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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia: Portaló - Parte I - Paisagens - VIII -Morro de S. Paulo

Morro de São Paulo.JPG

 

                  VIII

 

“MORRO DE S. PAULO”

 

Ao olhar

Ressalta já o Morro de S. Paulo;

Ao recordar

Um morro de reis, de glórias

E de escravos;

Morro de histórias,

Fantasmas e de bravos;

Morro de saudade,

No tempo perdido,

Onde um minuto vale a eternidade,

Onde cada segundo tem sentido…

 

Aqui, no Morro de S. Paulo,

Das águas feitas de cristal,

Se elevando

O sonho ganha corpo, rosto, forma,

É natural…

 

E o sorriso vai edificando,

Em cada instante,

Uma outra plataforma,

Feita de natureza cativante

Como que esculpindo nova Atenas…

 

Mais do que bonito

O Morro de S. Paulo

É belo apenas!

 

Aqui,

De mãos dadas, passeamos

O nosso amor

E ele sorri, enquanto andamos,

Ao Sol e ao calor,

Por entre as lojas

Como que para nós engalanadas,

Por entre ruas estreitas,

Calcetadas,

Onde se vendem,

Quase às toneladas,

Recordações,

Que um dia,

Empoeiradas,

Nos despertam a saudade,

A nostalgia,

Dos olhares trocados naquele morro.

Objetos, símbolos, na verdade,

Do amor vivido, da alegria,

De quem dentro de ti

Não quis socorro…

 

No Morro de S. Paulo fui feliz,

Fomos amor rubro,

Intenso, enlouquecido…

Que ali se cimentou, criou raiz,

Que jamais por nós será esquecido…

 

Gil Saraiva

 

* Parte I - Paisagens ou o Sortilégio da Paixão

Livro de Poesia: Portaló - Parte I - Paisagens - VI - O Corcel

Corcel.jpg

 

       VI

 

“O CORCEL”

 

Nas bermas tornadas aquedutos

Onde as águas

Escorrem cristalinas,

Chapinhavam crianças

Bem latinas,

Em brincadeiras mil e diabruras…

 

O táxi não para

E vai seguindo,

Rumo ao destino, nas vias seguras,

E no banco detrás

Nós esgrimindo

Damos

beijos de boca

Em almas puras…

 

A natureza

Parece estar sorrindo,

Banhada de alegria,

Ao Sol fugindo,

Qual corcel que,

Por ravina,

Ao vento correndo

Dá à crina…

 

Gil Saraiva

 

* Parte I - Paisagens ou o Sortilégio da Paixão

 

 

 

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: O Julgamento

O Julgamento.jpg

"O JULGAMENTO"

 

Juntem-se as águas já sob esses céus,

E a Morte tape a fria face crua,

Que o Sol se esconda por detrás da Lua,

Que lá no alto Olimpo trema Zeus...

 

No julgamento já nem falta um deus;

O cansado Mercúrio apenas sua;

Vénus observa feminina e nua

E agora se aproximam os dois réus...

 

O Amor vai ser julgado, e por Dante,

Que no inferno tem associados,

Eu, se este tribunal tem o desplante

 

De condenar os dois apaixonados,

Peço a Cristo que logo, nesse instante,

P’la morte acabe então com tais jurados!

 

Gil Saraiva

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