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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

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Livro de Poesia - Crença em um Fanal na Chona Lôbrega: Introdução

Capa Crença de um Fanal na Chona Lôbrega.jpg

Introdução

 

No seguimento dos afinismos que ligam quem escreve a quem o poderá vir a ler, é fácil de entender a “Crença em um Fanal na Chona Lôbrega” mesmo que o título fuja aos vocábulos mais correntes, nele se acaba por descobrir a “Esperança em um Farol na Noite Tétrica” ou, como diz o povo, “A Luz ao Fundo do Túnel”. Por mais lúgubre e sinistra que nos pareça a vida, enquanto ela se ancorar numa esperança firme e num acreditar que depois da tempestade tem sempre de chegar um tempo de bonança, não há como não lutar e assim sobreviver.

Todavia, longe dos berços dourados das histórias de encantar, existe um mundo em que nem tudo é justo, correto, educado ou sensível. Na realidade do quotidiano a vida é uma mistura heterogénea entre bem e mal, onde as fronteiras, de ambos os lados, são difusas, mal definidas e quase sempre sem grandes defesas ou segurança entre elas.

Um fanal pode não ter a grandiosidade do Farol de Alexandria, mas, apesar de tudo, não deixa de ser uma luz, que nos dá crença e esperança, na chona lôbrega, qual noite sinistra, em que por vezes nos sentimos envolvidos. Neste momento particular da história da humanidade, em que se enfrenta uma pandemia sem rosto, que colhe sem piedade os anciãos da sabedoria humana, património que são dos povos do mundo, importa resistir, ter a fé, a crença, a esperança, na mais ténue luz que se veja a brilhar.

Gil Saraiva

 

Nota: Os poemas deste livro foram criados entre 2019 e 2020.

 

 

 

Livro de Poesia - Trovador Binário - O Ser da Noite - XII

O Ser da Noite.jpg

         XII

 

O SER DA NOITE”

 

Para um vagabundo dos limbos,

Um haragano, o etéreo,

Um Senhor da Bruma,

A menina, enquanto mulher,

É a fragrância que lhes tolda a mente,

Fundindo-os a todos

Num ser ímpar que vive da sombra, 

Buscando o odor feminino que,

Com a noite,

Lhe invade a razão,

Fazendo-o sonhar que o impossível

Apenas demora mais tempo.

 

Uma amálgama de sensações odoríferas

Onde a higiene, o perfume e sexo

Se transmutam num só cheiro,

Que embriaga o cérebro

E lhe desperta o corpo,

Tornando o mais pacato dos homens

Em predador feroz,

Sedento de uma presa que se anuncia

Na diáspora das sombras

E da bruma.

 

Tudo se desfoca na neblina da Lua,

Até a razão, a inteligência e o ego.

O instinto consegue fundir-se

Em harmonia com o sentimento,

O amor com o sexo,

O animal com o racional,

Gerando aquela coisa estranha

A que se chama homem,

Esse urbano selvagem

Que busca, insano,

Pela alma gémea que o entenda

Nessa demanda

Consagrada pelos poetas,

A que muitos ainda chamam de amor.

 

Enquanto mulher,

A presa torna-se armadilha,

Flor singular num jardim de espinhos,

Capaz de fazer sangrar a alma

Do mais empedernido predador.

Tornando-o escravo da demanda,

Doce vassalo e jardineiro

Que não teme os espinhos,

Os venenos, os caminhos sinuosos,

Da noite onde a bruma

Faz o papel de manto da Lua,

No jardim da essência emocional,

Rendida à paixão

A que simplesmente chama sentimento.

 

A prosa de uma resposta

Transfigura-se em poema,

O sonho ganha moldes de imperfeita realidade,

O pensamento identifica-se como emoção,

O paradoxo vira quotidiano

E a mulher significa felicidade…

 

Para o ser da noite

A luz chega com o crepúsculo,

Na janela perdida,

Na bruma efémera de um luar.

