Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - Melopeias Róridas Entre Armila e Umbra: A Aurora - VI

A Aurora.jpg          VI

 

“A AURORA”

 

O crepúsculo anunciou o chegar da noite.

Vem cedo a escuridão neste fim de outono.

O Natal está à porta e traz o Inverno,

O frio vem com ele e já tem mais força.

A pandemia alastra pela multidão.

O ano chega ao fim sem ninguém notar.

Por todo o lado há lojas recheadas

De fazer inveja a quem não tem como comprar.

 

A noite, no hemisfério norte, é longa, gélida e agreste.

Falta-lhe a vida que, de dia, põe as gentes a circular.

Não guardam as luzes os perdidos, que não têm onde pernoitar.

Há quem lhes chame sem-abrigos, eu prefiro dizer: sem amor!

 

A noite avança firme, sempre assim tão fria,

Tem horas e horas para se fazer notar.

E nas casas dos ricos há calor e lar,

Porque nas outras existem os cobertores,

Curandeiros do frio, uns altivos senhores.

Nada que gere a queda da Bolsa, pela manhã

Que há de chegar com o regresso da aurora.

Mas isso são contas do rosário de amanhã.

 

Por fim, a aurora desperta as gotas de orvalho,

Sente-se a claridade a chegar da neblina,

Vem feliz, trazendo a luz solar, vem traquina,

Que as luzes de Natal só se aquecem a si.

Desperta o sem-abrigo antes da cidade,

Tem de sair dali para não ficar a mais,

Guarda os cobertores de cartão, sem mocidade,

Que deles precisará de novo ao fim da tarde.

 

A aurora despertou o dia

E com ela a manhã sorriu

No riso muito chilreado

Da passarada agora acordada.

Louva-se o Natal nas igrejas,

Nos cafés surge a gargalhada

De gente que come apressada,

Porque o dia é para trabalhar!


A névoa sobe e vira suave e fria chuva,

Nuvens iluminadas pela madrugada,

Aquece a relva, gera-se ali a fotossíntese,

Que o Sol, já alto, protege, acolhe e ilumina.

Reabrem as escolas em vésperas de férias,

Sorri maroto um garoto a uma menina

Tudo sorri também por criação divina,

É tempo de paz. Quem lembra os refugiados?

 

A aurora traz a nu, a crua realidade,

E pouco muda para o lado dos coitados.

Mas é tão linda, no outono, a minha cidade!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - O Donaire do Proterótipo Ordinário: Um Dia Sem Aurora a Despertar - XIV

Fundo.jpg(A minha homenagem a uma SENHORA deste bairro que adoro, condolências à família, principalmente à D.ª Teresa)                     

                   XIV

 

"UM DIA SEM AURORA A DESPERTAR”

 

Senti o frio,

Ontem, com a noite a chegar.

O crepúsculo escondia um arrepio,

Que eu não consegui interpretar.

Conjugava-se a trama

Sem que o bairro soubesse,

E algures, numa cama,

A velha senhora, não porque quisesse,

Fechava os olhos para não mais

Os tornar a abrir.

Fechava-se um sorrir

Para voltar jamais…

 

E em Campo de Ourique,

Se olvidou a ceia,

Esqueceu-se o chique

Esta nova ideia de ser bairro fino,

Porque aqui, na aldeia,

Se cantou o hino

No partir de Aurora.

 

Na banca da fruta esta lutadora

Não voltará de novo ao mercado

De Campo de Ourique.

Partiu para outro lado,

Pedem-lhe que fique,

Mas esse destino não se vai mudar,

Parte porque parte para não voltar.

Vendia legumes, frutas, vegetais,

Já nem lembra o tempo os anos passados

A atender fregueses ricos ou banais,

A oferecer alegria

Em sacos pesados

Lá na frutaria.

 

Hoje, o dia chegou sem querer chegar,

Um dia sem Aurora a despertar…

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - O Donaire do Proterótipo Ordinário: Um Dia Sem Aurora a Despertar - XIV

Fundo.jpg(A minha homenagem a uma SENHORA deste bairro que adoro, condolências à família, principalmente à D.ª Teresa)                     

                     XIV

 

"UM DIA SEM AURORA A DESPERTAR”

 

Senti o frio,

Ontem, com a noite a chegar.

O crepúsculo escondia um arrepio,

Que eu não consegui interpretar.

Conjugava-se a trama

Sem que o bairro soubesse,

E algures, numa cama,

A velha senhora, não porque quisesse,

Fechava os olhos para não mais

Os tornar a abrir.

Fechava-se um sorrir

Para voltar jamais…

 

E em Campo de Ourique,

Se olvidou a ceia,

Esqueceu-se o chique

Esta nova ideia de ser bairro fino,

Porque aqui, na aldeia,

Se cantou o hino

No partir de Aurora.

 

Na banca da fruta esta lutadora

Não voltará de novo ao mercado

De Campo de Ourique.

Partiu para outro lado,

Pedem-lhe que fique,

Mas esse destino não se vai mudar,

Parte porque parte para não voltar.

Vendia legumes, frutas, vegetais,

Já nem lembra o tempo os anos passados

A atender fregueses ricos ou banais,

A oferecer alegria

Em sacos pesados

Lá na frutaria.

 

Hoje, o dia chegou sem querer chegar,

Um dia sem Aurora a despertar…

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Paradigmas do Meu Ego: Vem

Vem.jpg

"VEM"

 

Vem...

Extraterrestre que o céu

Ao Homem te entregou

Porque as fábulas não servem pra sonhar!

 

Vem...

Fantasma que a casa

Ao anoitecer expulsou

Porque as fábulas não são para assustar!

 

Vem...

Sereia que o mar

Um dia rejeitou

Porque as fábulas não sabem nadar!

 

Vem...

Lobisomem que a Lua

Uma noite abandonou

Porque as fábulas não vivem ao luar!

 

Vem...

Abominável Homem que a neve

Uma manhã desmascarou

Porque as fábulas não sabem hibernar!

 

Vem...

Vampiro que a noite

Ao nascer da aurora atraiçoou

Porque as fábulas não vivem a sangrar!

 

Vem...

Loch Ness que o lago

Da eterna neblina se acabou

Porque as fábulas também têm de acabar!

 

Vem...

Conto de fadas, mito, animação,

Mistério oculto no fundo mais profundo,

Bruxedo, animal, pré-histórico, ladrão,

Mágico, mago, astronauta em novo mundo...

 

Vem...

Venham... bruxa, fada, feiticeira, anjo,

E porque não um pouco de diabo,

Adamastor nas dobras de outro cabo!

 

Vem...

E sejas conto, fábula, ou página de história,

Ou auto da derrota ou da vitória,

Mito, religião, Bíblia, mentira,

Credo, cruzes e um pouco mais de fé...

 

Vem...

Venham encher com tudo isto esta minha alma

Que ficou cega, vazia, nua,

Abandonada...

E quer poder sonhar

E ser amada

Mesmo que o preço seja não ser nada!

 

Vem...

Porque as fábulas não servem pra sonhar!

Porque as fábulas também têm de acabar!

 

Gil Saraiva

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub