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Estro

Estro do meu ego guarda o que sou: poemas. contos, pensamentos, artes plásticas, fotografias, produtos do meu sentir.

Estro do meu ego guarda o que sou: poemas. contos, pensamentos, artes plásticas, fotografias, produtos do meu sentir.

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: Braços Abertos - IV

(entre cá e lá...)

Braços Abertos.jpg

           I V

 

“BRAÇOS ABERTOS”

 

Quando os braços abriste para mim

E me deste teu meigo e doce colo,

Não sei eu se segui o protocolo,

Mas sei que me senti mui’ bem assim

 

Entre teus braços… abraço sem fim

Junto ao teu peito meigo em que me enrolo,

Por esse teu carinho um novo Apolo

Me fizeste sentir… num folhetim

 

Daqueles de cordel, com muito mel,

Apaixonado e vivo uma vez mais.

Quando os braços abriste fui jamais,

 

Fui nunca, garanhão, eu fui corcel

Cavalgando por ti, fui haragano,

No abrir dos teus braços… oceano!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: Vermelha Mala - III

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Vermelha Mala.jpg

           III

 

“VERMELHA MALA”

 

O brilho dos teus olhos deste a mim,

O rubro dessa boca me ofertaste,

No calor de teus seios me amparaste,

Em teus braços… de mata fui jardim…

 

Um bom abrigo foste tu, enfim…

Com tuas ternas mãos me massajaste,

Com as pontas dos dedos me coçaste,

No fundo do teu ser fui mandarim…

 

Agora te dou algo onde guardei

O tão forte bater do meu sentir,

O meu amar, o meu por ti sorrir,

 

O meu ser, porque a ti amor me dei…

Guarda-a bem amor, porque ela embala

Meu coração, esta vermelha mala…

 

 

Gil Saraiva

 

 

 

 

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: A Batalha - II

(entre cá e lá...)

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      II

 

“A BATALHA”

 

Macumbas, fadas, anjos e bruxedos,

Sereias, mais encantos e vudu

Ou Iemanjá, milagre e tabu,

Trazem as trovoadas aos penedos…

 

Chuvas, calor e Sol entre rochedos,

Gotas de sal e sangue em rio Cairu…

Amor, suor e vida em corpo nu,

No Morro de S. Paulo são segredos…

 

Por toda a ilha o céu vence o inferno

E esta batalha não acaba mais,

Pois Tinharé protege seus mortais

 

Com seu manto de verde quase eterno…

Desde a primeira à quinta praia a vida

Usa o amor e a fé como saída…

 

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: Quadro da Bahia - I

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             I

 

“QUADRO DA BAHIA”

 

No calor amarelo da Bahia,

Passo eu Lua-de-mel inesquecível,

Perdido nessa carne apetecível

Num rodízio de amor e de alegria…

 

Damos na praia as mãos e vibra o dia,

A água à rocha dá beijo impossível,

Conversa a aragem em tons de invisível,

Respondem as palmeiras por magia…

 

Já tem três milhões de almas Salvador

E nós somos só duas de passagem,

Mais dois pontos num quadro da paisagem…

 

Respiramos o povo e somos cor,

No mercado modelo ou pelourinho

Somos da cor do mel, cachaça e vinho…

 

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: Dedicatória

(entre cá e lá...)

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                                          ESTRO

ESPERANÇA, SENTIR, TRAGÉDIA, RISO, OUTRORA

 Sortilégio Tropical

   (entre cá e lá…)

                             Gil Saraiva

                                 2020

  • Nota: Sonetos publicados entre 1985 e 2020

 

Dedicatória

Aos poetas e cantores da língua portuguesa, com especial relevo para aquele que um dia escreveu e cantou que:

“… ai, essa terra ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso Portugal…”

                                                                                                                               Chico Buarque

 

Adoro ler, em português, poemas de Timor, Goa, Moçambique, Cabo Verde, Brasil ou Portugal.

Amo a globalização velhinha da língua portuguesa e a beleza pura da sua sensibilidade estética…

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia - Sintagmas da Procela e do Libambo: Poema Homónimo - IX

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                          IX

 

“SINTAGMAS DA PROCELA E DO LIBAMBO”

 

Tratados da pobreza,

Miséria, destruição,

E da desgraça,

Crónicas conjunturais de pandemias mil,

Anunciadas…

Tsunami terra adentro

Arrasando vidas estacionadas,

Nas margens de um mar

Antes sem ameaça.