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Trovador Binário - A Noite - IV

A Noite.jpg

       IV

 

"A NOITE"

 

Se eu fosse um sonho,

Meu amor,

Esta noite tu eras minha!

 

Esperava na bruma

Pelo teu adormecer...

Sem pressas, sem barulho,

Deixando o silêncio

Se instalar devagarinho.

Poderia espreitar,

Uma vez ou outra,

Aguardando pelo ritmo compassado

Da tua respiração,

Até quando, por fim,

Morfeu te recebesse nos seus domínios.

 

Saído da bruma, por entre as sombras,

Aproveitando o Quarto Crescente,

Que se iniciou no fim da tarde, 

Finalmente,

Eu entraria no limbo do teu cérebro

Para poder passar a ser

Um sonho teu.

E tu, incauta e desprevenida,

Nem darias por mim.

Tomarias o sonho como teu

E nada mais.

Naturalmente, simplesmente,

Apenas mais um sonho.

 

Regressei ao banho,

Aquele que tomaste hoje,

E introduzi-me nele...

Nesse mundo da imaginação,

Que quase parece acontecer,

Porque sonhavas…

 

Tu sentiste as minhas mãos

Fazendo deslizar o gel

Pelo teu corpo,

Percorrendo a derme

Como quem corre a maratona,

Sem pressas, sem movimentos bruscos,

Como se fosse comum

Eu explorar-te assim avidamente.

 

Agora o teu sonho era meu,

Não tinhas como o controlar,

As minhas mãos invadiram-te a boca,

Os seios, as nádegas e o sexo,

O meu corpo molhado esfregou-se pelo teu…

Na loucura dos momentos seguintes

Perdeste a conta de quantas vezes foste possuída,

Nas entradas que entregaste vibrando

Perante o meu avanço hirto e decidido.

A noite pareceu durar uma vida e um momento…

 

Acordaste tarde, relaxada, suada, húmida e a sorrir,

Já a aurora despontava no horizonte,

Já eu regressara à bruma de onde viera

Silenciosamente…

Um pensamento invadiu-te a mente:

“Hoje o dia só me pode correr bem.”

 

O Quarto Crescente da Lua

Trouxe-te uma noite

Para mais tarde recordares com um sorriso…

A noite tem destas coisas…

íntimas, secretas, nossas,

Impossíveis realizados pelo âmago,

Desejados pelo querer,

Concretizados pelo sonho,

Traduzidos pela escuridão!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Estrigas do Dilúculo dos Lamentos: Longa é a Noite - XLI

Longa é a Noite.jpg

           XLI

 

"LONGA É A NOITE..."

 

Longa é a noite... tão completa e bela

A manta negra de silêncio feita,

Onde, de branco, a Lua vai, singela,

Dançando um surdo cintilar... perfeita...

 

Longa é a noite... e aqui, à luz da vela,

Entre estas sombras, só... insatisfeita,

A dor suprema chega p'la janela

E no meu coração... então se deita!

 

Longa é a noite... agora em meu viver...

E eu não sentir amor é ser desgraça;

É ser noite que o dia nunca abraça

 

Ou vida já esquecida de viver!

Sou laje... cova... túmulo desfeito...

Longa é a noite... agora... no meu peito!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Estrigas do Dilúculo dos Lamentos: Na Noite - XXXVI

Na Noite.jpg

   XXXVI

 

"NA NOITE…"

 

Na bruma eu vivo, até na escuridão,

Desperto no crepúsculo solar,

Vou vivendo na noite e ao despertar

Outros sombrios seres comigo estão,

 

Solidários na minha solidão,

Companheiros, na parca luz lunar

Onde os gatos são pardos e onde o ar

Se enche de asas negras, multidão

 

De caçadores do breu, mais do que eu

Que agora nada tenho p'ra caçar.

