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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - Gota de Lágrima: Alguém - III

Gil 2013.jpg

    III

 

"ALGUÉM"

 

Vagabundo Dos Limbos...

Haragano, O Etéreo...

Senhor da Bruma...

Uma jangada de palavras

Que flutuam pela internet

Sem um rumo certo...

 

Sou

Aquilo que sempre fui:

Um sonhador!...

 

Sinto todas as lágrimas

Que choro em gotas de bits

E cascatas de bytes

Sem destino...

 

Sou

Um Vagabundo Dos Limbos...

Sou

O Haragano, o Etéreo...

Porque sou o Senhor da Bruma!

 

Que mais posso almejar

Do reino das palavras?

Quero a verdade!

E isso é muito?

 

Rindo de mim mesmo

Vou ficando...

Quem fala verdade

A um haragano?

 

Quem, na jangada,

Tem rumo, destino?

 

Para que eu possa amar,

Mulher, só quero uma...

Quem se poderá fundir

Ao Senhor da Bruma?

Haverá quem?

Ah!...

Tem de haver alguém!...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia: Achas de um Vagabundo - Os Azares de um Homem de Sorte

Os Azares de um Homem de Sorte.jpg

"OS AZARES DE UM HOMEM DE SORTE"

 

Sou um homem de sorte!

Perguntam-me porquê?

Coisa mais simples:

Tenho a sorte de ser feliz,

Alegre,

Um otimista, enfim...

 

Mas e a Vida corre bem?

Ah... a Vida...

Essa ingrata criatura,

Sem forma ou rosto,

Nem sempre corre

Quanto mais bem...

 

Se é pra subir,

Subir na Vida,

Quase gatinha

A pobre atrapalhada.

Mas a descer é mestre,

Dá cartas,

Tem os recordes todos

E as medalhas...

Parece andar a jato,

É campeã!

 

Nos momentos sem altos

E sem baixos

Marca passo,

Conta um por um,

Como se cada passo

Fosse ouro

Que há que guardar para sempre,

Qual tesouro!...

 

É prima dos Azares a minha Vida,

Com eles convive sem pudor,

Dão-se tão bem,

No dia-a-dia,

Que chego a pensar

Se não seria melhor

Que casassem por amor!...

 

Se casa, carro, mulher,

Perco de uma vez apenas,

Diz-me a Vida que é banal...

Um azar nunca vem só!...

 

E se um outro azar houver

É normal,

É natural:

Seja a falência da firma,

Seja o que Deus quiser...

Um azar nunca vem só!

 

Mas sou um homem de sorte!

Estou vivo,

Choro e coro

Com todas as minhas forças...

E nem a madrasta Morte

Me bate à porta, faz tempo...

Para rir

Basta um sorriso

De quem me quer

Como sou...

 

Ah! Sim...

Eu sou um homem de sorte...

Tudo o resto são más línguas;

Coisas

Que o vento levou...

 

E se a tal,

A minha Vida,

Comigo quiser viver,

A sorrir

Tem que aprender,

Que eu tenho mais que fazer

Que aturar os primos dela,

Esses Azares

Sem gosto,

Viciados no desgosto...

 

Sorriam, estou bem disposto,

Pois sou um homem de sorte,

Para quem sempre é Natal

Ou Páscoa ou Carnaval...

Sou um ser dos alegres

Que sorri até para o não!...

 

Os Azares de um homem de sorte

Valem pouco, nada são!...

 

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia: Achas de um Vagabundo - Toca-me

Toca-me.jpg

"TOCA-ME"

 

Quando aquela mão

Se estende decidida e sensual,

Num caminho seguro,

Até tocar suave

Um membro adormecido,

Despertamos nós...

 

Desperta o príncipe

Com coaxares de sapo,

Porque a magia

Se fez vida

E gozo último...

 

Quantos de nós, homens,

Antropófagos do sentir,

Não atingimos o céu

Antes do tempo

E tudo por um toque apenas?

Ahhhhhh...

Isto é vida!

 

Nada se compara

Ao arrepio da derme

Perante um deslizar

De dedos ao acaso.

 

Nada é mais intenso

Do que sentirmos a mão,

A nossa mão,

Navegar serena,

Pela derme de outro alguém,

Procurando o calor ameno

De um Trópico de Câncer

Ou Capricórnio...

