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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: És Tu - XXXIII

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XXXIII

 

"ÉS TU"

 

Ah! Quem nos olhos trás a primavera...?

Quem no sorriso tem a branca neve...?

Quem dança como pena, ao vento, leve...?

Quem pode ser humana e ser tão fera...?

 

Quem faz parar o mundo quando espera...?

A quem este poema tudo deve...?

Por quem se torna a vida uma hora breve...?

P'ra quem nasceu tão meiga esta quimera...?

 

E quem tem a frescura de uma brisa?

Quem tem traços mais brandos que aguarela?

Quem faz ferver as águas do Tamisa?

 

É quem o alto Olimpo inveja ao vê-la...

Não se compara a Héstia ou Artemisa...

És tu... que brilhas mais do que uma estrela!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: Gaia. - XXXII

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XXXI

 

"GAIA"

 

Vila Nova de Gaia foi menina,

Vila e moça, gaiata sem idade,

À beira rio viveu a mocidade,

Esquecida p’los deuses, mas divina...

 

Vila Nova de Gaia, a feminina

Musa do Douro, altiva majestade,

O direito ganhou a ser cidade

Depois de tantos anos de traquina...

 

Noiva do Grande Porto, geradora

De quem passou a ponte da memória

Por ter nas mãos a garra criadora,

 

Esse dom de do nada fazer História:

São teus: Teixeira Lopes, Isolino,

Soares dos Reis... as artes, um destino...

 

 

 

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: Torre Universitária. - XXXI

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              XXXI

 

"TORRE UNIVERSITÁRIA"

 

Naquele austero monte de granito,

Símbolo da ciência nossa, lusitana,

Escava a negra chuva desumana

Rios de dor, murmúrios de infinito,

 

Na pedra, eternizada pelo mito

Do doutoral poder da raça humana;

E o corpo mineral, por dentro, inflama,

Mas sem que a negra rocha solte um grito...

 

E já o Sol desponta, em seu socorro,

Curando a dor da torre dolorida

E ainda a brisa acalma a sua mágoa,

 

Quando silva no espaço, em todo o morro,

O juvenil chegar na raça querida

Trazendo a tempestade... em copo de água!...

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: Fado. - XXX

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  XXX

 

"FADO"

 

Nesta cidade velha de estudantes,

Ouvindo hoje à noite a serenata

Na sé velha, velhinha, aristocrata,

Tudo parece, em redor, como dantes:

 

Mundo novo de livros e amantes,

Mas antigo no negro da gravata

E nas guitarras, p’la noite abstrata,

Tocando negros fados suplicantes...

 

E do negro das capas, das batinas,

Despertam encantados sentimentos

Nos corações perdidos das meninas.

 

Não tenho eu nessas capas meus talentos,

Mas declamo mais alto, apaixonado,

Meus versos para ti: supremo Fado...

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: Coimbra. - XXIX

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   XXIX

 

"COIMBRA"

 

São cabelos teus as ruas sombrias

Onde a pouco e pouco um viver constróis...

E esses olhos são mil luzes, faróis,

Iluminando mil filosofias...

 

E esses lábios teus são academias

Onde estudantes sonham ser heróis...

E o teu cantar é dos rouxinóis

Que no fado te cantam poesias...

 

E esses seios de sonho, são colinas,

Que abrigam à noite a vida do frio...

E do teu corpo brotam cristalinas

 

As fontes de água do Mondego rio...

E no teu ventre guardam-se as ruínas

De latinas paixões, de amor vadio...

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: Bastou... - XXVIII

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  XXVIII

 

"BASTOU"

 

Nos braços de mulheres, vezes sem conta,

Caí durante um tempo que não sei...

E nos seus ventres foi meu ceptro rei,

Vassalo, escravo, prémio e mesmo afronta...

 

E nos seus lábios minha boca pronta

Bebeu todo um amor que eu não provei...

E porque tudo tive... nada dei,

Apenas saciei-me em carne tonta...

 

Em braços, por mulheres, meu ego andou,

Vampírico animal por emoções...

Eu fui o outro lado do que sou

 

Somando caras, ventres, ereções...

Mas me perdeu, um dia, Lúcifer,

Bastou um só olhar, de ti, mulher!...

 

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: Doce - XXVII

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XXVII

 

"DOCE"

 

Existe uma palavra que hoje em dia

Não me deixa a cabeça, o pensamento,

E quando penso nela, no momento,

Sinto a tua presença e alegria…

 

Não sei se sofro de alguma fobia,

Se um vírus apanhei no ar, no vento,

E doença não é, pois, sofrimento

Não está associado à euforia…

 

Mas que há ligação, e que ela é estranha,

Não a posso negar, pois sinto, assim,

Uma impressão, um fogo, um frenesim,

 

Quando a mim chega, de onde quer que venha….

Existe uma palavra, quem a trouxe?

Só tu podes ter sido, que ela é: doce.

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: Sorriu - XXVI

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  XXVI

 

"SORRIU"

 

Riu! Sorriu para nós, o nosso amor,

Pela primeira vez na tenra vida.

Sorriu, ainda meio adormecida,

E logo a mão fugida ao cobertor

 

Se levantou, qual gesto sedutor

Cortando o ar, buscando (que atrevida...)

A forma, o movimento, a cor garrida

Ou apenas um colo protetor.

 

E pareceu querer falar, gritar ao mundo

Um ingénuo, mimado, "- Aqui estou!"

E no espaço restrito de um segundo

 

O quarto, todo ele, se iluminou...

Ficou mais quente, terno, mais macio

E tudo só porque a bebé sorriu!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: O Teu Natal - XXV

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       XXV

 

"O TEU NATAL"

 

Hoje é Natal, Natal na minha vida.

Tocam os sinos p’la minha alma fora...

E em cada canto do meu ser, agora,

Tudo vibra sem conta nem medida!...

 

É Natal! É Natal porque é nascida,

Do ventre desse Amor, a nova aurora,

Filha de nós os dois, pequena amora,

Fruto de louca noite, sem dormida...

 

Hoje é Natal! O teu Natal Diana!

E em lágrimas de riso choro amor...

Hoje é Natal, é vida feita flor...

 

Tem a minha alma nova soberana.

Temos os dois o bem mais desejado:

A Taça da Vitória, um El Dourado...

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Sintra-me: Doce Amor - XXIV

Doce Amor.jpg                                                                                                                                                                                                                                       Ribeira de Colares

      XLV

 

"DOCE AMOR"

 

Na lareira arde, em chamas, o azinho;

Na Serra, a bruma esconde a própria Lua;

Na Praia das Maçãs, a onda sua

Uns salpicos de Mar, que não de vinho...

 

Na ribeira, em Colares, mais um patinho

Mergulha atrás da uva e, já na rua,

Passa uma turista seminua

Que, por azar, não deu com o caminho...

 

Inveja a Várzea as árvores do serrado,

Enquanto alguns saloios a cultivam,

Para que os frutos cheguem ao mercado...

 

Nesta terra, onde Amor e História privam,

Artesanato e vinho, de mãos dadas,

Fazem do Amor as formas das queijadas!

 

Gil Saraiva

 

 

 

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