Na noite eu vivo os sonhos por sonhar,

 

Migro para lugares de um mito meu

Feito dos pensamentos que perdi

Lá… onde de viver eu me esqueci…

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Estrigas do Dilúculo dos Lamentos: A Noite - XXXIII

Poema.jpg

XXXIII

 

"A NOITE"

 

A noite naquela casa caiu,

Igual a outras noites já passadas,

Mas, para mim, diferente a outras noitadas;

Diferente amor que a noite descobriu...

 

Teu corpo vestido em mim se despiu

Num noturno esquecer de águas paradas,

De noites que a tristeza tem lembradas,

De dias só completos de vazio...

 

Teu corpo revestiu todo o meu ser,

Teu amor transformou o meu amar,

Na noite que não posso reviver,

 

Nessa noite que sempre vou lembrar,

Por me ter proibido de a esquecer;

Por a teres proibido de voltar!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia: Portaló - Parte II - Portaló - III - Paisagem e Paisagens

Paisagem.JPG

                      III

 

“PAISAGEM E PAISAGENS”

 

Do ocre das fachadas

Das acomodações e dos chalés

Imagens de cor ficam gravadas,

Se destacam os detalhes, lés-a-lés,

Das madeiras, dos alçados,

Das varandas,

Passadeiras, caminhos, cordas bambas,

Delimitando espaços e picados…

 

São os chalés, por fora, salpicados

De espreguiçadeiras inovando

Ora repouso ameno,

Ora pecados,

Que cabe a cada um ir desvendando…

 

Tudo se vira ao porto, ao mar

E a Valença,

Ponto continental no horizonte,

Que a noite, ao cair, faz revelar

Do outro lado da água, bem de fronte,

Pelas luzes, as formas e a presença

Que olhando podemos vislumbrar…

 

É neste contexto que te chamo

De sonho, de alma, de paixão,

É nesta paisagem que te amo,

Na relva, na varanda, no colchão…

Perco-me em teu olhar

E sou feliz,

Feliz por te sentir,

Por te tocar,

Por saber que amanhã

Vou acordar

Com tua fragrância em meu nariz…

 

Mas mais do que esta ilha

Deslumbrante,

Inventada para amores intensos,

Vivos,

Tu és, amor, hoje e doravante

A paisagem de meus passos

Ainda conjuntivos…

Mas em montes e vales me quero perder,

Nas tuas paisagens vou viver,

Sem precisar de outros atrativos…

São paisagens reais que amo e friso

Só porque adoro estar no paraíso…

 

Gil Saraiva

 

* Parte I I - Portaló ou o Sortilégio do Paraíso

Livro de Poesia - Paradigmas do Meu Ego: Não por Mim..- IX.

Não por mim.jpg

         IX

 

"NÃO POR MIM..."

 

Às vezes

Acho-me um ser híbrido...

Não importa se o sou

Mas o que penso...

É como se metade do que me constitui

Fosse sentir

E só a outra parte de mim

Fosse homem nato...

 

Sou,

Tal como o dia tem na noite

Uma outra face,

Um ser ambidestro

No que toca à mística

Representada pelo coração...

 

Um quase ser criança

Entre pudores que,

Nesta idade que tenho,

Já extintos deveriam estar.

 

Mas corre-me nas veias

O devir...

A sensação última de atingir

A plenitude das coisas

Simples e pequenas

Que permanecem fiéis à memória

De quem realmente as viveu

Com existência.

 

Mas para que falo eu isto?

Que importância tem?

Para que raio interessa

Um tal assunto?

Ahhhhhhh...

 

Importa refletir,

Sentado nas escadas alvas e frias

Do mármore que edifica e marca

Cada registo do que sou,

Tentando sempre

Ir mais longe no pensar...

 

O que me move?

Ou, talvez, o que me comove?

Ou, ainda, o que me demove...?

 

É delicioso poder concluir que,

Em cada caso,

A chave é sempre a mesma:

Sentimentos!

Vindos de dentro,

Da arca radioativa do amor

À qual chamamos

Alma...

 

Sentimentos,

Desempacotados,

Pelo espírito

Que nos torna humanos,

Postos a render

Para que possamos desfrutar,

A cada pegada impressa

No caminho da vida,

A realização

Do que deveríamos ser

Para que o existir tenha um propósito:

Felizes sermos!...

 

A demanda pela verdade

É um falso caminho se,

No final da linha,

Não encontrarmos

O amor!

 

É pela sensualidade dos corpos

Que a alma,

Feita espírito inventivo,

Nos mostra a excelência de uma espécie

Com milénios de existir:

O Ser Humano.

 

Um ser que não se reproduz apenas,

Mas que se funde em harmonia

Sempre que a longa busca,

Pela alma gémea,

Se conclui com êxito.

 

Ser sensual

É ser-se humano

E ter com isso a esperança

De perpetuar a espécie

Por forma a poder gritar bem alto,

Aos quatro ventos:

É amor!...

 

Às vezes

Acho-me um ser híbrido...

Não pelo que sou

Mas pelo que os meus olhos captam

Do mundo

A que chamamos evoluído...

Onde sensualidade

Se confunde com pornografia,

Tal como o bem

Se confunde com o mal...

 

Às vezes

Acho-me um ser híbrido,

Mas não por mim...

Não por mim... 

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Paradigmas do Meu Ego: Um Copo - VIII

Um Copo.jpg

    VIII

 

"UM COPO"

 

Um copo de cerveja

E um cigarro...

E a música apalpando toda a gente...

 

Um copo de cerveja

E um cigarro...

E gente sentindo o corpo quente...

 

Um corpo que deseja

E mais um charro...

E o álcool subindo calmamente...

 

Um corpo que deseja

E o mais que agarro...

E outro corpo aquecendo lentamente...

 

Um litro se despeja,

Zarpa o carro...

E o leito se aproxima ardentemente...

 

Um litro se despeja,

Zarpa o carro...

E zarpa o sangue no corpo da gente...

 

Um fogo que se inveja,

Coze o barro…

E… unindo dois corpos fortemente:

 

É movimento,

Ritmo, ternura,

É febre,

Suspiros e loucura;

É infinito

Num tempo finito,

No segundo louco da expansão...

 

Um grito se solta

E é bizarro...

É suor, saliva e sucos de emoção...

 

Um grito se solta,

Coze o barro

No exato momento da fusão!...

 

É já... ainda não...

E mais... agora!...

É vem... amor...

É dia dos sentidos,

É noite, ardor,

É dentro e fora,

É grito que se quebra em mil gemidos!...

 

Gil Saraiva

 

 

Livro de Poesia: Achas de um Vagabundo - Que Importa?

Que Importa.jpg

"QUE IMPORTA?"

 

Temos esta noite...

Pensa bem...

Que importa o amanhã

Se hoje existimos...?

 

Se podes escrever

As palavras

Que me invadem o ser

E me viciam...

Que importa o amanhã...?

 

Vício de ti...

É virtual?

Interneticamente inatingível?

Que importa o amanhã

Se a noite é nossa...?

 

Se é o futuro

Que te dá alento,

Porque não pode o presente

Ser esperança?

 

Ahhhhh!!!

Nasce comigo em cada tecla!...

Nos diálogos frenéticos

Das janelas privadas,

Fechadas a todos

Que não a nós...

 

Nasce comigo em cada letra

Teclada com a força

Do bater arrítmico

De nossos corações perdidos,

Para a eternidade,

De tanta paixão...

 

Ahhhhh!!!

Nasce comigo antes de amanhã,

Porque o agora existe!...

E é nosso, amor,

É todo nosso!!!

Que importa o amanhã...?

Diz-me!

Que importa...?

 

Gil Saraiva

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