Livro de Poesia - Trovador Binário - Refúgio - III
III
"REFÚGIO"
Tenho um refúgio, só meu, de mais ninguém,
Para onde eu vou, quando me sinto triste,
Quando me sinto em baixo,
Quando eu não me sinto eu…
Sim! Aqui, precisamente aqui,
Nestes lugares onde escrevo,
Onde descrevo os recantos da minha mente.
Aqui, onde não existe tempo,
Entre a caneta e o papel,
Entre o teclado e o monitor,
Entre mim e o que escrevo.
Aqui, onde o tempo não conta
Enquanto estou a sós com a minha alma,
Aqui onde e quando, como que por milagre,
Sou em mim o universo imenso.
Penso em ti… No que tu és, nas coisas que fazes,
No que te constitui, naquilo que representas para mim,
E a minha memória recorda-me
Os dias em que me chamavas amor,
Em que gritavas que me amavas,
Em que dizias ser parte de mim.
Mas, ah! Não! Não tenhas pena da situação,
De nós, nem do passado,
Pois tu sabes que não sou de ter pena
E que deploro os coitadinhos.
Não! Não terás de ficar triste amanhã
Pois eu sou um ser feliz.
Apenas o hoje conta.
O já e o agora.
Apenas eles importam realmente.
Neste refúgio da minha alma estou morto de saudades,
Já saíste de casa há tanto tempo, meu amor, há mais de cinco minutos…
Afinal, diz-me querida… quanto tempo demoras na cabeleireira?
Gil Saraiva