece como sendo uma das principais localidades do Califado do Al-Andaluz, um dos principais califados árabes na Península Ibérica. A influência árabe, que nunca apagou os registos celtas da região, também jamais se deixaria desaparecer depois de perder o poder na zona. Mantiveram-se nomes de locais, muitos mitos e algumas tradições desses tempos que ainda hoje ecoam serra abaixo.

No Século XI dá-se a reconquista cristã, pelo Rei Afonso VI de Leão, mas, por várias vezes se perde o domínio cristão de Sintra que, na altura, depois de Lisboa, era o polo económico mais importante da região. São precisos 50 anos, entre a última década do século XI até 1147 para, já em meados do século XII, poucos anos após a transformação do condado portucalense em Portugal (em 1143), D. Afonso Henriques consolidar definitivamente Sintra como território português e consequentemente cristão. Uma terra difícil de conquistar pelo apego e paixão dos povos à sua singularidade e riqueza de contrastes.

Uma vez integrada em território nacional Sintra evoluiu e expandiu-se exercendo a sua influência pelos terrenos em seu redor. A terra das grandes maçãs, descrita deste a antiguidade como chegando a ter quatro palmos de perímetro, impôs o seu domínio regional até abranger a dimensão que hoje se lhe conhece. Contudo, foi o real amor por estas paragens que as fizeram crescer em termos românticos arquitetónicos e mesmo arqueológicos, com a realeza e a nobreza a implantarem palácios, palacetes, grandes casas senhoriais, quintas, fontes, monumentos, igrejas, capelas e infraestruturas por todo o seu território.

De todo o mundo foram importadas árvores exóticas e raras para serem plantadas na serra. A flora foi deliberadamente implantada para gerar impacto, beleza e misticismo. Criaram-se jardins únicos, esplendorosos, frescos, verdejantes e românticos, como nunca aquela terra vira nascer até ali. Camões, referindo-se ao Cabo da Roca descreve-o como sendo o local “onde a terra se acaba e o mar começa” sendo este, realmente, o ponto mais ocidental da Europa. Poetas e Escritores ingleses também ajudaram a criar a imagem de paraíso que envolve Sintra, uns chama-lhe o Éden da Terra, Lord Byron descreve-a como a vila mais bonita do mundo, o prémio nobel da literatura Isaac Bashevis Singer, dedica-lhe o conto “Sabbath in Portugal” onde se retrata a passear por Sintra. Há registo da admiração por Sintra por parte de nórdicos, franceses, italianos, gregos, holandeses e, evidentemente, portugueses. São muitos e famosos os exemplos da paixão contínua e permanente pela Paisagem Cultural de Sintra, Património Mundial da UNESCO.

Contudo, é nesta terra, onde um batólito, na Praia Grande, ainda tem gravadas, de forma bem visível, pegadas de dinossauros impressas em tempos imemoriais, que uma mística especial se instalou para nunca mais se desvanecer. O batólito, que algures na história da Terra rodou sobre si mesmo 90 graus, retrata agora na sua parede, os passos pré-históricos dados por esses seres antigos muito antes do despontar da humanidade. É ele que encarna a antiguidade de Sintra e da sua serra, cuja altura máxima se eleva 520 metros a cima do nível do mar. É ele que serve de marco misterioso e singular, pelo registo, agora vertical, dessa passagem, perdida no tempo, dos gigantes, por Sintra, ali bem junto à Praia Grande.

O encontro entre serra e mar, o capacete nubloso no topo dos montes, a bruma permanente, o acabar das terras do ocidente, os registros pré-históricos, a diversidade de culturas e povos apaixonados pela região ao longo da sua história, a marca e o registo da sua influência em grandes nomes da história, geraram lendas, narrativas, ficções, romances, contos, fantasias, fábulas e mistérios, do sagrado ao profano, do místico ao histórico, do real ao sobrenatural. As utopias de uns passaram, depois de adaptadas, a ser os milagres de outros ou os contos de mais alguém. As culturas misturaram-se inventando novos mitos e ritos, descrevendo histórias, gerando ficções, inventando poemas, mezinhas e feitiços impossíveis.

