Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Estro

Estro do meu ego guarda o que sou: poemas. contos, pensamentos, artes plásticas, fotografias, produtos do meu sentir.

Estro do meu ego guarda o que sou: poemas. contos, pensamentos, artes plásticas, fotografias, produtos do meu sentir.

Livro de Poesia - Eco dos Sentidos: Obstáculos - XI

Obstáculos.jpg

XI

 

"OBSTÁCULOS..."

No fumo de um cigarro

A forma breve

Do sorrir antes juvenil

Da minha filha,

Traduz de uma só vez

Minha saudade...

E um grito louco

Me sai da garganta

Sedenta de palavras de carinho!

 

Na falta do meu filho

Aumenta a dor...

Sempre que o frio me aperta

Aperta a alma...

Sinto o frio da saudade

E já carente

Penso não mais poder continuar...

 

Será destino meu

A solidão?...

Será castigo?

Já não posso mais!

 

Quero ganhar à vida

Para sempre...

Poder viver feliz

Assim que queira

Ou acabar num esgoto

De ribeira!...

 

Problemas da minha alma

E do viver,

Das voltas que a vida me deu

Sem eu o querer…

Obstáculos de mim e do que sou…

 

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia - Eco dos Sentidos: Meditando - X

Meditando.jpg

        X

 

"MEDITANDO"

 

Brada o pincel, contra

A tela, irado

Pelo fervor frenético

Que a mão

(Veículo último

Da inspiração de um homem),

Lhe imprime

De forma apocalíptica...

 

Banhado de cor

Grita as imagens

Da mente,

Que gere seu movimento,

Na tela

Antes crua de sentir...

 

Escorrega

Entre materiais anacrónicos

Que, pelo génio conjugados,

São vassalos da dor,

Da euforia,

São sinónimos da mão

De um criador...

 

Grita,

Brada,

Mas não chora,

Medita apenas...

 

Medita nos estros,

No âmago e no ser,

Procura a essência

“Cromográfica” das formas.

Dos conteúdos,

Dos Sentidos…

Procura, como quem,

Meditando no estado da alma, da vida,

Da chegada e partida

De sentimentos e emoções,

Espera encontrar a pura

Adrenalina do ego e dos corações,

Por entre arritmias saudáveis,

Entre o querer e o crer,

O ter e o desejar,

O Amor e o amar…

 

Meditando,

Enquanto o pincel brada,

Mas não chora,

Enquanto o pulso mostra o relógio,

Que vai marcando a hora.

 

Por onde andas meu amor?

Questiono eu, sem ti, ali, ainda

Meditando…

 

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia - Eco dos Sentidos: Espelho, Alheio - IX

Espelho Alheio.jpg

           IX

 

"ESPELHO, ALHEIO"

Foi hoje?

Ontem?

Amanhã?...

Foi ou será?

 

Possivelmente,

Foi um dia!...

No tempo perdido...

 

Foi...

Quando eu procurava saber

Para que vivia...?

 

Por querer descobrir

Quem sou...?!

 

E para onde segue

O meu caminho...!?

 

Foi por mim, por nós, por ti,

Que a vida ofereci

À sorte ou ao destino...?

 

Foi por querer ou

Por querer amar

E ser amado

Que eu tentei uma vez mais...?

 

Foi hoje,

Ontem,

Amanhã...?

Foi antes de o ser,

 De nascer

Ou renascer...?

 

Foi absolutamente

Por saber

Que tu existes!

Por sentir

Que te amo mesmo se partiste!

Por tanto te querer

Mesmo se a mim resistes,

Porque imaginas que um dia

Possam ficar tristes

Os teus olhos que hoje

Brilham por amor...

 

Foi certamente

Um novo pensamento,

Tão novo

Que a alma

Mal o descobriu,

Que o estro

Apenas o sentiu,

Que a vida

Não soube que o pariu,

Que o coração

Por pouco não partiu,

Que o espelho, alheio,

Não o refletiu!

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Eco dos Sentidos: Entre Iguais - VIII

Entre Iguais.jpg

         VIII

 

"ENTRE IGUAIS"

 

Nada do que eu sou,

Ou fui,

Ou era,

Será o que serei

Daqui para a frente.

 

Não sei como não vi?...

É evidente!!!

Tudo o que eu fizer

Será diferente!...

Como aquilo que eu fiz

Não teve igual.

 

Simples,

Não sei como não vi,

É natural.

