Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Estro

Estro do meu ego guarda o que sou: poemas. contos, pensamentos, artes plásticas, fotografias, produtos do meu sentir.

Estro do meu ego guarda o que sou: poemas. contos, pensamentos, artes plásticas, fotografias, produtos do meu sentir.

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Batota - XXXIV

Batota.jpg

 XXXIV

 

“BATOTA”

 

É noite. Está um céu sombrio, escuro,

Nesta montanha verde, sem luar,

São trevas escondendo aquele solar

Que espreita por detrás de um grande muro.

 

É escuridão ocultando o futuro

Na recolhida terra, que invulgar

É desespero que me faz chorar

Porque o amor perdi, tão prematuro.

 

Eu choro, o tempo pelos dois vivido,

Em lágrimas noturnas, infernais,

Por ver, assim, o meu amor perdido,

 

Quem sabe… assim, talvez, p’ra nunca mais…

Isto de ser mulher não é derrota,

Derrotada serei, se houver batota.

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: O Meu Amor - XXXIII

O Meu Amor.jpeg

    XXXIII

 

“O MEU AMOR”

 

O desespero, que em minha alma mora,

Provém de já saber eu vou partir,

Provém do meu chorar por ir sair

P’ra longe desse amor que me devora.

 

A louca solidão em mim demora,

Fruto é de eu não mais te ir ver sorrir,

Provém, meu bem, de não poder fugir

A este amor que sinto a toda a hora.

 

Mas esta dor, que fere meu coração,

Provém de me dizeres que sou passado,

Mais uma de quem mal tu estás lembrado,

 

E mesmo assim te dou o meu perdão.

A solidão, o desespero e a dor

Jamais superarão o meu amor!

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: A Máquina - XXXII

A Máquina.jpg

    XXXII

 

"A MÁQUINA”

 

Na máquina, batendo ritmadas

As teclas, no papel, ali gravavam

Letras que, entre si, se conjugavam

Em frases nunca mesmo imaginadas.

 

Marcavam, escrevendo compassadas,

Articulando vidas que criavam,

Aos pares, esses amores que entrelaçavam

Correntes firmes, vivas, desejadas.

 

Máquina de escrever, velha tirana,

Este meu ser, por ele apaixonado,

Fica, por ti, ali, assim gravado

 

Como se de mim fosses soberana.

Não és computador, nem tens memória,

Para de registar a triste história!

 

Ariana telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Justiça Vã - XXXI

Justiça Vã.jpg

(Tribunal do Comércio, fresco do Palácio da Justiça, Porto, Mestre Isolino Vaz)

"JUSTIÇA VÃ"

 

História do direito português,

Direitos deste povo lusitano,

Saber como fugir a um engano

Ou como castigar outro que o fez.

 

Salvar a honra nobre de um Marquês,

Legalizar os horror’s de um tirano,

Limpar milhar’s de mortes com um pano

Bandeira Nacional da invalidez.

 

E legislar somente o que dá jeito,

Matar a juventude num quartel,

Pois assim manda um xis ministro “eleito”,

 

Por ter tido má noite no bordel.

É este, ainda hoje, o tal direito?

Justiça vã, palavras de papel!

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: A Discoteca - XXX

A Discoteca.jpg

       XXX

 

"A DISCOTECA"

 

Ali, a música enche-me os ouvidos,

Esta bebida sobe-me à cabeça

E as lâmpadas piscando tão depressa,

Por entre sombras, cores e ruídos,

 

Acabam confundindo os meus sentidos

Na escuridão que vai e que regressa.

Era assim, já faz tempo, qual promessa,

Entre suspiros, gritos e gemidos,

 

Parte do divertir, das alegrias,

Desse meu tempo antigo de selvagem,

Do meu mulher-menina de passagem

 

Para a mulher adulta… sem fobias.

A discoteca está, hoje, fechada

Como eu, p’la pandemia, confinada.

