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Estro

Estro do meu ego guarda o que sou: poemas. contos, pensamentos, artes plásticas, fotografias, produtos do meu sentir.

Estro do meu ego guarda o que sou: poemas. contos, pensamentos, artes plásticas, fotografias, produtos do meu sentir.

Livro de Poesia - Plectros de um Egrégio Tetro Umbrático: Fogo Posto - II

Fogo Posto.jpg

       II

 

"FOGO POSTO"

 

Ardeu mais um pinhal

Na minha terra.

“Foi fogo posto!”

Leio nos jornais.

 

Ardeu esta minha alma

Um pouco mais

Neste mundo

De chamas e de guerra.

 

Não!

Mais uma vez eu digo: não!

Ver o negro da terra queimada

Ocupar o verde

Por onde animais e passarada

Cantavam hinos de vida

E de natura,

É como perder-te uma vez mais,

Sentir o teu amor perder altura,

Fazendo-me cair

No abismo da rutura.

 

Não me interessa viver

Entre meus ais,

Não quero mais ficar assim.

Se não te posso ter

Perto de mim,

Não quero também a piedade,

Esse fogo posto,

Feito caridade,

Para na chama dos meus sentimentos

Tentares diminuir os meus tormentos.

 

Não me ajuda

O subsídio piedoso

Que me dás,

Não desejo sentir teu coração fatal

A dar-me esmola

Tão sentimental,

Prefiro, mesmo agora,

Que te vás!

 

Ardeu o eucaliptal

Junto à serra

“Foi fogo posto!”

Diz o telejornal…

 

Morreu…

Morreu a combater o fogo

Um velho otário,

Dizem ter sido um bombeiro voluntário,

Homem de honra, soldado da paz,

Que com mangueiras de impossível

Fez o que pode

E o que foi capaz.

 

Quantos terão de morrer?

Ainda mais?

Por certo morrerão, pois,

São fatais

As labaredas que se alimentam destas vidas,

Que lutam sempre, destemidas,

Em causas, por amor,

Em cada trama.

É fogo posto,

Nas almas perdidas,

Que ao acender a lágrima

Não apaga a chama!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Eco dos Sentidos: Oração - IV

Oração.jpg

 

      IV

 

“ORAÇÃO”

(REZAR, AMAR, MATAR...)

 

OH! Deuses do Mundo Antigo,

Ancestrais Protetores do Homem,

Escutai a Oração do Bom Destino

Fazendo de mim um vosso amigo.

Antes que forças do mal me tomem,

Antes que eu entre em desatino,

Antes que em corpo de homem

Vire menino.

 

Ó Elementais Deuses do Planeta,

A Vós eu peço proteção e amparo,

À Terra que me dê raízes,

Eu peço a força do Cometa,

A precisão robusta do disparo,

O saber, que vem de Vós, juízes.

 

Da Água, quero a força do mais forte,

Do Fogo, a ousadia e a coragem.

Ao sopro, ao vento, ao Ar,

Suplico, enfim, por ter um Norte

Nesta vida que vivo de passagem

E onde apenas quero eu rezar.

Pedir, pelo direito de poder amar.

 

A Vós Elementais Deuses deste mundo,

Eu rezo pelo justo direito que à Paz

Temos todos nós, bem lá no fundo.

Se Vós quiserdes eu serei capaz,

De cumprir sortilégios num segundo,

Protegei-me dos males que vida traz,

HIV, Gripe das Aves ou Antraz…

Não quero eu maus olhados ou inveja,

Que busco por fortuna e bem-estar,

Que a vela vermelha me proteja,

Que depois de rezar eu possa amar.

 

Ah! Deuses, que meu sangue vire a cera,

Que arde no Vosso Divino Altar,

Sete pedras de sal e me façam forte,

Que roxa vela me ajude a superar

Dores, sofrimentos e má sorte

No meu duro caminho, nesta vida,

Procurando, firme e protegido, de vencida

Poder vencer o mal, vencer a morte!

 

Pela fragrância do cravo

Venha um futuro

De propriedade, riso, excitação,

Que a citronela acidifique o muro

De qualquer queixa, dor,

Lamentação.

 

A Vós, Elementais Deus das Verdades,

Eu rogo contra o negativo não,

Que o aroma a ópio traga claridades,

Mantendo feliz e hirto, em qualquer chão,

O meu ser, orando por matar saudades,

Ao implorar, rezar, amar, nesta oração.

 

Líder de mim, a alma satisfeita,

Se entrega ao mais alto Orixá,

Enquanto meu corpo se deleita,

Com Vossa Divina ajuda de oxalá.

Para que assim seja, porque assim será!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Paradigmas do Meu Ego: Um Copo - VIII

Um Copo.jpg

    VIII

 

"UM COPO"

 

Um copo de cerveja

E um cigarro...

E a música apalpando toda a gente...

 

Um copo de cerveja

E um cigarro...

E gente sentindo o corpo quente...

 

Um corpo que deseja

E mais um charro...

E o álcool subindo calmamente...

 

Um corpo que deseja

E o mais que agarro...

E outro corpo aquecendo lentamente...

 

Um litro se despeja,

Zarpa o carro...

E o leito se aproxima ardentemente...

 

Um litro se despeja,

Zarpa o carro...

E zarpa o sangue no corpo da gente...

 

Um fogo que se inveja,

Coze o barro…

E… unindo dois corpos fortemente:

 

É movimento,

Ritmo, ternura,

É febre,

Suspiros e loucura;

É infinito

Num tempo finito,

No segundo louco da expansão...

 

Um grito se solta

E é bizarro...

É suor, saliva e sucos de emoção...

 

Um grito se solta,

Coze o barro

No exato momento da fusão!...

 

É já... ainda não...

E mais... agora!...

É vem... amor...

É dia dos sentidos,

É noite, ardor,

É dentro e fora,

É grito que se quebra em mil gemidos!...

 

Gil Saraiva

 

 

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