Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - Ântumos Implexos dos Airados: Loucura de Mulher - XVII (Último)

Loucura de Mulher.jpg                     XVII

 

“LOUCURA DE MULHER”

 

Pelos cabelos,

De um maduro trigo,

Um rosto nasce simples, divinal.

E perco-me na obra,

Sem igual,

Por apanhar um sorriso doce,

Singelo, diria mesmo amigo,

Rindo como quem ri para consigo,

Nessa boca de beijos, sensual.

 

Erguem-se uns seios hirtos, naturais.

Move-se o tronco

Sem notar o perigo

Que um ser-se assim

Provoca noutro ser que o observe,

Mesmo que de passagem

E que fique assim retido na paisagem.

 

O caminhar faz os homens volver,

Olhar para trás

Para confirmar,

Como quem viu

E não quer crer,

Como quem pensa

Que está a imaginar.

 

Ancas perfeitas,

Ventre de morrer,

Mulher de sonho assim é,

Por ventura,

O sonho de um homem,

Na loucura!

 

Podes ser tu essa mulher,

Não precisas de ser um ser perfeito.

Podes ser magra, gorda, linda ou vulgar

Que o que importa mesmo é como o meu olhar

Te vê na loucura do que sou e do que sinto!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia: Portaló (Memórias da Bahia) - Introdução e Dedicatória

Portaló.JPG

Introdução

Portaló, Memórias da Bahia, é um livro de poesia dedicado à descoberta de um amor adulto, sério, intenso, com travos de sensibilidade e sensualidade que se degusta no ato e se sente nas fragrâncias da volúpia que nos invade o olfato e que se descobre nas impressões táteis do cruzar das dermes. Um amor cálido, como a própria Bahia, quer na exploração improvisada das mãos, que comandam dedos, como se de batedores se tratassem, na demanda das sensações primitivas, encobertas pela suave e macia apresentação contemporânea da moda, acetinada por cremes, loções e elixires perfumados de exotismo, urbanidade, beleza e transcendência.

Um amor selvagem, influenciado pela mata atlântica de uma Bahia perdida nos costumes genuínos, quantos deles ainda com fôlegos tribais de ancestralidade inata e natural que, quase sem aviso, nos invade em sons perturbados de animais, que desconhecemos, na penumbra ou através dos nossos próprios gemidos, durante os intensos momentos de prazer que partilhamos a dois. Aliás, um amor tribal, no trocar de olhares cúmplices e concupiscentes, perdidos um no outro ou na paisagem que se transfigura, entre a urbanidade e a selva, e que se revela perfeita na beleza do nosso próprio enquadramento romântico, em perfeito devaneio.

Enfim, um amor onde ecoam os sons ocultos que emitimos, as frases que trocamos, dos olhares que se deleitam em beijos de paixão tão luxuriante como o horizonte marítimo que nos rodeia, seja na chegada matinal da aurora interrompendo o breu, seja no crepúsculo que, suavemente, nos afasta do mais erótico pôr-do-sol alguma vez presenciado. Um amor de haragano, essa palavra nascida no Brasil, que na lusofonia ganhou créditos de equídeo difícil de domar, de vagabundo perdido nas margens de uma Bahia única, que nos torna vadios e etéreos aos sons da Bossa Nova, das Mornas e dos Sambas de tempos de outrora. Um amor etéreo, como a transmissão das radiolas de qualidade rudimentar, que propagam no presente, pelos ares, a musicalidade dos sucessos do passado.

Um amor gritado para o universo humanizado pela internet imaterial, eletrónica, inumana, etérea e impulsiva, difundido nos computadores, nas televisões, nos telemóveis, nos “ipads”, “iphones” e outros ais bem mais carnais, mas igualmente repletos de energia, vitalidade, vibração e imagens de inesquecível esplendor, por esse novo limbo incorpóreo de comunicação infinita, num mundo de sinergias ativas, mutantes e em perpétuo movimento.

Numa palavra um amor haragano, etéreo e corpóreo como nós, como eu. Um amor vagabundo da palavra e nesses limbos denominados internet, onde registo os instantes onde fui átomo e universo, num portal mágico, histórico e de pedra erigido,  um portaló velhinho, numa baía com quem nos fundimos na plenitude indeterminada de atos, gestos, vislumbres e palavras que tornam a enseada sagrada, maiúscula, ornamentada de agá, de haragano, e que na nossa voz se diz Bahia.