 

Grilhetas e correntes

De vidas ainda escravizadas

Pela fome, pela doença,

Pela guerra que não passa,

Despojos e ruínas que não esquece o tempo.

 

Tudo e todos descendentes

De mortes antecipadas,

Que chegam cedo,

Às vezes a vidas ainda agora começadas.

 

Horrores de um século que ao passado

Não fica a dever coisa nenhuma…

 

Sintagmas da procela e do libambo,

Sinais que o tempo teima em replicar,

Tragédias na sombra de um melambo,

De uma acácia, de um castanheiro,

De uma árvore a abater ou a queimar…

Sintagmas do caos,

Apeadeiro de vivências

De dor ou sofrimento,

Num mar de tumulto derradeiro,

Procela ou maremoto em movimento…

 

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia - Sintagmas da Procela e do Libambo: O Vírus - VIII

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     VIII

 

“O VÍRUS”

 

Dizem que tudo teve início

Num bater de asa

Abruptamente interrompido por um caçador…

 

Foi na China, lá longe, nessa Ásia

Onde as tradições são ancestrais…

 

O morcego abatido

Foi vendido

Para o mercado de Wuhan, lá longe, essa Ásia

Onde as explicações são paranormais…

 

Diz um pangolim, que vem na história,

Que o rato voador jurou vingança

Antes de sucumbir, de se finar…

 

Dizem que ao pangolim doou o vírus

Talvez já no mercado ou a caminho,

Mas ninguém sabe ao certo

Se assim foi…

 

Morcego ou Pangolim, ou ambos, traficaram

O vírus do morcego para a raça humana.

 

Foi em outubro, talvez em novembro,

Ou no mês do Natal Ocidental,

Foi no último quartel de 2019

Isso é certo, seguro e é formal.

 

Coronavírus, mais um, dessa família,

Repleta de primos ou parentes,

Perfeitos malfeitores da humanidade,

Pelas maleitas criadas em humanos mais carentes,

Com menos cuidados ou saúde,

Mais pobres, que dinheiro dá virtude…

 

Todos os continentes do globo o receberam,

Ao vírus com honras de assassino

E carta branca para ceifar milhares de vidas,

Primeiros as mais velhas,

Mais doentes, mais perdidas.

 

Qual pandemia que se alastra e expande

Sedenta por gerar um novo caos,

Que o vírus não separa

Os bons, dos outros que são maus.

 

Ataca a eito

Com pezinhos de lã,

Ataca o Homem,

Deixando em paz a rã,

A avestruz, o gado, a andorinha,

Mas não perdoando, porta-a-porta,

Primo, parente, vizinho ou vizinha…

 

São agora milhões os infetados,

Pelo mundo espalhando aflição e dor,

E são sempre os mais velhos,

Doentes, desgraçados,

Os primeiros a lidar com o horror.

 

São milhões

Os que testaram positivo,

Centenas de milhares morreram já

E muitos outros lhe seguirão caminho.

 

Dobrando valores,

Infeções e mortes

Com o passar dos dias

Que o momento não está

Para outras sortes…

 

Para o dinheiro, recua a economia,

Com confinamentos exaltados

Pelos caixões

A todo o instante televisionados

Nos écrans de um mundo

Sem perdões…

 

Definham os índios na Amazónia

Dizimados sem dó ou piedade,

Salva-se um americano,

Um espertalhão,

Provando, ter sido tratado por

Bem mais que um milhão…

 

Sim! Um milhão

De dólares, de divisas, d’el contado

Que nunca salvará um desgraçado

De ficar sem trabalho, de roubar,

De ir para a prisão,

Sem conseguir tratar os pais ou os avós,

A madrinha, o tio, ou ele, aquele e o outro ou até nós.

 

Morrem centenas de milhares

No mundo inteiro

O desemprego dispara e já se alastra,

Que uma praga nunca vem sozinha.

 

Depois virá a fome e a miséria

Mas sempre para os mesmos do costume

Que o vírus protege quem pode

Enquanto aos outros ele apenas… (fogo!)

Ataca, sem sequer pedir perdão!

 

Tempos difíceis neste vinte, vinte…

Mais centenas de milhar

Irão morrer.

Infetados, com fome, sem casa

Ou sem trabalho,

Que estes são tempos de mandar

Para o baralho,

As cartas do destino

Já lançadas.

 

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia - Sintagmas da Procela e do Libambo: A Dor Que Dói - VII

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          VII

 

“A DOR QUE DÓI”

 

A dor que dói assim, confina um lamento,

É quase minha filha e justifica

Meu ego corroer em crescimento.

É dor que dói assim, num movimento,

Que não se afasta nunca, mas que implica

Voar para sempre mais que o próprio vento…

A dor que dói assim, não tem alento…

Vem da raiz de nós e não se aplica

A coisas que não sejam pensamento.

 

A dor que dói assim num vil tormento

Tem cerne de mágoa que não explica

Porque não seca ela num momento…

A dor que dói assim, sem advento,

Que na saudade é cancro e se complica,

É como água que me mantem sedento,

É dor que dói assim sem ter evento,

Que só a pouco e pouco se fabrica,

Sendo a matéria prima esgotamento…

 

A dor que dói, enfim, é meu sustento,

A dor que dói ruim não se erradica,

A dor que dói sem fim me sacrifica,

A dor que dói assim é alimento

Da dor que dói em mim, em sofrimento.

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Sintagmas da Procela e do Libambo: O Menino de Aleppo - VI

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               VI

 

"O MENINO DE ALEPPO…"

 

Aleppo, Síria,

Oito horas e trinta minutos da manhã,

Bairro de Al-Qatergui,

Verão quente, muito quente,

Em pleno Outono,

Terra de horrores,

Uma ambulância acaba de chegar,

Qual anjo descendo até às portas do Inferno…

 

Rapidamente

O socorrista Ammer Hamami,

Corre para um edifício,

Destruído à bomba,

Para voltar trazendo nos braços Omran,

O menino de Aleppo,

Que encontrou deitado sobre os escombros,

Parecendo fatigado

Depois de uma longa conversa

Com a velha Morte…

No rosto do infante o sangue quase secou,

Mas tem demora…

 

O cabelo de pardal voando em liberdade

É agora uma pasta turva, desalinhada,

Sem brilho, cinzenta,

A espaços arruivada por glóbulos secos

Fugidos, há pouco,

De um crânio fissurado

Pelos detritos urbanos

De um bombardeamento lançado

Já noite finda.

Nessa madrugada…

 

A boca não ri,

O olhar parou de olhar

Mas os olhos ainda

Derivam sem sentido…

 

A face esquerda

Está pintada de uma guerra

Para a qual não foi chamado,

Pintada não, manchada,

Mas quase parece tatuagem,

Uma rubra máscara de horror

Só por zombies sonhada

E os zombies nem existem…

 

Os lábios não falam,

O menino não chora

Nem chama por ninguém,

O lado direito do rosto é obra prima de pó,

De sangue, de barro,

Dos aviões de Putin

A mando do Governo Sírio,

De Bashar al-Assad,

Que o poder vicia,

Corrompe (mas sabe tão bem).

 

Um verdadeiro tributo

À hipocrisia

Dos mandantes,

Um dano colateral

De cinco anos

E pés descalços,

Entre outros percalços…

 

A camisola de algodão,

De mangas curtas,

Ornada de bonecos coloridos,

E o pequeno calção

Subido, a meio das coxas,

Perderam juntos o design

De pijama de verão,

Viraram camuflado de soldado

Que não vence batalhas,

Que já perdeu a guerra

Onde nunca tinha entrado…

 

Aleppo, Síria,

Oito horas e quarenta minutos

Da manhã,

Ammer senta Omran

Num banco cor de laranja

Da ambulância

De interior limpo,

Quase imaculado,

Um corpo estranho de puro

Numa luta suja…

E rapidamente o socorrista

Volta a sair,

Mais umas saídas,

Na busca infinda por outras vidas…

 

O menino de Aleppo

Ali só, ali, nessa viatura,

Onde o contraste gritante da imagem

Parece chorar as lágrimas

Que Omran nunca verteu.

 

Subitamente,

O menino leva a mão

À face esquerda,

Estrega o olho

Invadido pelo seu próprio sangue

E a máscara dessa face aumenta,

Cresce, diaboliza e me atormenta.

Enquanto a pele,

Agora encarnada,

Já chega ao queixo

Ensanguentada…

Com surpresa os seus olhos descem

Sobre a mão que, nesta hora,

O sangue já mancha,

Parece não entender a cor,

A humidade ou o odor…

 

Eu vi tudo,

E todo o mundo viu,

Que o jornalista Mahmud Rastan

Tudo filmou para a História, para nós,

Para as vergonhas do Século XXI,

Nesta entrada sangrenta

De um Terceiro Milénio

Que continua negro,

De trevas, de atrocidades,

Coisas vulgares,

Sem quaisquer novidades…

 

O menino de Aleppo

Nunca chorou,

Mas chorei eu por ele

E vós também,

Muitos de vós e todos os outros

Que viram o que eu vi.

Voltará ele a sorrir, na vida, um dia?

Entenderá alguma vez

O que não tem sentido?

O que se dá a um menino

A quem a infância foi ceifada?

O que se diz? O que se faz?

Talvez o silêncio não diga nada…

Talvez um dia ele fique em paz…

Menino de Aleppo,

Menino de Aleppo,

Porque não choras de cara tapada?

 

Saí do sofá,

Frente à televisão,

E fui para a cama estranhamente cansado,

Adormeci…

Acordei de repente, em sobressalto,

Chorando o grito mudo de Omran,

O menino de Aleppo,

O meu menino…

Podia ser… podia…

 

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia - Sintagmas da Procela e do Libambo: Tragédia em 4 Atos - Kobane - O Menino de Kobane - V/4

O Menino de Kobane.jpg

                                       V

 

"TRAGÉDIA EM QUATRO ATOS - KOBANE"

 

                              4

 

         "O MENINO DE KOBANE"

 

Uma imagem vale mais que mil palavras,

Dizem, por aí, os entendidos.

Foi assim no Vietname

Onde uma menina,

Fugindo na estrada de uma guerra vil,

Vestia napalm

Sobre a pele nua.

Kim Phuc,

Já fez cinquenta e três anos,

Mas será sempre

A Menina de Napalm…

 

Agora outra imagem

Invade-me o lar,

Desta vez,

Para além de uma fotografia,

Existe um filme que me mirra a existência,

Enquanto as imagens

Me turvam a mente,

O olhar e o ser,

Porque, como muitos,

Outros talvez não,

Sou um ser humano,

Que sente na alma,

No corpo e no coração

A raiva irracional

Perante algo sem explicação.

 

Turquia, Bodrum,

Praia de Ali Hoca Burnu,

É de lá que chegam

As imagens malditas,

Transmitidas de manhã,

Ao almoço, ao jantar,

Vezes sem conta,

Mas não mudam,

São sempre as mesmas,

cruéis e letais…

Duras, infernais…

 

Já nem preciso de tela

Para ver o filme

E na minha mente

A gravação não tem fim…

Entra-me na pele

Não sai mais de mim…

 

As ondas do mar

Rebentam na areia,

Numa ondulação suave

Onde a espuma branca

Parece lavar com carinho a praia creme,

Grão a grão,

Qual vento soprando

Em asa de ave…

 

E algures na margem,

Deitado no areal,

Molhado pelas ondas,

Um menino jaz,

Três anos talvez…

Rosto enterrado na areia,

Um corpo pequeno,

Inerte, de braços arrumados

Bem junto ao tronco,

T-shirt vermelha,

Calção todo azul,

Um antagonismo,

Saído do Inferno,

Que as ondas lavam

Num ritmo eterno

Sem que aquela mancha se esfume no chão.

Fazendo esquecer a podridão…

 

Ali jaz Alan Kurdi,

Três anos de idade,

Nascido em Kobane,

Curdo de sangue,

Vítima de guerra,

Refugiado, migrante,

Islâmico, criança,

Roubada à vida,

nascido para a morte,

Um pobre infante

Sem uma saída,

Sem estrela ou sorte…

 

Qual fio de seda,

De aranha foi presa, foi teia,

O menino de Kobane

Jamais. jamais fará

Castelos de areia.

 

Gil Saraiva

 

 

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