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Estro

Estro do meu ego guarda o que sou: poemas. contos, pensamentos, artes plásticas, fotografias, produtos do meu sentir.

Estro do meu ego guarda o que sou: poemas. contos, pensamentos, artes plásticas, fotografias, produtos do meu sentir.

Livro de Poesia - Falcão Peregrino: Introdução

Falcão Peregrino.jpg

INTRODUÇÃO

O Falcão Peregrino, é das poucas aves que pode ser encontrada em todos os continentes, excetuando a Antártica. Estou a falar de um pássaro solitário, que se encontra espalhado por quase todo o mundo e que migra, em muitos casos, para nidificar ou para procurar novos terrenos, muitas vezes mais abundantes em alimentação. Fosse eu um poeta andino este livro teria, muito provavelmente, o nome de “El Condor Pasa”, contudo, não é esse o caso e, sendo eu um escritor luso, o Falcão Peregrino é o animal, que melhor representa este vagabundo de sonhos e sentimentos, que me constitui. Um ser constantemente na busca de um território onde se sinta bem, numa quase vadiagem permanente, por falta de localizar um espaço, onde faça sentido viver, porque, para subsistir, preciso de amar.

Eu sou um predador de emoções, de sentidos e sentimentos, de vivências que me apontem o caminho da felicidade. Posso não ter a equidade visual do falcão, mas tenho, na ponta tátil dos meus dedos, na deteção dos aromas, na infinita imaginação da minha alma, os meios para detetar, não a presa como a ave, mas o amor de que necessito para existir e sobreviver em alegria.

O meu ego peregrino não é o mais veloz do mundo, como o voo do pássaro que aqui me representa, porém, a minha existência viaja, com a mesma velocidade vertiginosa, na senda de um outro existir que me complete, que me permita extinguir a solidão que me cobre os poros, como uma capa transparente, que me impede de, finalmente, alcançar a desejada satisfação e bem-estar.

O desejo de me apartar do meu cativeiro de falcão é vibrante, premente, ansioso e parece não ter fim ou meta à vista. Onde se encontra a alma gémea que me dará descanso, plenitude, razão de ser e de viver em felicidade? Quando terminará a viagem do peregrino ermita cuja sina é a solidão, até um dia encontrar quem procura, sem previamente poder saber a quem busca, nos seus infindos voos de alma?

Tudo tem de ter um fim. Porém, será que esta prospeção me poderá trazer, um dia, a alegria da descoberta? Anseio pela resposta como por essa nova experiência de existir. No meu estro perscruto pela musa de meus versos, vasculhando-me o cerne, a alma, o ego e o coração. A minha esperança morrerá se, entretanto, eu sucumbir, mas, até lá, o Falcão Peregrino não para de voar, numa caça sem armas que não seja o pulsar do coração.

Gil Saraiva

 

Observação: Os poemas deste livro foram criados entre 2003 e 2009.

 

Livro de Poesia - Sinta-me: XLVI - Mar Salgado (Último)

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       XLVI

 

"MAR SALGADO"

 

Vejo-me ao espelho e não me reconheço;

Perdi brilho e sorriso em cada esgar;

Ganhei rugas de dor por não falar

E sei que já não sou nem quem pareço.

 

Duvido se de facto te mereço;

E vejo o teu amar se evaporar

Submisso ao raciocínio singular

De que não sou quem era no começo.

 

Julgo que a nossa Sintra terminou…

Dizes que divergimos nos caminhos,

Juras que troquei rosas por espinhos,

 

Pensas saber que nada mais sobrou.

Para mim olho... não me sinto amado;

Me afogo, em meu olhar, num mar salgado!

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: XXIV - Ser ou Não Ser...

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          XXIV

 

"SER OU NÃO SER..."

 

Ser ou não ser o quê? Qual o motivo

Desta velha questão ocidental...?

Ser ou não ser ... talvez ser racional,

Romântico, doente, intempestivo,

 

Filósofo da Morte e do ser vivo,

Biólogo do mundo inatural.

Ser ou não ser um simples animal,

Sem ter de, sempre, ser tão reflexivo...

 

Se sou... sou para quem?... E o que é que sou?...

Qual o real valor da existência?

Quando e porque é que o mundo começou?

 

Como encontrar Verdade na essência?...

Ser ou não ser questão...?! Não! Ser resposta.

Que ser questão é estar dentro da crosta!

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Sintra-me: XLIV - Corcel Haragano

Corcel Haragano.jpg

XLIV

 

“CORCEL HARAGANO”

 

Quando os braços abriste para mim

E me deste teu meigo e doce colo,

Não sei eu se segui o protocolo,

Muito bem me senti, agora, assim

 

Entre teus braços, no abraço sem fim,

Junto ao teu peito meigo em que me enrolo,

Por esse teu carinho um novo Apolo

Me fizeste sentir. Um folhetim

 

Daqueles de cordel, com muito mel,

Apaixonado e vivo uma vez mais.

Quando os braços abriste fui jamais,

 

Fui mais que garanhão, eu fui corcel.

Cavalgando por ti, fui haragano,

No abrir dos teus braços… oceano!

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Sintra-me: XLIII - No Palácio da Vila

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            XLIII

 

"NO PALÁCIO DA VILA"

 

O padrão nacional da realeza,

No crepúsculo anil alaranjado,

Por entre a bruma surge recortado

E, entre ocres e azuis, se ergue em beleza...

 

O palácio de História e de nobreza,

Em Sintra, pelos séculos completado,

Por duas chaminés simbolizado,

Tem por amor a serra, a natureza...

 

Vem, neste entardecer te aguardo, a ti.

Na calçada em granito surgirás,

Com reflexos de noite e de oxalás...