Sintra, tem de tudo: lendas de mouras encantadas, contos de fadas, crónicas de elfos, ogres, gnomos, seres ocultos e irreais, entre outros entes, rituais de druidas, de encantadores, de magos e magas, bruxas e feiticeiros, novelas de paixão, de amor, de dor e de coragem, cantos e recantos recortados pelos verdes da imensa vegetação, rasgada por inúmeros cursos de água, ribeiros e ribeiras, pequenos rios que não riem, mas que à fauna e à flora a sede matam, fontes e fontanários, cursos de água que aparecem e desaparecem pela serra, cavando tuneis, ligando grutas misteriosas, muitas ainda por descobrir, um não mais acabar de segredos, mistérios e neblina que a tornam única, singular e absolutamente especial.

Na serra, o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena, são apenas 2 dos marcos que se erguem sobre a vila. Um microclima impõe um caráter exclusivo a toda a região. A humidade e a bruma espalham o mistério consolidando tuneis e passagens secretas que ligam a serra à vila e que se alastram como uma teia oculta por todo o concelho. Há passagens destas que viajam quilómetros debaixo de rochas e penedos, atravessam a várzea, despontando finalmente em locais remotos e longínquos. Um deles chega a Rio de Mouro, já bem longe da serra. Há quem se questione sobre quantos mais estarão por descobrir. Os mistérios de Sintra nunca se desvendarão todos dizem vozes convencidas do ocultismo vibrante da região. O sobrenatural parece ter sede na Serra da Lua. Há quem fale de aparições, maldições, sacrilégios, rituais, fantasmas, lobisomens e vampiros. Tudo converge na mística névoa de senhores da bruma, quase sempre sem provas, factos ou bases que deem crédito às narrativas. O importante é o mistério.

As lendas e narrativas proliferam entre o pagão e o religioso, existem relatos de aparições, sortilégios, poções, feitiços, pragas, remédios, macumbas, magias e até da presença de seres de mundos que não o nosso. Nada que alguém se preocupe em provar ou demonstrar como real e evidente, a não ser, talvez, um ou outro fanático mais entusiasmado. É do restolhar das meias verdades inconclusivas que a serra se alimenta e prospera por entre a bruma.

Sintra é um local único e irrepetível, talhado na simbiose entre natureza e humanidade de uma forma singular. Onde a luz e a sombra trocam papeis como se do dia e da noite se tratassem. Onde a serra abraça a Lua como em mais nenhum lugar no mundo inteiro. Onde a bruma ganha corpo e quase vida, onde a luz se divide em tremendo confronto com as trevas. No cerne de tudo se ergue a Serra da Lua, que me inspirou em alguns livros que lhe dediquei. Nesta terra onde vivi 7 anos, perdido de amores, perdido de mim, perdido de solidão, porque aqui, nesta berma da existência, tudo acontece, tudo é possível tudo se contraria e reafirma. Enfim, tudo é poesia em paixão e movimento.

 

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia - Gota de Lágrima: Gota de Lágrima II - XI (Último)

Gota de Lágrima II.jpg

            XIII

 

"GOTA DE LÁGRIMA II”

 

Olhei pela primeira vez a gota

E ela, pelo reflexo do espelho,

Olhou para mim,

Sem dizer nada.

Curioso, pela troca de olhares,

Pelo seu nome eu indaguei com o sobrolho…

 

“- Lágrima, chamo-me Lágrima.”

 

Retorquiu serena,

Sem sorrir.

Depois olhou para mim e,

Novamente,

Voltou a falar,

Para indagar:

 

“- Que rosto triste,

Que cara dorida…

Diz-me o que existe

No fundo oculto dessa alma;

Que mal te fez a vida,

Para que a mágoa te invada

E te retire assim da doce calma?

Porque tens tu a paz contaminada?”

