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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Pousada Praia do Amor - IV

Pipa Pousada Praia do Amor.jpg

                     IV

 

"POUSADA PRAIA DO AMOR"

 

Foi na Praia do Amor, com muito amor,

Que nossos corpos nus se passearam,

Que em Pipa, Brasil, a tudo ousaram,

Onde um dia enterrei a minha dor…

 

Homónima pousada sem pudor,

Testemunhou aqueles que se amaram

E triste viu partir os que a deixaram,

Afagando quem fica, com fervor…

 

Senti nessa pousada a alegria,

O teu terno carinho do aconchego

Regar-me a alma, em máximo sossego,

 

Num romance de amor, que em mim floria

Sem pressa, sem pressão, tão natural,

Que para mim Brasil foi Portugal!

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Maré Salgada - III

Maré Salgada.jpg

         III

 

"MARÉ SALGADA"

 

Olho p’ra mim e não me reconheço,

Perdi brilho e sorriso no olhar;

Ganhei rugas de dor em cada esgar,

E sei que já não sou nem quem pareço...

 

Duvidas se de facto te mereço…

E sinto o teu amor se evaporar,

Submisso ao raciocínio singular

De que não sou quem q’rias no começo...

 

Julgas que a nossa marcha terminou.

Dizes que divergimos nos caminhos.

Juras que troquei rosas poe espinhos.

 

Pensas saber que nada mais sobrou!

Olho p’ra mim e não me sinto amada.

Parte de meu olhar maré salgada!

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Nada! - II

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     II

 

"NADA!"

 

Ai! Como doi sentir indiferença…

Não ver no teu olhar o amor puro…

Pensar que o presente é sem futuro,

Pois para ti eu sou como a doença

 

Que te importa curar, antes que vença.

Ai! Como doi não te sentir seguro,

Fugindo, assim de mim, como do escuro,

Como, se em vez de amor, fosse eu sentença.

 

Ai! Como doi amar-te mesmo assim.

Porque não posso eu fechar a dor

Como fonte onde a água chega ao fim?

 

Ai! Como doi não ter o teu amor.

Ai! Como doi minha alma abandonada

Que um dia teve tudo e agora nada!

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: O Ser Mulher - I

O SER MULHER.jpg

          I

 

“O SER MULHER”

 

O ser mulher exige algo que assim,

por vezes, eu não estou disposta a dar.

A culpa é cultural e ao me irritar,

Não me ajuda a vencer. Não vem de mim.

 

Mas porque tenho eu de ter um fim

Ou uma forma para me integrar?

Eu sou apenas mais algo invulgar,

Que é diferente. Nada mais… enfim…

 

Não me venham, com regras e atitudes,

Dizer-me como agir, como hei de ser,

O que busco eu sei bem. Como viver

 

Cá, com os meus defeitos e virtudes.

Amar não é prisão, não traz correntes,

Todos podem amar sendo dif’rentes!

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Introdução

Capa Díscolas de Runim Iaiá.jpg

 

Introdução

 

Tive alguma discussão com quem me costuma ler antes de eu começar a divulgar o conteúdo dos meus livros em público. No entender desses amigos e amigas o título do livro parecia rebuscado e pouco claro. Todavia, acabaram por me dar razão, uma vez que é precisamente esse o objetivo do nome do livro.  Seria muito mais fácil escrever Revoltas Profundas de uma Mulher-Menina em vez de Díscolas de Runim Iaiá. Claro que sim, sobre isso não há a mínima dúvida. Só que ficaria a faltar o peso histórico e universal das revoltas que são mais do que apenas isso, traduzindo antes verdadeiras batalhas.

O dicionário de sinónimos de 1985 da Porto Editora refere díscolas como significando alarmes, ansiedades, desassossegos, impaciências, inquietudes, perturbações, receios, revoltas e sobressaltos. Um conjunto de sentimentos e estados de alma que importam para este livro enquanto unidade e intenção transmissiva.

Por outro lado, o mesmo dicionário, vai buscar às origens dos ciganos em certas partes do Brasil a palavra runim, como sinónimo de mulher. Uma mulher que, a existir em Portugal, seria alvo de três discriminações. A descriminação quase banal de ser mulher em Portugal, a de ser brasileira, inúmeras vezes colada à prostituição em largos setores da nossa sociedade e a de ser cigana, a raça menos apreciada por muitos ditos brancos no nosso país.  Ora, reunir três discriminações tão fortes numa só palavra, pereceu-me o ideal para este livro.

Porém, eu queria falar da mulher menina, da jovem que se torna mulher, de pleno direito e que inicia a sua caminhada como ser adulto pelo mundo dos humanos. Ora, iaiá, significa moça, menina, quer no Brasil, quer em certas partes da África portuguesa. A sua origem remonta ao tempo da escravatura e o seu uso era empregue pelas amas escravas, exportadas das colónias portuguesas de África para o Brasil, para designar as filhas dos seus donos. Mais uma vez discriminações raciais, de género, de status e mesmo de origem.

De tudo isto nasceu este título: Díscolas de Runim Iaiá ou Revoltas Profundas de uma Mulher-Menina. O peso, e a diferença conotativa destes dois títulos, impõe sempre a escolha do primeiro em detrimento do segundo que, mesmo embora possa ser mais claro e muito próximo da objetividade, perde na conotação, nas raízes de uma velha revolta na luta pelo direito de se ser um ser humano com igualdade de deveres e direitos enquanto se é mulher. Mais ainda quando nos queremos referir a uma mulher que se inicia pelos caminhos da vida adulta.