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Luares - XXIX

Luares.jpg

  XXIX

 

"LUARES"

 

Foi-se na escura noite a Lua ausente

E oculta se tornou a Lua Nova,

Mas não tardou que, sendo posta à prova,

Nascesse, enfim... um já Quarto Crescente...

 

E veio a Lua Cheia, envolvente,

Mostrar em toda a luz que, numa trova,

Pode fazer brilhar canal ou cova,

Por mais funda, sinistra ou deprimente

 

Que, à partida, essa mesma se adiante...

Mas. e porque o auge vai, tal como veio,

Já mirrando, chorou Quarto Minguante

 

Pois que a Lua é como um materno seio,

Pelos séculos, berço de milhares

Que, à força de viver, sonham luares...

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Prato Teu - XXVIII

Prato Teu.jpg

  XXVIII

 

"PRATO TEU"

 

Olhas p’ra mim com ar de quem tem fome

De vida, de existir, de gozo enfim…

Olhas, com louca garra, um frenesim,

Como quem um repasto doce come.

 

E mais ninguém existe que me tome

Por churrasco ou almoço de jardim,

Com essa ânsia de me comer, a mim,

Numa vontade imensa que não some

 

Numa repetição que não se farta,

Que não se cansa nunca de me ter,

De me chamar de sua e em mim viver

 

Nessa glória de quem jamais se aparta.

Não me importo eu de ser o prato teu

Se esse teu coração for todo meu!

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Gota de Água - XXVII

Gota de Água.jpg

      XXVII

 

"GOTA DE ÁGUA"

 

Amor que pela dor é mais amor.

Amor pela distância incendiado.

Amor louco, servil, escravizado!

A dor doce e ardente, qual licor

 

Me queimando os meus lábios de pudor,

Me dilatando o ventre delicado.

Amor que pela dor é meu reinado

Naquele homem, com garras de condor,

 

Que Apolo é, para mim, em meu poema!

Um homem sensual, voluptuoso...

Só ele é, a meus olhos, virtuoso,

 

Por ele nasce, em mim, a dor suprema!

Oh! Mas que importa a minha imensa mágoa,

Se é dor, que por amor, é gota de água.

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Gota a Gota - XXVI

Gota a Gota.jpg

      XXVI

 

"GOTA A GOTA"

 

E gota a gota... e pingo a pingo... chove,

Além... se molha a gente que caminha,

E embora sob um teto, aqui... sozinha,

A chuva que em mim cai não me comove…

 

Vem gota a gota... uma... duas... nove...

E mais... vem sempre mais... ribeirazinha,

Cair dentro de mim, espinha a espinha,

E picada a picada a dor me envolve...

 

E nesta tua ausência me assassino,

Nas cordas de uma música, em tortura,

Efetuada ao som de um violino,

 

Que Lucifer maneja com loucura!

Chovem em mim as farpas da saudade

E gota a gota perco a identidade...

 

Ariana Telles

 

 

 

Livro de Poesia - Díscolas de Runim Iaiá: Deus - XXV

Deus.jpg

 XXV

 

"DEUS"

 

Deus, eterna razão, razão perfeita,

O Criador do Mundo e do Ser Vivo,

Não tem nosso feitio intempestivo,

Nem cria obras de raiz suspeita!

 

Mecânico, a que a vida se sujeita,

O Seu próprio princípio é inventivo:

Agir pela justiça, haver motivo

P'ra crença, fé e um credo que se aceita.

 

Deus, que não tem princípio nem tem fim,

Que nos deu memória em prosa e verso,

Não pode permitir o fim do Hino

 

Da Obra Prima em mundo controverso:

"- Deus, Pai, Senhor Supremo, Paladino,

Ajuda-nos a sermos Universo!"

 

Ariana Telles

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Meus Blogs: Crónicas. Poesia, Humor, Beijos

Músicas que adoro

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D