Pra mergulhar ardente

Num vulcão de amor

E nos fazer arder

Sem febre alguma

Que não aquela

A que chamamos de paixão...

 

Partir do que é geral

Para o mais específico,

Íntimo, privado e particular...

Sentir a preocupação das formas,

Das cores, do brilho,

Do estado hipnótico de um toque,

Em impressões táteis

De impensáveis sensações

De loucura frenética e absoluta...

 

Depois...

Procurar uma ordenação tátil

Dos elementos do percurso

E projetá-los em cenas

De luxúria conseguida e integral...

Por fim...

Gritar em êxtase:

 

Toca-me, de novo, meu amor!!!

 

A Mulher,

Mais do que ser humano,

É arte viva,

Sente

Como nenhum outro espécime

À face do planeta...

E faz sentir...

Chegamos ao infinito

Num só toque...

E de lá voltamos para podermos,

Também nós,

Tocar e atingir assim

O despertar de uma aurora

Que nasce pura de êxtase

E plena de prazer!...

 

A Mulher

Faz uivar bem lá no fundo

Aquele ser esquecido,

De ser gente,

De ter vida,

De ter voz...

E provoca do íntimo

A alma ansiosa de sentir,

Perdida de sentido,

De momento,

Já faz muito e muito tempo,

Para gritar, por fim,

Em pleno êxtase:

 

Toca-me, de novo, meu amor!!!

 

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia: O Próximo Homem II - O Próximo Homem

Homem.jpg

"O PRÓXIMO HOMEM"

 

Há sempre um Próximo Homem

Para onde quer que seja...

 

Do: soldado ao comandante,

Marinheiro ao almirante,

Varredor ao vereador,

Segurança ao diretor,

 

Há sempre...

Desde o sacristão ao Papa,

Do lixeiro ao presidente,

Em qualquer ponto

De um mapa,

Do ausente ao residente,

 

Há sempre...

Um Próximo Homem

Para onde quer que seja:

 

Porque o mundo continua

E nada pode parar,

Desde o tráfego da rua,

Às rotas do céu e mar...

Tudo tem alternativa,

Pra tudo ter solução,

Pois em qualquer narrativa,

Desde a Bíblia ao Corão,

 

Há sempre um Próximo Homem

Para onde quer que seja...

 

Mas nestas democracias,

Deste Mundo Ocidental,

Por entre burocracias

E fundos do capital,

Pesa o voto de quem vota,

Não sem a legal batota

Da promessa original

 

Porque:

Há sempre, um Próximo Homem

Para onde quer que seja...

 

Seja homem ou mulher

Será o que convier...

Mas sempre haverá um próximo,

Um alguém, um outro ser,

Que virá depois do outro e do outro que vier...

 

Se eu for o Próximo Homem

De um outro que hoje saiu,

Haverá um outro então,

Que ainda não se previu,

Que depois de mim virá

E não sei o que fará, porque:

 

Há sempre... um Próximo Homem

Para onde quer que seja...

 

E havendo... que viva o Próximo Homem ...

Porque o outro já não está...

O dilema surgirá só quando

O Próximo Homem

Não tiver um outro alguém

Para o Próximo ser também...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - O Próximo Homem II: Hino à Mulher

Hino à Mulher.jpg

I

 

"HINO À MULHER"

 

No mundo existe um ser, quase irreal,

Ao qual foi dado o nome de Mulher...

 

E é tão bonito ouvir dizer Mulher...

 

Mulher

Ou o berço mais perfeito,

Mais subtil,

A fonte de toda a Humanidade,

Aquela luz que brilha

Dia e noite

A todos quantos lhe chamaram

Mãe!

 

E é tão bonito ouvir dizer Mulher...

Mulher,

Nogueira que os anos reduziram

A mobília de luxo, estilizada,

De porte antigo,

Austero e imortal;

Ou em mesa de sala,

Gasta, enegrecida,

Onde outras gerações contam segredos

Aos nós ou aos ouvidos da

Avó...

 

E é tão bonito ouvir dizer Mulher...

 

Mulher

Ou vida que cresceu e que floriu

Sob o olhar da águia e do falcão;

Até que ganhou asas... liberdade;

Até olhar pra trás e num sorriso

Dizer que já foi nossa a nossa

Filha!

