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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia: Portaló - Parte II - Portaló - X - Os Chalés

DSCF1506.JPG

        X

 

“OS CHALÉS”

 

Como peças de um grande dominó

Os chalés vestem a encosta

Do Morro de S. Paulo: É Portaló…

 

Se do Pessoa eu vejo bem o porto

Nos outros se tem igual conforto…

 

Temos Zélia Gatai, Voltaire

E Jorge Amado,

José de Alencar, Júlio Verne,

José Saramago…

Temos Marguerite Duras

E emoções

Seja em Machado de Assis,

Luís de Camões,

Nas aventuras

De Alexandre Dumas,

Joaquim Ubaldo Ribeiro

Ou Eça de Queirós

Por entre as brumas…

 

Castro Alves tem também telheiro,

E nem os miseráveis são refugo

Pois que aqui tem também,

Seu chalé, o Vítor Hugo…

 

Todos estes chalés de Portaló,

Têm nomes de escritores imortais,

Porque a ilha inspira e trás à mó

Os mais férteis e profícuos cereais,

Que depois de moídos e tratados

Geram um mosto, quando combinados

Com extratos de estros especiais.

 

Aqui amor eu escrevo entre chalés,

O que sou, o que amo, como te adoro,

Aqui eu te descrevo como és,

Por ti eu grito, riu, gozo e choro.

Aqui a fantasia é mais real,

Nestas cabanas na mata integradas,

Chalés atlânticos, casinhas enquadradas,

Num ambiente perfeito e natural.

 

Jamais aqui me ouvirás pedir socorro,

Vamos ficar por cá, para sempre, querida,

Tu que és a felicidade desta minha vida

Fica comigo para sempre neste morro.

 

Gil Saraiva

 

* Parte I I - Portaló ou o Sortilégio do Paraíso

Livro de Poesia: Portaló - Parte II - Portaló - I - Rústica Entrada

Rústica Entrada.jpg

                 

 

“RÚSTICA ENTRADA”

 

Quem chega

O porto atravessa

E o portal;

Se de barco chegou

É natural

Que no verde pasmem os olhos,

Sem pressa,

Porque a paisagem

É de ritual,

De verdes, aos molhos

Das árvores caindo

De todos os tons,

O chão colorindo,

Bichos, gente, sons…

 

A dois passos somente

O Portaló,

Ali, alegremente,

Como um sol-e-dó,

Parece,

Pela rústica entrada,

Convidar quem passa,

A prolongar a estada,

Com seu ar de graça…

 

Ali entrámos dois, um tu e eu,

Dali saímos um,

Que em nós cresceu

De amor como nenhum

Outro, jamais assim, se conheceu.

 

Vivemos plenitude,

Amor, alegria, fusão

Com atitude,

De quem, do nós, fez pão

Com devoção,

Amassando a farinha

Do amor

Que de nós vinha,

Com garra, com paixão

E com fervor.

 

Rustica entrada aquela do hotel,

Onde rústicos refinámos a vida,

Sem sabermos que mais tarde,

À despedida,

Seria pura e doce como o mel

Das abelhas aplicadas,

O amor que ali crescera

De forma desmedida

Nas nossas almas

Para sempre entrelaçadas…

 

Rústica entrada…

Perfeita estada…

 

Gil Saraiva

 

* Parte I I - Portaló ou o Sortilégio do Paraíso

Livro de Poesia: Portaló - Parte I - Paisagens - X - Entrada no Paraíso

Entrada no Paraíso.JPG

                X

 

“ENTRADA NO PARAÍSO”

 

Porto e Portal da vila,

Imponentes entradas,

A quem tributo até as aves prestam,

Onde o chegar é natural,

Lembrando talvez outras arcadas

Ou romantismos que se manifestam

Numa vassalagem da memória

De gerações vividas,

Longa história,

De muitas vindas, muitas idas…

 

Pegadas gravadas pelo tempo,

Entre o riso e o contratempo,

De quem ali passou,

De quem dali gravou

O portal, o porto, o movimento,

De quem ali viveu mais que um momento…

 

Este todo é belo,

Fascinante, admirável,

Simples porto,

Onde se chega num sorriso,

Para depois transpor portal austero,

Tão memorável,

Que transpô-lo

Nos deixa, enfim, no paraíso…

 

Assim chegamos nós,

Trocando beijos,

Fazendo do Amor,

A nossa voz,

Nossos desejos,

Com paixão, com fé

E com esplendor…

 

Paisagens,

Puras, com verdade,

Do Morro da Saudade,

Que se vivem plenas

Pelas margens

Do oceano que nos beija os pés.

 

Um vivo sortilégio da paixão

Entre nós dois amor, amante, amada,

Que, sem sentirmos, nos invade o coração,

E que se instala sem jamais nos pedir nada…

 

Gil Saraiva

 

* Parte I - Paisagens ou o Sortilégio da paixão

Livro de Poesia: Portaló - Parte I - Paisagens - VIII -Morro de S. Paulo

Morro de São Paulo.JPG

 

                  VIII

 

“MORRO DE S. PAULO”

 

Ao olhar

Ressalta já o Morro de S. Paulo;

Ao recordar

Um morro de reis, de glórias

E de escravos;

Morro de histórias,

Fantasmas e de bravos;

Morro de saudade,

No tempo perdido,

Onde um minuto vale a eternidade,

Onde cada segundo tem sentido…

 

Aqui, no Morro de S. Paulo,

Das águas feitas de cristal,

Se elevando

O sonho ganha corpo, rosto, forma,

É natural…

 

E o sorriso vai edificando,

Em cada instante,

Uma outra plataforma,

Feita de natureza cativante

Como que esculpindo nova Atenas…

 

Mais do que bonito

O Morro de S. Paulo

É belo apenas!

