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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - A Exoração do Postremo: Apenas Por Te Amar - IV

Apenas Por Te Amar.jpg

                 IV

 

"APENAS POR TE AMAR"

 

Por mais bela

Que seja uma paisagem,

Por mais perfeito

Que se encontre o equilíbrio natural,

Por mais insana

Que nos pareça uma miragem,

Por mais suave

Que possa ser a mão humana,

Numa festa meiga ou sentimental,

Por mais louvado

Que seja o romantismo

De um galante cavaleiro sem pretensiosismo,

 

Por mais, ás vezes vagamente,

Que me lembre, algures na minha mente,

Do espaço vazio desta cadeira,

Descubro que a causa é verdadeira,

Tem a ver com a alma, o sentimento,

O coração que bate,

Em contratempo, no momento

Em que te sabe ausente

Porque tu, meu amor, não estás presente.

E por desejo, por amor, pelo que seja,

Quero te sentir perto, como enseja

Todo o meu ser, que grita viciado

Do teu olhar, do teu ser,

De cometer em ti mais um pecado.

 

Ganha a saudade, contornes de impossível,

A ansiedade cresce e é visível,

A tua ausência torna-se certeira,

A dor no estomago ascende sem motivo,

Porque existir sem ti, desta maneira,

Me tira a razão pela qual vivo:

Amar-te, meu amor e me salvar,

Porque te quero, apenas por te amar!

 

Gil Saraiva

 

 

 

 

Livro de Poesia - Paradigmas do Meu Ego: II - Exige

Exige.jpg

   XII

 

"EXIGE"

 

Tu existes num mundo longínquo,

Distante do olhar,

Do toque,

Do sentir...

 

Teus sonhos são meras ilusões,

Ondas lançadas

Num Atlântico sem fim,

Cuja espuma se desfaz

Nas areias vãs

Deste velho continente...

 

Amar,

Porém,

Exige a atracão

Entre dois polos

De idêntico sinal,

Contrariando as leis da física...

 

Amar

Exige o sorriso do vento

Em nossa pele,

A fusão do pensar

E do sentir,

O acender da lágrima

Em chamas de milagre

Quando a própria chama

Se extinguiu...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia: Portaló - Parte II - Portaló - II - O Refúgio

O Refúgio.JPG

         II

 

“O REFÚGIO”

 

Venham visitar o refúgio

Dos poetas, criadores,

Dos amantes, pensadores,

Sem subterfúgio

Entrar com amor,

Vir sentir a paz

E a harmonia,

Num descanso tão consolador

Seja no pôr-do-sol

Ou no raiar do dia…

 

É aqui que escrevo

Eu estas linhas,

É aqui que estou

Eu deslumbrado,

Tentando colocar nas entrelinhas

O quanto aqui me sinto

Apaixonado…

O Portaló tem um manto de magia,

Algo me faz sentir

Enfeitiçado,

Como se num cerne de alegria

Fosse possível tocar

A nostalgia,

Sem ficar triste ou angustiado.

 

Beijar a saudade

Que já sinto deste lugar

Onde a realidade

É lagrima de mar

Em felicidade.

 

Aqui, neste refúgio, não estou só,

Aqui me sinto amado

E desejado,

Aqui, neste hotel de Portaló,

Nem penso no futuro,

Esqueço o passado,

Me sinto tão seguro

E só penso em pecado.

 

Anda amor, vem, vamos amar,

Dançar o dentro e fora,

Com loucura,

Adoro ouvir-te em êxtase gritar:

“- No refúgio, amor, mete mais.

Ah! Está tão dura.”

 

Gil Saraiva

 

* Parte I I - Portaló ou o Sortilégio do Paraíso

 

Livro de Poesia: Portaló - Parte I - Paisagens - IV - Bênção de Orixá

Benção de Orixá.JPG

               IV

“BENÇÃO DE ORIXÁ”

 

Lá do alto, mirando,

Vimos o oceano,

Pelas ondas,

Nos cumprimentando,

Com luvas de espuma alva,

Qual polidez gentil de anfitrião…

E nós agradecemos,

Acenando,

Felizes pela doce receção.

 

As nuvens se agitaram de alegria,

Fazendo chuva morna,

Em cortesia…

Em torrentes de água cristalina,

Lavando o solo e a paisagem,

Que o Sol secou,

Como rotina,

Em raios de ouro e areia,

Das praias, das dunas,

Dos caminhos,

Qual convite ao namoro

Em Lua Cheia,

Que entre nós chegará

Com mil carinhos….

Porque é bonito amar sem oxalá

Qual bênção divina de orixá.

 

Gil Saraiva

 

* Parte I - Paisagens ou o Sortilégio da Paixão

Livro de Poesia: Achas de um Vagabundo - Aqui

Aqui.jpg

"AQUI..."

 

Aqui,

Onde a palavra mais se afirma

Como produto social,

A faculdade última

De comunicarmos

Por meio de sinais

Que todos entendemos,

Porque são próprios

Desta comunidade

Que constituímos...

 

Aqui,

Onde a fala

Se traduz na escrita

Como um ato de utilização

De uma linguagem,

E porque não,

Como a concretização

Do potencial da língua

Passada à palavra...

