Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - Tetrásticos de Supercílio Trépido: Porta-Chaves - VIII

Porta-Chaves.jpg       VIII

 

"PORTA-CHAVES"

 

Ter porta-chaves seguro

Onde, minhas chaves, guarde,

É saber ter um futuro

E não as perder mais tarde.

 

Porta-chaves quantas são

As chaves desta alma minha?

“- São muitas, mas de latão

Perdeste a de ouro que eu tinha.”

 

Porta-chaves, porta-chaves,

Qual é a chave do amor?

“-É a do planar das aves,

Sabeis vós voar, senhor?"

 

Fechar com chave de ouro

Meu percurso, meu destino,

É ser califa, se mouro,

Triunfar, cantando hino.

 

Meu porta-chaves ‘tá cheio

Falta uma chave, porém,

E choro porque receio

Que ela faz falta também.

 

No porta-chaves havia,

Quando era pequenino

A chave da alegria,

Quero agora a do destino.

 

O porta-chaves que tem

As chaves da minha vida,

Tem a do mal e do bem,

Da chegada e da partida.

 

Porta-chaves, chaves porta,

Troca-as, durante a vida,

Mas eu sei que o que importa

É nenhuma ser perdida.

 

Se este porta-chaves tem

A chave da felicidade,

Então deve ter também

Gazua da liberdade.

 

Teu porta-chaves não dês

A quem conheceste agora,

Não sabes o que ela fez

Ou se te o deita fora.

 

Se tiveres chave branca,

Arranja preta, amarela,

Que o porta-chaves é tranca,

Se fechares bem a janela.

 

Guarda as chaves e os louvores,

Para gritares igualdade,

Que um porta-chaves sem cores,

É vida sem equidade.

 

Se tens a chave do amor,

No porta-chaves guardada,

Lembra-te que, por favor,

Tens de a manter cuidada.

 

Um porta-chaves sem ter

As chaves de um alguém

É mágoa, dor e sofrer

Por amor que se não tem.

 

Porta-chaves chaves porta,

No seu anel prateado.

A chave da minha porta

Não serve na porta ao lado.

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Paradigmas do Meu Ego: Não por Mim..- IX.

Não por mim.jpg

         IX

 

"NÃO POR MIM..."

 

Às vezes

Acho-me um ser híbrido...

Não importa se o sou

Mas o que penso...

É como se metade do que me constitui

Fosse sentir

E só a outra parte de mim

Fosse homem nato...

 

Sou,

Tal como o dia tem na noite

Uma outra face,

Um ser ambidestro

No que toca à mística

Representada pelo coração...

 

Um quase ser criança

Entre pudores que,

Nesta idade que tenho,

Já extintos deveriam estar.

 

Mas corre-me nas veias

O devir...

A sensação última de atingir

A plenitude das coisas

Simples e pequenas

Que permanecem fiéis à memória

De quem realmente as viveu

Com existência.

 

Mas para que falo eu isto?

Que importância tem?

Para que raio interessa

Um tal assunto?

Ahhhhhhh...

 

Importa refletir,

Sentado nas escadas alvas e frias

Do mármore que edifica e marca

Cada registo do que sou,

Tentando sempre

Ir mais longe no pensar...

 

O que me move?

Ou, talvez, o que me comove?

Ou, ainda, o que me demove...?

 

É delicioso poder concluir que,

Em cada caso,

A chave é sempre a mesma:

Sentimentos!

Vindos de dentro,

Da arca radioativa do amor

À qual chamamos

Alma...

 

Sentimentos,

Desempacotados,

Pelo espírito

Que nos torna humanos,

Postos a render

Para que possamos desfrutar,

A cada pegada impressa

No caminho da vida,

A realização

Do que deveríamos ser

Para que o existir tenha um propósito:

Felizes sermos!...

 

A demanda pela verdade

É um falso caminho se,

No final da linha,

Não encontrarmos

O amor!

 

É pela sensualidade dos corpos

Que a alma,

Feita espírito inventivo,

Nos mostra a excelência de uma espécie

Com milénios de existir:

O Ser Humano.

 

Um ser que não se reproduz apenas,

Mas que se funde em harmonia

Sempre que a longa busca,

Pela alma gémea,

Se conclui com êxito.

 

Ser sensual

É ser-se humano

E ter com isso a esperança

De perpetuar a espécie

Por forma a poder gritar bem alto,

Aos quatro ventos:

É amor!...

 

Às vezes

Acho-me um ser híbrido...

Não pelo que sou

Mas pelo que os meus olhos captam

Do mundo

A que chamamos evoluído...

Onde sensualidade

Se confunde com pornografia,

Tal como o bem

Se confunde com o mal...

 

Às vezes

Acho-me um ser híbrido,

Mas não por mim...

Não por mim... 

 

Gil Saraiva

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Meus Blogs: Crónicas. Poesia, Humor, Beijos

Músicas que adoro

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub