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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: A Pomba - XIV

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    XIV

 

"A POMBA"

 

Esperam os borrachos o alimento,

Que a pomba mãe há de trazer agora.

Espera a pomba mãe que chegue a hora

De apanhar as larvas, o sustento

 

Dos filhos que esperam em tormento,

Porque a fome não espera ou vai embora.

Desesperam os vermes por cá fora

A morte os esperar voando ao vento.

 

Esperam enganar aquela ave,

Que mantém a caçada destemida,

Porque dela depende muita vida,

 

Da espera, que o planar torna suave.

Assim eu espero por ti, futuro amante.

Meu sonho, cavaleiro de turbante!

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: A Mão Estendida - XIII

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          XIII

 

"A MÃO ESTENDIDA"

 

Querer chorar a dor que vem veloz

No meu peito partido, que se ofende,

Que a cada queixa tua se transcende

Em mágoa e dor, em sofrimento atroz:

 

É q’rer dizer que te amo e não ter voz,

Porque a revolta tua a fala prende

Dentro de mim o grito que se rende

Aos gritos teus que já não gritam nós!

 

Dizer que em teu olhar eu vejo ainda

O brilho que me dá força, coragem,

Para tentar chegar à outra margem

 

Onde agora te encontras alma infinda,

É tu e eu e nós sermos a vida,

É poder dar-te a mão, a mão estendida!

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Sempre Meu - XII

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       XII

 

"SEMPRE MEU"

 

Não quero ser a má da fita, amor.

Não quero ser a vítima afinal.

Não quero ser um fardo ou animal.

Não quero ser a causa de uma dor.

 

Não quero ser fator destruidor.

Não quero ser razão desse teu mal,

Nem quero ser pecado original

Ou água em que se apague o teu calor.

 

Eu quero, sim, te ver de novo rindo.

Anseio o teu afago, o teu carinho,

Desejo em teu olhar o brilho lindo,

 

Quando desse teu colo eu faça ninho.

Não quero ser aquela que perdeu,

Mas apenas que sejas sempre meu!

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Não Sei... - XI

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      XI

 

"NÃO SEI…"

 

Servi-te, nos versos que me deste.

Li teus poemas, vi teu coração,

E a alma saciei-te, em emoção,

Fui tu, no que reli, no que fizeste!

 

Amei o que amaste, o que disseste.

Senti teus anjos, pássaros e não

Te perguntei sequer pela razão

Das rosas brancas, alvas, que escreveste.

 

Segui teus passos, letra a letra, enfim…

Guiada pela vida em ti vivida.

Segui o teu chegar, tua partida,

 

Sem invadir teu espaço, só por mim.

Abro-te hoje meu ser, meu existir,

Não sei o que esperar, o que há de vir…

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Um Olhar - X

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       X

 

"UM OLHAR"

 

Acaba esse olhar de em mim poisar.

O seu olhar que toda me analisa.

Um olhar curioso, de pesquisa,

Que, procurando o bom ou o ruim,

 

Tenta encontrar o entendimento, enfim,

Da minha personagem indecisa,

Não traduzida em fórmula concisa

E mesmo sem sequer ter um fim.

 

O seu olhar que vem, sem pedir nada,

Busca carinho, quer compreensão,

Talvez procure amor e porque não

 

Correspondência viva, apaixonada.

O seu olhar profundo é pensamento…

Um olhar no qual anseio alento!

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Esse Homem - IX

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        IX

 

"ESSE HOMEM"

 

Uma figura humana, árida, ardente,

Quase um rasgo de vida, frio, gelado,

Um suspiro de pó ao vento, alado,

Saído de uma urna ainda quente...

 

Um homem que não sente quando sente,

Nesse olhar duro, quase que apagado,

Um rosto sem expressão, inanimado

O retrato de uma alma tão ausente;

 

Pois que a eternidade ali ocorre

E em holocausto o ser no ocaso cai,

Hipocrisia assim que dele se esvai,

 

Tão longe de onde nasce, vive e morre.

Desconhece ele o amor, a alegria,

Deste meu ser por ele, uma heresia…

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Café - VIII

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 VIII

 

"CAFÉ"

 

De etéreo lugar veio o convite,

Para um café apenas, nada mais.

Um gesto de amizade, sem sinais

Que pudessem quebrar qualquer limite…

 

Um olhar doce e escuro de grafite,

Nos olhos, de um castanho cor de cais,

A lembrar ondas, mar e areais

Ou romance, passeios e apetite…

 

E conversámos pela tarde fora,

Como velhos amigos, com saudade

De reviver, enfim, velha amizade

 

E viajamos horas num agora,

Na Bahia, Paris, Cais do Sodré,

Perdidos num aroma, num café…

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Poesia Livre - VII

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        VII

 

"POESIA LIVRE"

 

A vós, que me escutais, eu vim pedir:

Libertem, de uma vez, a Poesia!

Não a deixem viver na agonia

De uma masmorra em Alcácer-Quibir

 

Ou de uma rima feita sem sentir...

Libertem... Que é divina e é bravia,

E se a métrica usar é por mania

Porque foi feita apenas p'ra servir.

 

Libertem, de uma vez, a forma pura!

Dela fazemos eco dos sentidos

E com ela, ao cantar, somos ouvidos

 

Desde o nascer do Sol à noite escura.

Se é de muitos de nós a melodia,

Então, tem de ser livre a Poesia!

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Querida - VI

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     VI

 

"QUERIDA"

 

Ter no sentir o brilho do poente,

Ter o olhar profundo, inconformado,

Que mais parece ser o resultado

Do espelho que da alma é transparente.

 

Ter no sorriso a luz de um branco quente,

Num cativar exclusivo, arrebatado,

Que tem de simpatia e de pecado

Tanto como de vida e de inocente...

 

E ser sereia e mar na Internet

Ou flor crescendo em bruto na colina.

Ter tudo, enfim, e ser adrenalina

 

De quem num só olhar se compromete.

Ser simples como a flor que, ao ser colhida,

Descobre o amor de quem lhe chama querida!

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Matar a Sede I - V

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           V

 

"MATAR A SEDE"

 

Um dia apareceu linda nascente,

Fruto da Terra, a cristalina mãe.

Seu pai, o Mundo, festa fez também

Ao ver brotar a água, antes ausente,

 

Nesse lugar, que fora deprimente,

E onde despontara um maior bem,

Regando, com cuidado, aqui e além,

O solo agora verde e sorridente.

 

Um certo dia ali cheguei, sozinha,

Ia a pensar na vida e no amor,

Nas minhas desventuras, nessa dor

 

Que do meu coração era vizinha…

Mas ao matar a sede, nessa água,

Eu saciei, de vida, a minha mágoa!

 

Ariana Telles

 

 

 

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