 

Aqui,

Falamos...

Escrevemos...

Sentimentos em sinais,

Próprios do grupo

Que constituímos...

 

Aqui

Traduzimos estados da alma

Em discursos originais,

Vivos e criativos,

Através de combinações livres

Do que somos, sentimos,

Queremos, desejamos

E em última análise

Sonhamos...

 

Aqui...

Somos,

Nas palavras,

Verdadeiras metáforas

Do que queremos ser...

Configurações tacitamente

Assumidas pela líbido...

 

Aqui...

Inventamos verdades inequívocas

Provocadas pelo efeito do écran,

Como se da nossa própria visão

Se tratasse...

E nos lugares comuns

Desta linguagem

Afirmamos o grito

Da nossa solidão...

 

Aqui

Queremos existir

Em felicidade!...

Pura,

Simples,

Essencial...

 

Aqui

Conseguimos entender

E produzir

Um número infinito de frases

Que nunca antes lemos,

Ouvimos ou pronunciamos...

E porquê?

Porque estamos integrados!...

 

Aqui...

Somos parte de um todo

Que funciona sem conhecimento

De todas as partes,

Aparentemente anárquico,

Mas obviamente

Interligado a esquemas

Que apenas o nosso subconsciente

Consegue interpretar...

Enfim...

 

Aqui...

Somos os filhos

De uma mesma alcateia

E ao uivarmos,

Não estamos apenas a venerar a Lua

Que se encontra cheia...

Mas a dizer também aqui

Que queremos amar!...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia: Achas de um Vagabundo - Haragano, o Etéreo

Haragano.jpg

"Haragano, O Etéreo, um Senhor da Bruma"

 (A HISTÓRIA...)

 

Ao princípio

Senti-me como que um desaparecido...

 

Não em combate,

Como certos militares em terra estranha...

 

Não no triângulo das Bermudas,

Como reza a história de muitos navios

Perdidos na Bruma...

 

Não em pleno ar,

Como se fosse um avião

Engolido pela própria atmosfera

Algures entre nuvem e bruma...

 

Não! Nada disso! Desaparecido de mim...

Sem identidade... Sem existência...

Sem referências... Sem sentido de viver...

Sem imagens claras, perdido na bruma...

 

Imagine-se a montanha!

Grande! Monstruosamente grande!

Gigante mesmo

Elevando-se na planície!

 

Isso fui eu,

O eu Narciso antes da primeira queda,

Antes do começo das erosões...

Seguidas, repetidamente insistentes,

Continuadas no tempo e na vida...

 

Isso fui eu,

Antes dos abalos, dos sismos,

Dos terramotos sem fim

Num mundo feito de sobrevivência

Mais que de essência!

Isso fui eu, antes da bruma...

 

E a montanha foi perdendo forma,

Volume, dimensão...

Até se confundir na planície amorfa

Da multidão sem rosto,

Sem esperança,

Sem dignidade

E sem amor próprio...

 

Aparentemente,

Eu tinha desaparecido,

Sem que um vestígio de sobrevivência

Servisse de pista

Para uma busca por mim mesmo...

 

Imagine-se um desastre

Num qualquer ponto isolado do globo,

Onde um hipotético sortudo

Salvo da morte pelo acaso,

Irremediavelmente ferido,

Acabasse por ficar

Virtualmente irreconhecível

Perante a exposição ao tempo

E às depredações dos animais

E da própria natureza...

 

Isso era eu!

Perdido de mim e dos meus...

Desaparecido do mapa

Dos humanos com voz própria!

 

Ao princípio

Foi assim que me senti.

 

Depois, dei conta que vagueava

Sem destino ou rota certa...

Algures entre nenhures,

Um ser disforme,

Parco de alma e existir...

 

Durante momentos que pareceram anos,

Durante anos que não tiveram momentos,

Apenas procurei, não sei o quê...

Não sei porquê...

E não sei como...

 

Quando finalmente dei por mim,

Não passava de um vagabundo,

Perdido de si em busca do ser...

 

Era como se os locais,

Por onde a minha sombra

Me garantia a existência,

Fossem nuvens sem forma,

Estradas sem referências,

Caminhos sem lei...

Brumas sem paisagens...

 

Apenas limbos...

Apenas Éter...

Apenas Bruma...

 

Às vezes sentia

Que estava numa grande teia,

Cheia de predadores,

Plena de vítimas,

Ávida de sentidos e sentimentos...

 

Uma teia universal que me envolvia

Como uma rede escura e semieléctrica...

 

Descobri, aos poucos,

Que tinha sido absorvido pela internet

E que me tornara

Num Vagabundo Dos Limbos,

Em Haragano, O Etéreo,

No Senhor da Bruma,

Numa Lenda Urbana

De quem nunca ninguém ouviu falar,

Num Senhor dos Tempos

Sem tempo para si mesmo...

 

Um Sir, à inglesa, polido na forma,

Vazio no íntimo de si próprio,

Repleto de vontade e de reconstrução...

 

Um Vagabundo Dos Limbos,

Haragano, O Etéreo,

Senhor da Bruma,

Em busca da identidade esquecida

Num passado sem memória...

 

Até que renasci,

Gritando aos cinco ventos

A minha alvorada...

Vento de ser,

Vento de existir,

Vento de viver,

Vento de sentir,

Vento de amar...

 

De novo era gente,

Uma criatura nova,

Não na idade que essa

Não deixa Cronos em cuidados,

Mas na vida.

 

Eu era...

Eu sou, esse Sir,

O Vagabundo Dos Limbos...

Haragano, O Etéreo...

Senhor da Bruma...

Pela rede universal transmitindo

A história de uma alma

Que aos poucos fui reconstruindo,

Sem vaidade, sem orgulho,

Sem a certeza sequer de ser ouvido...

 

Porém... com a esperança

De que ao falar globalmente

Para este universo imenso,

Possa um dia agir localmente

Na alma de um ser que como eu

Se sinta desaparecido a dada altura...

 

Assino, como me conhecem:

Sir, Vagabundo Dos Limbos,

Haragano, O Etéreo...

Senhor da Bruma...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia:- Paradigmas do Meu Ego: Caçadora de Sonhos

Caçadora de Sonhos.jpg

"CAÇADORA DE SONHOS"

 

Caçadora de sonhos

E tão sem saudade...

 

Armada de vida,

Carente de presas,

Eu... pela cidade

Procuro a saída

Encontro defesas

Na alma do mundo:

 

Ninguém se quer dar;

Ninguém sabe amar;

Ninguém quer, no fundo,

Saber encontrar

A paz, no profundo

Calor de um segundo...

 

Caçadora de sonhos

E tão sem saudade...

 

Eu vejo no dia,

Na noite bravia,

No caminho, na rua,

Entre gente, mais gente,

Vestindo essa moda

(Qual festa tardia

Ao néon da Lua),

A gente que mente

E em bares se acomoda...

 

E ali, nessa esquina,

Eu vejo no dia,

Na noite bravia,

Se vendendo toda,

Uma pobre menina

Que diz a quem passa:

"- Mil paus... tô na moda..."

 

No meio da praça,

Se vendendo toda

Joana sem caça,

Carente de presas,

Faz contas à vida:

"- Nem dá prás despesas...

Que porra de vida!..."

 

E gente infeliz,

Com hora marcada,

Passa e lhe diz:

"- Dou cem e mais nada..."

 

Caçadora de sonhos...

E tão sem saudade...

 

Eu já vejo agora

O riso da erva

Nos pés dessa serva,

Que vende por hora

O corpo... estragado...

De tão ser usado.

 

Caçadora de sonhos

E tão sem saudade...

 

Buscando, perdida,

A velha igualdade

Do mundo, da vida...

 

Buscando ilusões,

Conceitos, ideias,

Credos e orações,

Entre cefaleias...

 

Caçadora de sonhos

E tão sem saudade...

 

É assim: no leve sorriso

Dessa erva daninha;

No cato que cresce

Formando uma espinha;

Na espinha que pica

Aquela andorinha

(Coitada, infeliz,

Que sangue já chora),

 

Caçadora de sonhos

E tão sem saudade...

 

E choro de mágoa

O gozo sinistro

De certa gentinha,

Com cara de quisto

Pejado de tinha;

E a cara alegre

De um velho ministro

Que julga esconder

O que já foi visto...

 

Choro... choro e volto a chorar...

Mas... riem as luzes p’la cidade fora...

 

Riem de mim na noite vizinha;

Riem... riem como quem ri

De uma adivinha prá qual a solução

Não se avizinha...

 

Riem... riem enquanto meu ser

De novo chora,

Chora como ontem,

Como hoje e agora:

 

Chora as meninas

No meio da praça

Se vendendo todas

Ao primeiro que passa...

 

Caçadora de sonhos

E tão sem saudade...

 

Como posso caçar

Sonhos no mundo?

 

Como posso amar

Mais que um segundo?

 

Não tenho saudades

Da terra maldita,

Onde o direito

Não passa de fita...

Minha alma:

 

Caçadora de sonhos

É tão sem saudade...

 

Gil Saraiva

 

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: Balança

Balança.jpg

"BALANÇA"

 

A vida, que se vive sem viver,

É o peso da morte na balança,

Que pende para o lado do sofrer

No prato negro da insegurança...

 

A vida, que se vive sem haver

Dentro dela uma mínima esperança,

É combate onde sem se combater

Se abandona o direito de mudança...

 

E se, na vida, eu não poder amar,

Sujeito-me ao consolo de chorar,

Pois que a vida, sem ti, é gargalhada...

 

É um eco cretino em minha mente...

Uma dentada dada por serpente

Nesta minha existência envenenada!...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Brumas da Memória: "Sou"

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“SOU”

 

Eu sou uma parte do que escrevo,

E escrevo para saber aquilo que sou,

 

Sou ego, animal, humano, trevo,

Sou tudo o que fui, o que amou,

Riu, sentiu, viveu e teve medo,

Esperança, fé; eu sou quem já chorou;

E continuo a achar que ainda é cedo,

Para ser muito mais daquilo que sou!

 

Gil Saraiva

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