A igualdade de género, mantendo homens e mulheres as suas caraterísticas próprias, bem como todos aqueles que nascem num género que não aquele onde se sentem integrados devia ser um direito fundamental com honras de destaque e sublinhado. Não são admissíveis comportamentos quinhentistas depois da mudança de milénio e a quatro quintos já passados do primeiro quartel do século XXI. Manter atitudes de índole machista, racista, xenófoba, entre outras, devia ser intolerável na sociedade em que vivemos, mais ainda se, como é o caso, nos encontramos no Mundo Ocidental. O respeito não implica cortesia nem galanteio entre géneros, se bem que na devida ocasião seja agradável, mas sim um reconhecimento cabal de que os géneros se encontram ao mesmo nível.

Por outro lado, a língua portuguesa é só uma. As diferenças faladas do português em Timor, Angola, Brasil ou Portugal não determinam línguas diferentes, apenas maneiras diversas de usar a mesma língua. Por isso, e especialmente por isso, é tão correto usar uma palavra que se utiliza mais no Brasil em Portugal, como em Timor ou em Cabo-Verde. São todas palavras portuguesas e também elas devem ser iguais seja qual for o país que as empregue.

Aliás, segundo os estudiosos da matéria, o português é uma língua viva e em franca expansão, devido à dinâmica linguística desenvolvida nos outros países de Língua Oficial Portuguesa, que não Portugal. Recentemente passamos a ser reconhecidos pela UNESCO como a quarta língua mais falada em todo o mundo. Porquê? Porque no universo dos países de Língua Oficial Portuguesa não se fala moçambicano, angolano, brasileiro, goês ou português, sim, em todas elas, por acordo firmado entre as partes, o que é falado é o português.

Aliás, no caso do título, embora ausentes, na sua grande maioria, da internet nos dicionários online da Língua Portuguesa, o referido Dicionário de Sinónimos da Porto Editora, editado em 1985, reconhece estas palavras e o seu significado, mas não é o único, a versão de 1981 do Grande Dicionário da Língua Portuguesa, da Sociedade de Língua Portuguesa, de XIII Tomos mais um para os Autores de Língua Portuguesa, editado pelos Amigos do Livro Editores, sob a coordenação de José Pedro Machado, já reconhece e explica a origem de todas as palavras usadas no título deste livro há, portanto, 40 anos, já a partir do início do próximo ano, dentro de dias.

Resta-me desejar a todos os leitores, sejam de que género forem, uma leitura sentida desta minha alma em permanente díscolo. Ao meu mentor, deixo ainda um agradecimento pelo uso do seu espaço na divulgação dos meus sonetos. Para todos fica o meu obrigada.

Ariana Telles

 

Observação: Os poemas deste livro foram criados entre 2000 e 2020.

 

 

 

Livro de Poesia - Desassossegos de um Bardo: Perfeito - IX (Último)

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     IX

 

"PERFEITO"

 

Escuta

O Vagabundo Dos Limbos,

Escuta

Haragano, O Etéreo,

Escuta

Os desassossegos de um Bardo,

Escuta…

 

É para ti a mensagem de alerta

Neste aviso...

 

Escuta:

Nunca deixes a memória se apagar!

Recorda, tem saudades,

Ama e vive plenamente!

 

O amor não vem das palavras

Que os namorados escrevem

Na areia à beira-mar, na maré vaza...

 

Essas, leva-as a água, em momentos,

Enquanto a maré enche...

 

Sai das profundezas

De ti mesmo e olha o mundo,

Antes que o próprio mundo

Te condene às profundezas...

 

Ama!

Procura encontrar o mágico sentir

Que nos faz ser mais do que nós mesmos!

 

Ama! Sente!

Nada é tão forte!

Nada é tão perfeito!

 

Gil Saraiva

 

 

 

 

Livro de Poesia - Desassossegos de um Bardo: Certeza - VIII

Certeza.jpg

     VIII

 

"CERTEZA"

 

Pode o mundo ser

Vivo e azul;

Pode a vida ser

Bela e serena;

Pode a alma ser

Eterna e simples;

Pode o homem ser

Parte de um todo

Que universalmente

Gera a harmonia...

 

Mas eu, sem ti, sou

Como a gota de água,

Que seca e se evapora

No calor de um deserto,

Por falta de um rio

Que a alimente, ou de nuvem

Que lhe dê a esperança...

 

De nada me servirá o azul do mundo;

Para nada interessará que exista vida;

O belo e o sereno são tristezas;

O simples e o eterno: ilusões...

 

Para ser parte de algo, em harmonia,

Terei de ter todas as certezas

De que unidos estão dois corações:

O meu e o teu, qual poesia,

Que na pedra do Tempo

Se eterniza,

Porque na força do sentir

Se enraíza

Num poema de amor

Que a nós… nos simboliza!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Desassossegos de um Bardo: Ao Infinito - VII

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       VII

 

“AO INFINITO”

 

Para se distinguir as formas

Importa focalizar o conjunto

No seu todo…

 

Para se conhecer a alma

Importa saber ler o ser

Na sua essência…

 

A premência do aperfeiçoamento

Gera o maravilhoso campo

Do existir com sentimento…

 

Queremos ser perfeitos

Para alguém…

Que nunca nós!

 

Se a arte é longa

E a vida é breve…

Se o espírito é força

Que a matéria move…

Se o corpo é existir

E a alma é ser…

Se a dor é berro…

E o amor é grito…

 

Quero que me falhe

Nunca a fala

Para poder dar voz ao coração,

Que por ti berra e grita ao infinito:

 

“- Vem arte eterna de ser e de emoção...

Tu és o amor que em mim resvala,

Palavra de ordem que pode até chorar

Mas que não... jamais... nunca se cala!”

 

Gil Saraiva

 

 

 

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