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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - Crença em um Fanal na Chona Lôbrega: Pensamento - VIII

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      VIII

 

"PENSAMENTO"

 

O Homem nunca há de vencer

As rochas do tempo,

As florestas do Universo,

As marés vivas da Lua.

 

Poderá, talvez, desvendar no futuro

O dia das suas trevas,

A primeira noite de Sol,

O antibiótico para a fome,

A vacina de todas as pandemias,

Menos a do medo

E a da Morte.

 

O valor que tem o bem,

A força da solidariedade,

A vitalidade da arte,

A beleza da natureza

E a garra da sabedoria,

São frutos do pensamento

De uma coletividade

Que dá pelo nome de humanidade.

 

O Homem jamais conseguirá criar,

Por mais que o ajude o génio

E a inteligência,

Qual é a fórmula do amor

E como transformá-lo em equação.

 

O Homem sonha, inventa, prospera

E progride pelo pensamento,

O mesmo que lhe dá consciência,

Guerra ou paz e, às vezes,

Felicidade.

 

O que seria do ser

Sem essa qualidade única

A que chamamos pensamento?

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Crença em um Fanal na Chona Lôbrega: Um Pássaro Sou - VII

Um Pássaro Sou.jpg

          VII

 

"UM PÁSSARO SOU”

(Balada para um cantor só)

 

Sou!

Um pássaro sou

Ou ser voador,

Que quer voar e que voou

Seguindo a linha do Equador,

Buscando no mundo

A terra perdida

Onde o amor é moeda corrente,

Onde o segundo,

Tem sabor a vida

E onde o calor humano

É tão diferente.

 

Porque eu sou,

Um pássaro sou

Ou ser voador,

Que quer voar e que voou

Seguindo a linha do Equador!

 

Vou

Lá viver, eu vou

Para onde há calor,

Para poder,

Livre viver,

Seguindo a meiga via do amor.

 

Quero que exista,

Justiça mais justa,

Uma conquista

Que o meu ser busca,

Porque a saída tem fraternidade

Se cada um suportar o que custa

Poder por fim gritar liberdade!

 

Porque eu sou,

Um pássaro sou

Ou ser voador,

Que quer voar e que voou

Seguindo a linha do Equador!

 

Porque eu vou

Lá viver, eu vou

Para onde há calor,

Para poder,

Livre viver,

Seguindo a meiga via do amor!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Crença em um Fanal na Chona Lôbrega: O Eco dos Sentidos - VI

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              VI

 

"O ECO DOS SENTIDOS"

 

Era uma vez

Um escritor chamado eu,

Que escreve de pequenino

(Mas que vaidade Deus meu)

Dirão, talvez,

Lá do alto,

Os doutos homens das letras,

Com desprezo pela escrita

Do escritor que hoje sou eu,

Que pouco sabe da arte,

Que tenta expor umas tretas.

 

Mas o escritor feito eu

Não se demove ou acanha,

Escreve o que sente

E não sente,

Só à caneta é fiel.

Que o escritor é… tinta ardente

Numa folha,

No papel,

No pensamento da vida,

Numa quimera esquecida

Chamada civilização…

 

Não há só filosofia,

Crença ou religião,

Saber de mente vazia,

Ou a douta opinião…

Há também a fantasia

De quem escreve uma aliança,

Uma semente vazia

Ou um mundo em mudança…

 

Caneta e tinta,

Papel.

Resignado, suicida,

O escritor bem sente o fel

De quem pouco vive a vida…

 

Escreve uma folha,

Outra folha,

Poeta feito valente,

Do que pensa, consciente,

Com tinta, compreensão.

Escreve o fel, a dor

O mel, o amor,

Escreve chegada ou partida

Na folha ardente da vida…

 

Resignado, suicida…

Caneta, tinta, papel,

Grava o que sente

Na ferida!

 

Sente o mundo, a dor, o ar,

Não sente os doutos, vendidos,

Sente o ser, sentir e amar,

Sente o eco dos sentidos…

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Crença em um Fanal na Chona Lôbrega: Sorrindo - V

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       V

 

"SORRINDO"

 

Senhor da bruma,

Sou como peça gasta e sem valor

Num imenso jogo universal.

Nada mais sou!

Apenas isso que escrevo e nada mais.