 

Apenas sou

Um ser diferente,

Diferente entre iguais...

Cheio de ideais...

Assim sou eu

E toda a gente...

A toda a hora um ser

Sempre diferente,

Especial,

Que pensa,

Em cada instante,

Ser diferente,

Mas que a todo o tempo

É igual!...

 

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia - Eco dos Sentidos: Néctar - VII

Néctar.jpg

    VII

 

"NÉCTAR"

 

O Néctar dos Deuses,

Um tal de hidromel,

Pode ser divino,

Digno de tão elevados seres,

Mas não tem o sabor

Do nosso amor...

Não sabe a vida e a eternidade,

Não tem a plenitude

Num mero segundo,

Não nos faz sentir que existimos

Porque precisamos de viver

Para poder tocar o infinito

No espaço estrito

De um simples olhar...

 

O Néctar dos Deuses

Pode ser divino,

Pode ser perfeito,

Pode ser puro,

Pode ser cristalino,

Pode ser indescritível,

Mas não é absoluto

Como nós...

 

Somos um ser total

Em construção,

Estamos para além

Dos sentidos

E dos sentimentos,

Somos o futuro,

A esperança e a alegria

Das nossas próprias almas...

 

O Néctar dos Deuses

Pode ser divino,

Mas não tem a graça

Do teu sorriso,

O perfume do teu ser,

A alma desse corpo

Onde me perco de mim,

Para despertar num tal de nós...

 

Se és a flor oculta

Deste meu existir,

Até aqui perdido,

Eu mais nada quero ser

Do que a terra

Onde cada uma das tuas raízes

E todas elas

Se alimentam até à eternidade...

 

Até à eternidade

Numa sede sem fim

E que por convenção

Chamamos de amor!...

 

Eu te amo!

 

O Néctar dos Deuses

Afinal não é importante...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Eco dos Sentidos: Completo - VI

Completo.jpg

       VI

 

"COMPLETO..."

 

A saudade

De quem aprende

Por quem ensina

Apenas é possível

Se aquele que ensina

O tiver feito na perfeição,

Aos olhos,

De quem é ensinado;

Mesmo que a verdade

Seja outra!...

 

A saudade

De quem se ama

Por quem ama

Apenas existe

Se o sentimento for perfeito,

Cristalino, vivo

E vindo bem do fundo da alma

E dos sentidos;

Mesmo que o sentir

Seja nublado!...

 

A saudade

Não mata...

Alimenta a eterna chama

De um futuro...

Mesmo que o futuro

Não exista!...

 

A saudade

Nada mais é que a consciência

Que num dado momento

Estamos incompletos...

E eu...

Eu estou tão longe de,

Por fim,

Me completar de vez...

Mesmo que me julgue

Completo!...

 

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia - Eco dos Sentidos: Palavras - V

Palavras.jpg

       V

 

"PALAVRAS"

 

Pensemos

Em tudo o que nos constitui,

Em qualquer universo

De existir...

 

Aqui!

Neste mundo em que vivemos,

Enquanto seres

Que se desenvolvem

Pela comunicação das partes com o todo...

 

Na nossa realidade,

De humanos que se movem

Pelas relações entre eles

E o próprio meio...

 

Aqui,

Onde aquilo que mais depressa

Se devora, consome

Ou se assimila e que,

Por outro lado,

Mais produz, cria

Ou desenvolve é,

Com inequívoca certeza,

A Palavra.

 

Esse conjunto de letras certas,

Absolutas ou relativizadas,

E não um qualquer paleio

Ou palavreado em abstrato...

 

Não se trata

De uma simples conversa

Sem sentido

Ou mera circunstância...

Não!

 

Importa sim

O do ato criativo

Que nos ajuda a pensar e progredir...

 

Importa realmente a expressão última

Que nos torna comunicativos,

Únicos e humanos:

A Palavra.

 

Em suma

Nada é tão apelativo

Como uma boa meia dúzia

De doces palavras...

 

Ditas no momento correto,

Na altura exata, à pessoa certa!

É imenso o valor dessa

Palavra!...

 

Tudo se constrói pela linguagem!

Tudo se pensa pela soma

De palavras

Em continuo turbilhão...

Tudo se vive e vibra nas

Palavras...

 

Ficção ou realidade;

Sonho ou existir;

Ser ou Não Ser;

Meu Deus...

Palavras!

 

A tentação última dos poetas:

Sobreviver depois do Ser!

 

E renascer

Nas páginas que deixam

Para a eternidade...

 

Somatórios de letras,

Que lhes darão vida,

Após a morte:

Palavras!

 

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia - Eco dos Sentidos: Oração - IV

Oração.jpg

 

      IV

 

“ORAÇÃO”

(REZAR, AMAR, MATAR...)

 

OH! Deuses do Mundo Antigo,

Ancestrais Protetores do Homem,

Escutai a Oração do Bom Destino

Fazendo de mim um vosso amigo.

Antes que forças do mal me tomem,

Antes que eu entre em desatino,

Antes que em corpo de homem

Vire menino.

 

Ó Elementais Deuses do Planeta,

A Vós eu peço proteção e amparo,

À Terra que me dê raízes,

Eu peço a força do Cometa,

A precisão robusta do disparo,

O saber, que vem de Vós, juízes.

 

Da Água, quero a força do mais forte,

Do Fogo, a ousadia e a coragem.

Ao sopro, ao vento, ao Ar,

Suplico, enfim, por ter um Norte

Nesta vida que vivo de passagem

E onde apenas quero eu rezar.

Pedir, pelo direito de poder amar.

 

A Vós Elementais Deuses deste mundo,

Eu rezo pelo justo direito que à Paz

Temos todos nós, bem lá no fundo.

Se Vós quiserdes eu serei capaz,

De cumprir sortilégios num segundo,

Protegei-me dos males que vida traz,

HIV, Gripe das Aves ou Antraz…

Não quero eu maus olhados ou inveja,

Que busco por fortuna e bem-estar,

Que a vela vermelha me proteja,

Que depois de rezar eu possa amar.

 

Ah! Deuses, que meu sangue vire a cera,

Que arde no Vosso Divino Altar,

Sete pedras de sal e me façam forte,

Que roxa vela me ajude a superar

Dores, sofrimentos e má sorte

No meu duro caminho, nesta vida,

Procurando, firme e protegido, de vencida

Poder vencer o mal, vencer a morte!

 

Pela fragrância do cravo

Venha um futuro

De propriedade, riso, excitação,

Que a citronela acidifique o muro

De qualquer queixa, dor,

Lamentação.

 

A Vós, Elementais Deus das Verdades,

Eu rogo contra o negativo não,

Que o aroma a ópio traga claridades,

Mantendo feliz e hirto, em qualquer chão,

O meu ser, orando por matar saudades,

Ao implorar, rezar, amar, nesta oração.

 

Líder de mim, a alma satisfeita,

Se entrega ao mais alto Orixá,

Enquanto meu corpo se deleita,

Com Vossa Divina ajuda de oxalá.

Para que assim seja, porque assim será!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Eco dos Sentidos: O Farol - III

O Farol.jpg

        III

 

"O FAROL"

 

Rasgando a escuridão da noite

O farol

Dá vida às negras trevas...

 

Anónimo de coisas e pessoas

É estátua velha,

Acesa e nunca realmente vista

Nas memórias

De quem por ali passa...

 

É indiferente a todos nós...

Está lá!

Cumpre o seu destino!

Porquê louvar?

 

Rude de calor já não atrai...

Distante fogo

Onde restou a luz que,

Enquanto dura a escuridão,

Não mais se apaga...

 

"- A Ocidente nada de novo!"

Parece dizer continuamente.

 

Porém,

Quando uma noite

O farol fechar os olhos...

Deixar de brilhar na tempestade

Ninguém mais, dele, se irá esquecer...

 

Que a memória é marcada a aço

Qual tatuagem de ferro e fogo,

Quando a desgraça

Nos afunda o Ser...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Eco dos Sentidos: Transcendente - II

Transcendente.jpg

               II

 

"TRANSCENDENTE"

 

Eu sou

Como a tempestade tropical,

Apareço

Vindo dos confins do universo,

Fulminante,

Devastador,

Impondo meu ritmo

A cada grão de areia,

Mas cedo me vou

De novo embora,

Seguindo sem rumo

A ilusão perpétua do futuro...

 

Não se pode querer

O que não se agarra...

 

Mas até eu sonho com dias

Que não se encontram

No quotidiano de meu existir...

 

Sonho com noites

Sem teclas de internet,

Com noites viciadas

Em toques de êxtase,

Fundido ao transcendente

Pelo amor...

 

Gil Saraiva

Pág. 3/3

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Meus Blogs: Crónicas. Poesia, Humor, Beijos

Músicas que adoro

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub