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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - O Donaire do Proterótipo Ordinário: Trabalho - Direito, Dever, Fantasia - IV

Trabalho - um direito, um dever, uma fantasia.jpgIV

 

"TRABALHO: DIREITO, DEVER, FANTASIA"

 

O trabalho concede o sustento do próprio

E, quantas vezes, de outros.

Trabalhar é um direito,

Será que importam os meios, os fins

E as consequências de quem o exerce sem

Pensar, automaticamente?

O conselho do poder, é trabalhar,

Sem refletir, sem sorrir, sem galhofar,

Porque apenas importa produzir eficazmente,

De forma amorfa e impessoal

A parcela laboral que a cada um foi atribuída.

 

Trabalhar, dizem os entendidos,

Traz felicidade, constituição familiar, progresso.

Há quem diga, até, que se trabalha só se Deus quiser

E apenas enquanto a sorte nos acompanhar.

Porque há que levar para casa o sustento,

O pão para a mesa, generalizam os teóricos

Deste ato feito norma social instituída.

Um fado, quantas vezes o é, esse o trabalho,

Uma sina, afirmam os míticos,

A quem nunca ninguém põe a questão.

Um padrão que à maioria impõe um chefe,

Um capataz, um mestre ou um patrão.

 

Porém, se mal pergunto,

Onde está a honra se o trabalho de um

Contamina o rio em que me banho?

Onde está honestidade se o que alguém faz

É desbastar a floresta tropical?

Onde está a dignidade de se plastificar o ambiente?

Onde está a retidão de ser diretamente responsável

Por armas que matam, por alterações climáticas,

Por que governos que só se governam a si mesmos?

Há quem diga que o trabalho

Enobrece o ser, há quem diga…

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Desvarios em Sol-Posto - Direito à Vida - XII

Direito à Vida.jpg

         XII

 

“DIREITO À VIDA”

 

Dizem que temos nós

Direito à vida.

 

Dizem

Que vem na lei,

Que tem de ser.

 

Dizem

Que ninguém pode

Dela ser privado,

Salvo se crime houver

E, sem saída,

Se age

Por mais meios

Não haver…

 

Uns dizem

Que é direito assegurado,

Que assim

Se constrói democracia…

Outros dizem

Que tirá-la

É pecado,

Sentença capital

Da agonia,

Condenando,

Até ao fogo eterno,

As almas pecadoras,

Ao Inferno.

 

Mas o que dizer de quem

Aplica um memorando,

Que pelo eleito poder

Se torna lei,

Levando o povo ao suicídio

Ou à pobreza,

Por não ter

Como cumprir

Um tal comando

Imposto por Governo,

Armado em Rei,

Num confisco

Que torna o Povo em presa...?

 

Dizer que são culpados!

Porque não?

Dizer

E condená-los a prisão!

 

Homicídio involuntário

De gente sem saída,

Gente

Que se mata,

Só por desespero,

Gente fraca,

Sem sorte,

Empobrecida,

Que não sabe de roubo

Ou contrabando,

Que grita dor

E fome pelo exagero

Do saque

Em favor do memorando….

 

Dizem

Que temos nós direito à vida.

Dizem

Que vem na lei,

Que tem de ser.

Quem julga os assassinos

De tanta gente?

 

Quem julga um Estado

Destes tão demente?

 

Mensagem que me conforte

Só da mão de um cauteleiro,

Que vende fortuna e sorte

A quem a comprar,

Certeiro.

 

Não culpes o mensageiro,

Que mensagem não escreveu,

Se não gostas,

Vê primeiro

Quem foi…

Quem a remeteu.

 

Se vier numa garrafa

Uma mensagem assim,

Cheira a mofo e não se safa,

De já não falar de mim,

Nem daqueles que pereceram

Pelo confisco ou pelo suicídio

Em desespero…

 

Gil Saraiva

 

Nota: Poemas dos tempos idos da Troika em Portugal.

 

 

 

Livro de Poesia:- Paradigmas do Meu Ego: Caçadora de Sonhos

Caçadora de Sonhos.jpg

"CAÇADORA DE SONHOS"

 

Caçadora de sonhos

E tão sem saudade...

 

Armada de vida,

Carente de presas,

Eu... pela cidade

Procuro a saída

Encontro defesas

Na alma do mundo:

 

Ninguém se quer dar;

Ninguém sabe amar;

Ninguém quer, no fundo,

Saber encontrar

A paz, no profundo

Calor de um segundo...

 

Caçadora de sonhos

E tão sem saudade...

 

Eu vejo no dia,

Na noite bravia,

No caminho, na rua,

Entre gente, mais gente,

Vestindo essa moda

(Qual festa tardia

Ao néon da Lua),

A gente que mente

E em bares se acomoda...

 

E ali, nessa esquina,

Eu vejo no dia,

Na noite bravia,

Se vendendo toda,

Uma pobre menina

Que diz a quem passa:

"- Mil paus... tô na moda..."

 

No meio da praça,

Se vendendo toda

Joana sem caça,

Carente de presas,

Faz contas à vida:

"- Nem dá prás despesas...

Que porra de vida!..."

 

E gente infeliz,

Com hora marcada,

Passa e lhe diz:

"- Dou cem e mais nada..."

 

Caçadora de sonhos...

E tão sem saudade...

 

Eu já vejo agora

O riso da erva

Nos pés dessa serva,

Que vende por hora

O corpo... estragado...

De tão ser usado.

 

Caçadora de sonhos

E tão sem saudade...

 

Buscando, perdida,

A velha igualdade

Do mundo, da vida...

 

Buscando ilusões,

Conceitos, ideias,

Credos e orações,

Entre cefaleias...

 

Caçadora de sonhos

E tão sem saudade...

 

É assim: no leve sorriso

Dessa erva daninha;

No cato que cresce

Formando uma espinha;

Na espinha que pica

Aquela andorinha

(Coitada, infeliz,

Que sangue já chora),

 

Caçadora de sonhos

E tão sem saudade...

 

E choro de mágoa

O gozo sinistro

De certa gentinha,

Com cara de quisto

Pejado de tinha;

E a cara alegre

De um velho ministro

Que julga esconder

O que já foi visto...

 

Choro... choro e volto a chorar...

Mas... riem as luzes p’la cidade fora...

 

Riem de mim na noite vizinha;

Riem... riem como quem ri

De uma adivinha prá qual a solução

Não se avizinha...

 

Riem... riem enquanto meu ser

De novo chora,

Chora como ontem,

Como hoje e agora:

 

Chora as meninas

No meio da praça

Se vendendo todas

Ao primeiro que passa...

 

Caçadora de sonhos

E tão sem saudade...

 

Como posso caçar

Sonhos no mundo?

 

Como posso amar

Mais que um segundo?

 

Não tenho saudades

Da terra maldita,

Onde o direito

Não passa de fita...

Minha alma:

 

Caçadora de sonhos

É tão sem saudade...

 

Gil Saraiva

 

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