 

E é tão bonito ouvir dizer Mulher...

 

Mulher

Ou alma ou coração; tão terno... tão piedoso...

O cofre-forte, o banco da saudade,

A gema cristalina em mais pureza,

O símbolo mais casto da justiça,

O sinónimo exato para um

Anjo!

 

E é tão bonito ouvir dizer Mulher...

 

Mulher

Ou espada reluzente, tão certeira,

Tantas vezes fria que foi neve,

Mordaz, esperta, vingativa,

Uma artimanha feita de truques,

Trevas e tristezas, refletindo no espelho

Lucifer!

 

E é tão bonito ouvir dizer Mulher...

 

Mulher

Ou miragem de outros Tempos neste Tempo;

A gota de água que ao cair deleita

A terra que a recebe saciada;

A estrela mais notável porque bela,

O termo mais correto p’ra

Beleza...

 

E é tão bonito ouvir dizer Mulher...

 

Mulher,

Tambor, apocalipse de emoções,

Ritmo frenético dos homens, o gosto,

Aquele sabor a sal tão doce...

Os dias que nem têm uma hora

Pra quem olha pra ti e grita: "Amor";

Pra quem nasce pra ti e quem, um dia,

Já dentro do teu corpo diz

Mulher!

 

E tu

Simplesmente sorris,

Porque é bonito ouvir dizer

Mulher...

 

No mundo existe um ser quase irreal...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: Tu

Tu.jpg

 

"TU"

 

Tens nessa voz o timbre de outros hinos;

Tens nesse corpo a carne apetitosa;

Tens nessa pele a seda mais sedosa;

Tens belos os teus olhos cristalinos;

 

Tens brilho nos cabelos leves, finos;

Tens nos lábios o rosa de uma rosa;

Tens nos nervos a fibra corajosa;

Tens tu, no sangue, a raça dos latinos!...

 

Tens tudo o que te deu a natureza...

E nada mais de bom podia dar:

Carinho, inteligência, amor, beleza,

 

Dedicação e calma... mais: sonhar…

Mas te perdi. Teu ser já me não quer,

Como posso ser teu? Diz-me, mulher...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: Infinito

Infinito.jpg

"INFINITO"

 

Um astro brilha lá no firmamento;

Um ponto que me aponta o infinito;

Um cometa indicando um velho mito,

Formado há muito já no pensamento

 

Por não caber no nosso entendimento,

Como não coube no do antigo Egipto,

E, nem nessa Índia velha do sânscrito

Ou mesmo até no Novo Testamento...

 

Tantos sonhos pra lá da estratosfera;

Lendas de deuses, Deus, de Lúcifer;

Mat'rialismos, carne....... só mister!

 

Ah! Pobres humanos quem vos dera

Poder, como eu, viver qualquer quimera,

No infinito amor desta mulher!

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: Cansada...

Cansada.jpg

"CANSADA"

 

Cansada de viver ali sozinha,

Com tanta gente sempre à sua volta;

Mas se sentindo presa quando à solta

Nesse grito de raiva se continha...

 

Cansada de calar a ladainha,

Daqueles entre quem se sente envolta,

Ela implora o momento da revolta,

Que jamais chega e nunca se adivinha...

 

Tão cansada de mágoas, deceções,

Desgostos e tristezas: podridões...

Tão mortalmente farta, dolorida,

 

Ela que já foi bela, jovem, nova,

Tão descansada está em fria cova

Que não me lembro já se teve vida!...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera: II Estéril

Estéril.jpg

"ESTÉRIL"

 

Ali! Reparai nela, ó Salvador,

Ali, naquela casa, nesse canto,

Coberta daquele feio, negro manto,

Pertinho da lareira, num torpor...

 

Ali está ela... oh! Vede-a Senhor,

Tão jovem... tem na face o triste pranto

Escondendo-lhe a beleza e o encanto,

Descobrindo-lhe as rugas de temor!...

 

Essas marcas fatais de vil tormento,

De espera vã... de eterno sofrimento,

Num rosto por si só, superior arte.

 

Ó Senhor... do Divino Vosso Brilho,

Dai à pobre mulher ínfima parte,

Fazei com que o seu ventre gere um filho!

 

Gil Saraiva

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