 

Não respondi, de pronto, admirado,

E a gota insistiu, uma vez mais,

E perguntou,

Depois de observar meu ar pasmado,

De quem no meio da dor

Jamais espera ser interrogado:

 

“- Explica-me a que se deve

Esse ar cansado?

Foram as minhas irmãs

Que te marcaram o rosto

Assim, baço, agastado?

Alguma coisa tenebrosa

Te corrói

Esse teu rosto macerado…

Diz-me onde te dói,

Porque tens tu esse semblante

Perdido, alheio, tão pisado?”

 

Dentro de mim, o coração e o ego

Partilhavam, entre si, opiniões.

Não era fácil aquela conversa

Entre um ente quase cego

E outro esgotado de boas sensações.

A verdade submersa

Teimava em se manter calada,

Escondida da voz em galeões

Que navegam em rota não traçada…

O que dizer à gota, ali,

No meu rosto, parada?

Ali, tremendo em desequilíbrio,

Sem saber se cai

Ou não faz nada.

Em meu auxílio, não sei bem de onde,

Chegou ofegante e apressada,

Como quem vem de longe,

Uma jovem e fresca coragem

Que trazia a minha voz:

 

“- Gota de Lágrima, que estás de passagem,

Eu choro o meu eu que já foi nós,

Sofro pela vida que um dia perdi,

A mulher da minha juventude,

Aquela… a quem jamais esqueci.

Não posso sequer ter outra atitude…

Existo, porém, sem ela nada sou,

Assim, perdido, eu ando dia-a-dia,

Não sei o que fazer, para onde vou,

Nem mesmo sei estancar minha agonia…”

 

Pelo reflexo do espelho uma vez mais

A Gota de Lágrima hesitou,

Por segundos, que foram demais.

Nada disse, nada fez e nem falou…

Por fim, como mensagem de murais,

Afinando a voz, que se elevou,

Escreveu no mural palavrais tais:

“- Quem te disse que o existir apenas tem

Na vida um só amor, diz-me quem foi?

Não chores, ri, espera pelo que aí vem…

Muda de atitude, acorda a valentia,

Desperta a vontade e a coragem,

Mais o humor, o sorrir e a alegria,

Altera o rumo, enfim, dessa viagem,

E sai da escuridão, regressa ao dia!”

 

E a Gota de Lágrima parada,

Olhou para mim de uma maneira,

Como quem abre nova estrada,

Um rumo,

Sem sombras e sem fel,

Apontando caminhos sem fronteira,

Onde o ego é aço,

E não papel,

Aonde a felicidade é verdadeira,

Porque o coração é casa,

E não hotel,

Pois que todos podemos procurar

Um novo amor para a habitar…

 

Depois…

A gota tremeu uma vez mais…

Sorriu, tremeu, brilhou,

Escorrendo em minha face,

Se soltou

E caiu, no chão,

No meio do pó,

Terminando o seu longo caminho…

Olhando o espelho me vi

Outra vez só,

Mas dentro de mim

Algo acordou

Agora já não estou sozinho…

 

Posso ter batalhas,

Lágrimas, ilusão,

Muitas falhas,

Mágoas, mesmo dor,

Mas enquanto bater

Meu coração,

Dando a meu ego hipóteses de ser,

Eu sei que talvez, possa conquistar,

De novo, um novo amor…

Um grande amor!

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Paradigmas do Meu Ego: II - Exige

Exige.jpg

   XII

 

"EXIGE"

 

Tu existes num mundo longínquo,

Distante do olhar,

Do toque,

Do sentir...

 

Teus sonhos são meras ilusões,

Ondas lançadas

Num Atlântico sem fim,

Cuja espuma se desfaz

Nas areias vãs

Deste velho continente...

 

Amar,

Porém,

Exige a atracão

Entre dois polos

De idêntico sinal,

Contrariando as leis da física...

 

Amar

Exige o sorriso do vento

Em nossa pele,

A fusão do pensar

E do sentir,

O acender da lágrima

Em chamas de milagre

Quando a própria chama

Se extinguiu...

 

Gil Saraiva

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