 

Nessas sombras de um velho Tivoli,

Tua imagem completa a aguarela

Ao surgires, no anil, como uma estrela...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Brumas da Memória: Balada do 25 de abril

Balada do 25 de abril.jpg

“BALADA DO 25 DE ABRIL”

 

Na negra noite andaste

Décadas mudo, sem pio

Ai, nessa vida passaste

De emigrante a vazio...

 

Anos assim de tortura,

Silêncio sem liberdade...

Para ganhar à ditadura,

Tens que morrer com vontade...

 

Quarenta e oito, um a um,

Anos de fome, ilusão,

Criaram força incomum,

De resistir na prisão...

 

 

E o vinte e cinco de abril

Foi madrugada dos bravos

Capitães que no fuzil

Trocaram balas por cravos...

 

E cantar Sérgio Godinho,

Zeca Afonso e outros mais,

É ser na voz adivinho

Daquele abril de imortais...

 

Na negra noite andaste

Décadas mudo, sem pio,

Ai, nessa vida passaste

De emigrante a vazio...

 

Sempre lutar contra engodos,

Contra a PIDE e o calar,

Nasce o Sol, é para todos,

Cabeça erguida a sangrar...

 

E o vinte e cinco de abril,

Foi madrugada dos bravos

Capitães que no fuzil

Trocaram balas por cravos...

 

E agora que o Sol nasceu,

Na noite clara de abril

Mais de trinta, conto eu,

São os primeiros de mil...

 

Na negra noite andaste

Décadas mudo, sem pio…

Ai! Nessa vida passaste

De emigrante a vazio...

 

Mas tão curta é a memória

De um povo que já esqueceu

Que Salazar tem na História

A nossa noite de breu...

 

E o vinte e cinco de abril,

Foi madrugada dos bravos

Capitães que no fuzil

Trocaram balas por cravos...

 

De economia vivemos,

Pra nos manter lutamos,

Casa e emprego não temos,

Quem nos pergunta onde vamos?

 

Somos: imposto, tributo,

Finanças ocas, impostas,

Mas não estou só, num reduto,

Tem mais querendo respostas!

 

Que o crepúsculo, a madrugada

Anuncie sem ter saudade...

Queremos não ver estragada

Nossa razão, liberdade!

 

E o vinte e cinco de abril,

Foi madrugada dos bravos

Capitães que no fuzil

Trocaram balas por cravos...

 

Prisão para quem enganou

O nosso Povo, afinal,

Não tem perdão quem roubou

Nossa alma em Portugal.

 

Os passos foram enganos,

Mas a memória não esquece,

Pelos Direitos Humanos

Justiça a quem a merece!

 

E o vinte e cinco de abril,

Foi madrugada dos bravos

Capitães que no fuzil

Trocaram balas por cravos...

 

Urge de novo escutar:

“—Aqui!

Posto de Comando

Do Movimento das Forças!"

Das nossas Forças Armadas!...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Sintra-me: XLII - Arde

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XLII

 

"ARDE"

 

Arde por teus cabelos o meu ser,

No fogo que deles vem me perco eu...

Arde comigo o sonho, sem Morfeu

Nos braços me ter feito adormecer...

 

Arde, tão lentamente, o meu viver,

Parece durar mais que um jubileu...

Arde, deste desejo de ser teu,

De esperança, de loucura, de te ter...

 

Arde, na noite já a terminar,

Luz, que a distância não separa, é!

Coração, vida, riso, alma, maré,

 

Ardem juntos num simples relembrar...

Arde no fogo tudo... é divinal...

Arde, por ti, a aurora boreal!...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Sintra-me : XLI - Um Só Olhar...

Um Só Olhar.jpg

        XLI

 

“UM SÓ OLHAR”

 

Nos braços de mulheres, vezes sem conta,

Caí durante um tempo que não sei...

E nos seus ventres foi meu ceptro rei,

Vassalo, escravo, prémio e mesmo afronta...

 

E nos seus lábios minha boca pronta

Bebeu todo um amor que eu não provei...

E porque tudo tive... nada dei,

Apenas saciei-me em carne tonta.

 

Em braços, por mulheres, meu ego andou,

Vampírico animal por emoções...

Eu fui o outro lado do que sou

 

Somando caras, ventres, ereções...

Mas me perdeu um dia Lucifer,

Bastou um só olhar de ti, mulher!

 

Gil Saraiva

Livros de Poesia - Sintra-me: XL - Monserrate

Monserrate.jpg

         XL

 

"MONSERRATE"

 

A meia serra nasce, no arvoredo,

Entre jardins... que inveja o paraíso,

Um monumento velho, pelo sizo,

Um palácio em ruínas, qual bruxedo.

 

De obras se ergueu, a meio rochedo,

Renascendo em fulgor como um aviso

De ser bem mais que um simples improviso,

Transformando romances... em segredo.

 

Monumento de amor apaixonado,

Uma envolvente teia, em Monserrate,

Novo Decameron, um xeque-mate,

 

Criando amor, paixão e mais, pecado.

Teríamos mais histórias que Boccaccio

Fossemos nós as torres do palácio!

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Sintra-me : XXXIX - A Vida...

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  XXXIX

 

“A VIDA…”

 

Por entre o vento e frio da terra agreste,

Por entre a chuva agora copiosa,

Vendo nuvens de forma volumosa

Vindas do cardinal de noroeste,

 

Vejo surgir o Sol, que a terra veste.

Uma figura vem, bem mais formosa

Do que uma primavera gloriosa,

Rompendo o vento frio, que vem de leste.

 

És tu que chegas perto, meu amor,

Com o Sol nos cabelos trazes luz,

Com um brilho dos olhos que seduz

 

Até a terra morta e sem calor,

Obrigando o inverno à despedida.

Vem! Qual verão tropical tu és a vida…

 

Gil Saraiva

 

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