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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - Os Anexins de um Vate Sólito: Quero Voltar ao Nordeste - VI

Quero Voltar ao Nordeste.jpg

                  VI

 

“QUERO VOLTAR AO NORDESTE”

 

Regressar a Natal bem no Natal

No calor agradável do verão,

Fazer da brisa fresca uma paixão,

Que nos penteia a alma ao natural,

 

Como ourives talhando um cristal,

Lapidando amor ou ilusão

Na nossa pele aberta à sensação

De receber um Sol sentimental.

 

Sentir neste Nordeste o pôr-do-sol,

Passar em Ponta Negra no agito,

Soltar feliz a voz e sem um grito

 

Imitar vocalmente o rouxinol.

Amar, dançando um samba brasileiro,

No Nordeste, qual bicho-carpinteiro.

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Os Anexins de um Vate Sólito: O Parto - V

O Parto.jpg

(David 07 - Dezembro de 2020 - Praga - R. Checa)

      V

 

“O PARTO”

 

Sangue do nosso sangue que, ao nascer,

Semente do teu ventre, se fez fruto

Carinho dos carinhos o produto

Dos meses em que em ti eu vi crescer

 

Um novo mundo, louco por saber

Como seria fora do reduto,

Longe do maternal, morno aqueduto,

O mundo onde teria de viver…

 

E a flor de dois amores, em comunhão,

Lá aguardou a hora da saída,

Nos últimos momentos… confusão

 

E dores, contrações, choro de vida…

Choro que veio desse rosto lindo,

De teu choro, David, um parto findo!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Os Anexins de um Vate Sólito: Às Vezes - IV

Às Vezes.jpg

    I V

 

“ÀS VEZES”

 

Um amor puro, meigo, de crianças.

Será este o meu tipo de amor?

Será amar-te feito um pecador,

Sem ser brejeiro, falso ou sem mudanças,

 

Ligado ao casamento, às alianças,

Nunca trocista ou conquistador,

Mas sempre sério, afável, no clamor

Vinculado ao passado e às lembranças?

 

Será o meu amor um esperar

Por receber amor quando não dou,

Egoísta de mim, daquil’ que sou,

 

Pois nunca amei ou nunca soube amar?

O meu amor é mar, é oceano,

Às vezes egoísta, nunca engano!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Os Anexins de um Vate Sólito: No Meu Vazio - III

No Meu Vazio.jpg

        III

 

"NO MEU VAZIO”

 

Eu não te ter aqui é triste, é pena.

É como ser rei e não ter trono,

É como florir em pleno outono,

É como no calor viver a rena.

 

Ai! Gritante saudade tão serena,

Gritante erro meu, vencendo o sono,

Qual serena vontade de ser dono,

Dono de ferro de uma escrava amena,

 

Pois que escravo eu serei à tua beira;

Ambos margens escravas de um rio.

Eu te quero comigo a noite inteira,

 

Nós num leito, juntinhos no macio.

E enquanto não vieres, ó companheira,

Fico escrevendo, só, no meu vazio…

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Os Anexins de um Vate Sólito - Amor Cego - II

Amor Cego.jpg

       II

 

“AMOR CEGO”

 

Cupido já não tem a seta certa,

Perdeu-a por servir o grande Marte,

Das intrigas da corte é baluarte

O odor que esse caos assim liberta.

 

No mundo se propaga a guerra aberta,

Que Vénus escondeu beleza e arte,

Porque a Justiça dorme em outra parte,

Drogada por Discórdia que, em alerta,

 

Esculápio enganou com pandemia.

Minerva já nem sabe o que fazer

Vendo a seu lado a Terra a padecer

 

Do clima, poluição, em agonia…

Resiste o ser humano a tanto ego

À força de um amor que se fez cego!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Os Anexins de um Vate Sólito - Leoa do meu Safari - I

Leoa do Meu Safari.jpg

              I

 

“LEOA DO MEU SAFARI”

 

Será uma ilusão minha alegria?

Leoa do meu safari, luar

De Lua cheia, vida que a brilhar

Me traz felicidade e fantasia

 

Será que do teu ser vem a magia

Que, sem asas, no amor me faz voar?

Leoa do meu safari, solar,

Castelo, primavera, sinfonia

 

Ao som da qual danço apaixonado,

Porque ao sorrires leoa és menina

Que corre livre, imagem de felina,

 

Amor caçando pelo verde prado.

Serei eu caçador ou serei presa?

Importa mais que farta seja a mesa.

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Os Anexins de um Vate Sólito - Exórdio:

• Nota: Sonetos escritos em 2021

Os Anexis de um Vate Sólito.jpg(Sonetos de 2021 - inclui alguns sonetos revistos desde 1991)   

EXÓRDIO

 

Num soneto cada verso é como um adágio que o poeta, por mais banal, corriqueiro ou usado que seja, pelas musas que o inspiram ou pelos estros que lhe dão fluidez, inscreve na folha virgem que aguarda a profanação das letras feitas palavras, que como afluentes formam versos que confluem em quadras e tercetos, num rio a que os arautos chamam de poema.  No final surge o soneto, único, vibrante, sensível e totalmente apaixonado pela rigidez das formas que o confinam, por entre as margens de uma estrutura em que navega fluidamente, transportando do porão à gávea resmas de sentimentos, de emoções, de sentires que, sendo seus, cedo se espalharam pelas mentes dos consumidores, que os devoram em leituras ávidas de amor, embalo, ternura, bruma, tristeza ou solidão, enquanto leitores das suas próprias almas.

Os provérbios de um poeta usado pela vida deixam a singularidade da sua criação e tornam-se inspiração e reflexo de espelhado de quem, através deles, se vê refletido, aqui e ali, nos seus próprios devaneios ou paixões. São estes anexins de um vate sólito que para estas páginas transcrevo convicto que o poeta, como o filósofo, apenas nos ajuda a entender este meio complexo, vibrante e apaixonado a que chamamos eufemisticamente de sociedade e onde nos inserimos como parte de um todo que nos é afim. Tudo porque sem afinismos o ser definha, se deprime e se acaba sob uma lápide triste que nem sequer nos honra condignamente.

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Estrigas do Dilúculo dos Lamentos: Adeus Mãe - XI

Adeus Mãe.jpg

      XI

 

"ADEUS MÃE"

 

São as chagas de Cristo em cada palma,

Soluços que o meu peito não contém...

Flagelos mais de mil, aqui... além...

São lágrimas de fogo em noite calma!

 

São farrapos dispersos da minha alma,

Que parecem morrer com minha mãe...

Recordações, saudades, sei lá bem...

São como as roxas malhas de uma talma,

 

Quais sombras de mistério... vago fumo...

Folhas seguindo o vento, neste outono

Rolando pelo chão. Um fim de um sono

 

De quem velou por mim e me deu rumo!...

Chora-me o ser... por fim, grita-me a boca

Uns sons, que já não saem da voz rouca.

 

Gil Saraiva

 

 

 

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