 

A vida é como um jogo,

Num gigantesco tabuleiro de xadrez.

 

O existir é complicado,

Problemático,

Uma imensa arquitetura

De jogadas

Cujos resultados

Demoram a ser vistos...

 

No final,

Ganhará quem melhor souber

Mexer as peças,

Quem soube prever e antever,

Quem teve visão!

Ou sorte, porque não,

Isso acontece…

 

Ninguém quer apenas sobreviver,

Sem qualidade de vida,

Em solidão,

Excluído do convívio

Dos outros seres humanos.

 

Todos procuram manter

A saúde, algum conforto

E o amor dos que lhes são mais próximos.

 

Para se vencer esta guerra

Contra o óbito,

Não é a vida eterna

Que ambiciona

Mas sim, enquanto se existir,

Manter na vida

A qualidade do ser e estar

Até um dia,

Finalmente,

Chegar a hora da partida.

 

O prémio,

Esse,

É morrer sorrindo!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Crença em um Fanal na Chona Lôbrega: Por Mais... - IV

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       IV

 

"POR MAIS..."

 

Por mais

Que o encanto

Pareça estar quebrado...

 

Por mais

Que o sonho

Tenha dado lugar ao Sol

Depois de um raiar irritante

E nublado da aurora...

 

Por mais

Que o quotidiano

Me tente chamar à razão,

Qual despertador enervante,

Repetitivo,

Monótono

E incansável...

 

Por mais

Que a flor

Se encontre oculta...

 

Por mais

Que tudo...

 

Nada vai parar

Quem sonha

Com o que sabe querer,

Por mais

Que o sonho

Demore a chegar...

 

Todos procuramos,

Por entre afinidades,

Alcançar um objetivo

Que nos parece diferente,

Moldado à medida

Para cada um de nós.

 

Sonhar

Torna-nos gente,

Dá-nos essência e significado,

Alimenta a esperança

Que se faz luz a cada passo,

Mesmo no meio de uma pandemia

Ou cataclismo.

 

Queremos sobreviver

Porque acreditamos que a vida

Tem de fazer sentido

Mesmo que nem sempre isso aconteça.

 

Por vezes, tantas, o desanimo

Gera uma depressão

E tudo parece perdido

E sem significado.

Mas, paradoxalmente,

Quem acorda

Volta ao sonho uma vez mais,

Porque afinal quer perdurar

A qualquer custo

Por mais que naquele dia

Tudo nos pareça perdido,

Sem saída,

Destroçado…

 

Por mais que o sonho

Demore

A ser sonhado.

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Crença em um Fanal na Chona Lôbrega: Depende - III

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    III

 

"DEPENDE"

 

Quase uma réstia de mim

Ou pura essência,

Senhor da Bruma sou

E só em mim existo.

 

Procuro em vós

A paz,

A coerência,

O sorriso da alma

Que não vejo

No meu quotidiano

Ora rochoso...

 

Senhor da Bruma aqui,

Uma vez mais,

Suplicando o fim

Das ilusões

E das mentiras

Em qualquer que seja

A vossa frase,

Que o Reino da Bruma

É já bastante...

 

Quero a verdade pura

Em cada letra,

Com a força

E o fogo

De um cometa!

Quero,

Queria...

Mas só de vós depende...

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Crença em um Fanal na Chona Lôbrega: Não Leias Estes Versos - II

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       II

 

"NÃO LEIAS"

 

Não leias estes versos, meu amor!

Estes que são para ti,

Não deves ler.

Foram escritos no fervor,

No que senti,

De todas as vezes que te pude ver.

 

Não, leias estes versos, minha amada!

Tu nem sabes que existo,

Que te adoro.

Eu sigo cabisbaixo a tua estrada,

Sem me apresentar, sem um olá,

E quando tu me olhas, sem me ver,

No regresso a casa, apenas choro,

Pois que para ti nem sequer estou lá.

 

Não leias estes versos, minha querida,

Eles falam de carinho e sentimento,

De como te daria a minha vida,

De como não me vês,

De como é amargo o sofrimento.

 

Não leias estes versos que te faço,

São lágrimas de orvalho

Antes da aurora,

Palavras de amor, um enxovalho,

De quem, só por te olhar,

Apenas cora…

 

Não leias os meus versos, ó mulher,

Tu que brilhas cintilante e bela,

Na noite de breu,

Haja o que houver,

Com o reluzir próprio de uma estrela,

Sem saberes sequer

Quem sou eu…

Mas se um dia leres os meus versos,

Escritos, por este amor que desconheces,

Mesmo que te pareçam controversos,

Jamais saberás como os mereces,

Pois sendo para ti,

Teu nome, omitem,

Escondendo bem fundo a tua imagem.

Lerás apenas aquilo que transmitem,

Sem saberes

Que tu

És a mensagem…

 

Não leias os meus versos, meu amor,

Eles que são para ti,

Não deves ler!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Crença em um Fanal na Chona Lôbrega: Abaixo-assinado - I

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             I

 

"ABAIXO-ASSINADO"

 

Pelo sorriso

Dos teus olhos...

 

Pelo prazer

Dos teus lábios...

 

Pela suavidade

Da tua pele...

 

Pelo odor do teu ser...

 

Pela felicidade

Da tua presença...

 

Pelo amor mais profundo...

 

Eu, abaixo-assinado,

Declaro que te amo,

Com toda a força

Dos elementos

E com o poder do universo

Que me constitui,

Para sempre!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Crença em um Fanal na Chona Lôbrega: Introdução

Capa Crença de um Fanal na Chona Lôbrega.jpg

Introdução

 

No seguimento dos afinismos que ligam quem escreve a quem o poderá vir a ler, é fácil de entender a “Crença em um Fanal na Chona Lôbrega” mesmo que o título fuja aos vocábulos mais correntes, nele se acaba por descobrir a “Esperança em um Farol na Noite Tétrica” ou, como diz o povo, “A Luz ao Fundo do Túnel”. Por mais lúgubre e sinistra que nos pareça a vida, enquanto ela se ancorar numa esperança firme e num acreditar que depois da tempestade tem sempre de chegar um tempo de bonança, não há como não lutar e assim sobreviver.

Todavia, longe dos berços dourados das histórias de encantar, existe um mundo em que nem tudo é justo, correto, educado ou sensível. Na realidade do quotidiano a vida é uma mistura heterogénea entre bem e mal, onde as fronteiras, de ambos os lados, são difusas, mal definidas e quase sempre sem grandes defesas ou segurança entre elas.

Um fanal pode não ter a grandiosidade do Farol de Alexandria, mas, apesar de tudo, não deixa de ser uma luz, que nos dá crença e esperança, na chona lôbrega, qual noite sinistra, em que por vezes nos sentimos envolvidos. Neste momento particular da história da humanidade, em que se enfrenta uma pandemia sem rosto, que colhe sem piedade os anciãos da sabedoria humana, património que são dos povos do mundo, importa resistir, ter a fé, a crença, a esperança, na mais ténue luz que se veja a brilhar.

Gil Saraiva

 

Nota: Os poemas deste livro foram criados entre 2019 e 2020.

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Epílogo

Epílogo.jpg

EPÍLOGO

 

Este é o livro de sonetos de Ariana Telles, um heterónimo de Gil Saraiva, porque há sensibilidades que só se conseguem transmitir pelo ser enquanto mulher. Só a mulher tem a habilidade extraordinária de conjugar âmago, alma, espírito e coração em instinto, sexto sentido, premonição e sobrevivência. Aliás, apenas a mulher consegue transformar estes quatro cardinais do existir (âmago, alma, espírito e coração) numa só vivência, num único cerne, num quinto elemento que vai mais longe do que a soma dos quatro que o constituem. Porque, afinal, que homem consegue transmitir um amor de mãe? Que homem resiste à dor, à doença e ao infortúnio como esse ser perfeito que dá pelo nome de mulher?

As Díscolas de Runim Iaiá, ou as Insubordinações (ou revoltas) de uma Mulher Menina, são, por isso mesmo, uma pequena mostra da minha tentativa de descobrir esse sentir pelo que me foi transmitido, ao longo de muitos anos, por amigas, companheiras e mulheres com a sensibilidade estranha das orquídeas, a leveza plácida dos nenúfares e a grandiosidade aromática das rosas, como se juntas, numa só fragrância, conseguissem unir tudo o que é sentir, amar, ser e estar num verbo novo e singular.

Gil Saraiva

 

 

 

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