 

Aqui,

De mãos dadas, passeamos

O nosso amor

E ele sorri, enquanto andamos,

Ao Sol e ao calor,

Por entre as lojas

Como que para nós engalanadas,

Por entre ruas estreitas,

Calcetadas,

Onde se vendem,

Quase às toneladas,

Recordações,

Que um dia,

Empoeiradas,

Nos despertam a saudade,

A nostalgia,

Dos olhares trocados naquele morro.

Objetos, símbolos, na verdade,

Do amor vivido, da alegria,

De quem dentro de ti

Não quis socorro…

 

No Morro de S. Paulo fui feliz,

Fomos amor rubro,

Intenso, enlouquecido…

Que ali se cimentou, criou raiz,

Que jamais por nós será esquecido…

 

Gil Saraiva

 

* Parte I - Paisagens ou o Sortilégio da Paixão

Livro de Poesia: Achas de um Vagabundo - Um poema...

Um Poema.jpg

"UM POEMA"

 

Um poema

Nada tem de silencioso,

Mágico ou natural,

É sim um grito mudo

Do amago de quem escreve

Para a essência de quem lê...

 

Se for ouvido é música divina,

É arte,

É voz...

 

Mas se na valeta

Do esquecimento ele cair

Então…

O poeta morreu uma vez mais,

Mas não sem antes sofrer muito

Para além do suportável

Pelo comum dos mortais...

 

Quantos de nós,

Muito além desse sentido,

A que chamamos de audição,

Escutamos realmente o grito mudo?

 

Quantos de nós ouvimos

No marasmo do nosso quotidiano

Um só poema?

 

"-Depende..."

Dirão os mais sensíveis...

"-Eu acho que sim!"

Afirmarão os convencidos

Pelas lições que a vida

Lhes foi dando...

"-Eu escuto..."

Dirás tu

Com medo da tua própria voz...

 

Um poema

Nada tem de silencioso,

Mágico ou natural,

É sim um grito mudo

Do amago de quem escreve

Para a essência de quem lê...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia: O Próximo Homem II - Tian An Men

Tiananmen.jpg

"TIAN AN MEN"

(AS VINDIMAS DE JUNHO)

 

Cantam as vindimas os Podadores,

Cantam na Praça de Tian An Men...

 

Vindimas de junho

Onde uvas, aos cachos,

Aguardam a poda...

E há quem as ouça... parecem gritar:

"- Queremos Liberdade! Democracia...

E embora com medo queremos Liberdade!

Não vamos fugir,

Somos milhares pedindo uma voz,

E apenas uma,

Hoje e aqui em Tian An Men,

No lar da Paz Celestial...

Tien An Men, Tian An Men,

Pedimos apenas o que é natural!..."

 

Fazem chacinas os Caçadores,

Caçam na Praça de Tian An Men...

 

Chacinas de junho

De foice e martelo, de gás e de bala,

De bomba e canhão, de tanques estanques,

Ceifam-se estudantes...

 

Morrem às dezenas, centenas, milhares,

Qual carne picada triturada a aço;

Não sobra pedaço...

No lagar de horrores o mosto já fede!...

 

E choram as vítimas dos Podadores

Choram na Praça de Tian An Men...

 

Vítimas de Junho...

Só os mortos cantam, num descanso ameno,

Na Praça da Paz Celestial...

Vítimas do medo, que o Poder tremeu,

Vítimas tão cedo de quem não cedeu...

Mortos, mais mortos e outros ainda

Que em Tian An Men

Pra sempre ficaram...

E só porque ousaram pedir Liberdade

Pra poder falar e ouvir e ler,

E poder escolher

Entre concordar e não concordar...

 

E contam as vítimas os Ditadores

Contam na Praça de Tian An Men

 

Um, dois, três, cem, mil, e mais e mais...

Aumentam os corpos ceifados a esmo:

Mulheres, homens, velhos, crianças,

Dois mil, três mil...

Vale mais não somar,

Esquecer os totais...

Que em Tian An Men,

A praça da Paz Celestial,

Nasceu um Inferno feito por mil Dantes...

O Verão foi Inverno... morreram estudantes...

 

E cantam os Anjos num coro de dor

Cantam as Almas de Tian An Men...

 

E a China já chora

O chão decorado de ossos e tripas,

De músculos rasgados,

Banhados no sangue de um mar de mártires:

Um novo Austerlitz!...

No tocar dos extremos

O sangue é fusão...

 

Cantam as vítimas os Podadores

Tomara que só em Tian An Men...

 

Tomara também que no Luso Ocidente,

Vindimas não hajam

Nos meses errados...

 

Cantam as vítimas os Podadores

Tomara que só em Tian An Men...

 

Vítimas de Junho...

Pisaram-se as uvas e embora verdes

Um mosto vermelho encheu o lagar

- Tian An Men... Tian An Men...

Os bagos esmagados parecem falar...

 

E cantam as vítimas os Podadores

Tomara que seja o Canto dos Cisnes...

 

Gil Saraiva

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