Em resumo, este é o livro de um amor em Portaló, aquele hotel mágico do Morro de S. Paulo, na ilha de Tinharé, no seu arquipélago, na Bahia, nesse Nordeste único por quem morro de saudades, que samba Brasil e grita amor. No caso, o meu amor. Quiçá, o nosso amor.

Este livro divide-se em duas partes. A Parte I: Paisagens ou o Sortilégio da Paixão. A Parte II: Portaló ou o Sortilégio do Paraíso.

Gil Saraiva

Dedicatória

Em termos de dedicatória poderia tecer aqui as banalidades do costume, mas estas, felizmente, não se aplicam. É bem melhor transmitir o que me vai no íntimo, neste meu sentir, deste meu estro renascido no brilho desse teu olhar.

Dedico este livro a quem deu, finalmente, uma razão de ser e de existir ao meu quase meio século de vida. Eu sabia que teria de haver uma razão, mas nunca imaginei que fosse tão doce, tão compensadora e tão gratificante. Este livro é para ti amor. Tu que, um dia, me fizeste sentir que eu era alguém. Este é para ti, para mais ninguém.

Gil Saraiva

Livro de Poesia - O Próximo Homem II: Hino à Mulher

Hino à Mulher.jpg

I

 

"HINO À MULHER"

 

No mundo existe um ser, quase irreal,

Ao qual foi dado o nome de Mulher...

 

E é tão bonito ouvir dizer Mulher...

 

Mulher

Ou o berço mais perfeito,

Mais subtil,

A fonte de toda a Humanidade,

Aquela luz que brilha

Dia e noite

A todos quantos lhe chamaram

Mãe!

 

E é tão bonito ouvir dizer Mulher...

Mulher,

Nogueira que os anos reduziram

A mobília de luxo, estilizada,

De porte antigo,

Austero e imortal;

Ou em mesa de sala,

Gasta, enegrecida,

Onde outras gerações contam segredos

Aos nós ou aos ouvidos da

Avó...

 

E é tão bonito ouvir dizer Mulher...

 

Mulher

Ou vida que cresceu e que floriu

Sob o olhar da águia e do falcão;

Até que ganhou asas... liberdade;

Até olhar pra trás e num sorriso

Dizer que já foi nossa a nossa

Filha!

 

E é tão bonito ouvir dizer Mulher...

 

Mulher

Ou alma ou coração; tão terno... tão piedoso...

O cofre-forte, o banco da saudade,

A gema cristalina em mais pureza,

O símbolo mais casto da justiça,

O sinónimo exato para um

Anjo!

 

E é tão bonito ouvir dizer Mulher...

 

Mulher

Ou espada reluzente, tão certeira,

Tantas vezes fria que foi neve,

Mordaz, esperta, vingativa,

Uma artimanha feita de truques,

Trevas e tristezas, refletindo no espelho

Lucifer!

 

E é tão bonito ouvir dizer Mulher...

 

Mulher

Ou miragem de outros Tempos neste Tempo;

A gota de água que ao cair deleita

A terra que a recebe saciada;

A estrela mais notável porque bela,

O termo mais correto p’ra

Beleza...

 

E é tão bonito ouvir dizer Mulher...

 

Mulher,

Tambor, apocalipse de emoções,

Ritmo frenético dos homens, o gosto,

Aquele sabor a sal tão doce...

Os dias que nem têm uma hora

Pra quem olha pra ti e grita: "Amor";

Pra quem nasce pra ti e quem, um dia,

Já dentro do teu corpo diz

Mulher!

 

E tu

Simplesmente sorris,

Porque é bonito ouvir dizer

Mulher...

 

No mundo existe um ser quase irreal...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Quimeras de Quimera II: Tu

Tu.jpg

 

"TU"

 

Tens nessa voz o timbre de outros hinos;

Tens nesse corpo a carne apetitosa;

Tens nessa pele a seda mais sedosa;

Tens belos os teus olhos cristalinos;

 

Tens brilho nos cabelos leves, finos;

Tens nos lábios o rosa de uma rosa;

Tens nos nervos a fibra corajosa;

Tens tu, no sangue, a raça dos latinos!...

 

Tens tudo o que te deu a natureza...

E nada mais de bom podia dar:

Carinho, inteligência, amor, beleza,

 

Dedicação e calma... mais: sonhar…

Mas te perdi. Teu ser já me não quer,

Como posso ser teu? Diz-me, mulher...

 

Gil Saraiva

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub