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Estro

Estro do meu ego guarda o que sou: poemas. contos, pensamentos, artes plásticas, fotografias, produtos do meu sentir.

Estro do meu ego guarda o que sou: poemas. contos, pensamentos, artes plásticas, fotografias, produtos do meu sentir.

Livro de Poesia - Falcão Peregrino: Chamar Pai - V

Chamar Pai.jpg

         V

 

“CHAMAR PAI”

 

Na vida,

Em toda a vida existe apenas

Um ser a quem podemos chamar Pai.

 

Sobre o meu…

Eu lembro o Homem,

O ser maravilhoso,

O altruísta,

Carinhoso,

Atento, forte,

O tal pilar,

Que me fez gente,

Que me deu a pista

Da luta que é a vida,

Da conquista

Da honra, do saber,

Do caminhar…

 

Na vida,

Em toda a vida existe apenas

Um ser a quem podemos chamar Pai.

 

De grandes mãos,

Nem sempre carinhosas,

De voz grossa,

Nem sempre satisfeita,

De suor e trabalho,

De raça e proteção,

De luta em épocas nervosas,

De quem vigilante se não deita

Se dai depender no amanhã meu pão…

 

Na vida,

Em toda a vida existe apenas

Um ser a quem podemos chamar Pai.

 

Ele foi meu médico,

Enfermeiro, socorrista,

Meu mestre,

Meu modelo, meu herói,

O professor mais dedicado,

Mais atento,

O génio, o mago,

O alquimista,

Onde a minha vida se criou

E se constrói

Nas bases que não leva o vento

Porque são sólidas,

Quais colunas de aço,

Que me fizeram firme cada passo.

 

Na vida,

Em toda a vida existe apenas

Um ser a quem podemos chamar Pai.

 

Nem sempre o entendi,

Pensei, por vezes,

Que nem sequer me ouvia,

Que me ignorava o existir…

Mas, afinal, ele estava ali

Vigiando não só como eu crescia

Como se estava bem no progredir,

Nervoso por

Qual Anjo da Guarda

Me vigiar atento a retaguarda…

 

Na vida,

Em toda a vida existe apenas

Um ser a quem podemos chamar Pai.

 

Do amor que me ofereceu nada,

Em troca, pediu,

Nas asneiras que fiz

Me deu conselhos,

Dele tive suporte,

Parabéns e alegrias,

Felicidade sempre que sorriu,

Lágrimas nos difíceis dias,

Mas nunca desistiu,

Nunca partiu…

Meu Pai,

Meu amigo,

Companheiro,

Um exemplo para mim,

Para o mundo inteiro,

É alma pura

Em trono de marfim.

 

Ele é o meu exemplo

Mais perfeito,

Ele que vive para sempre

No meu peito…

 

Hoje

Podia ser Dia do Pai,

Bem que podia,

Mas Dia do meu Pai

É qualquer dia!

Se algo houvesse a fazer,

Por mim,

Ele o faria,

Mas nem por isso,

Muitas das vezes,

Me o diria…

 

Assim, era o meu Pai,

Severo, austero,

Sempre com uma piada

Atrás das costas,

Um amigo,

Mesmo um camarada,

Sempre pronto para tudo,

Do amor… à espada.

 

Na vida,

Em toda a vida existe apenas

Um ser a quem podemos chamar Pai.

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Gota de Lágrima: Embrião - VII

Embrião.jpg

     VII

 

"EMBRIÃO"

 

"- Já sinto o nosso menino..."

 

Diz a mãe,

Com lágrimas nos olhos

E flores no coração...

 

"- Vem, põe aqui a mão,

Também o sentes?"

 

E o pai envergonhado

Diz que não...

 

O embrião corre pró milagre,

Mais alguns meses

E irá nascer...

 

E os pais perguntam:

"- Quem será ele um dia?"

"- Que missão terá ele

Neste mundo?"

"- O que fará

O nosso querido filho...?"

 

"- Que nome lhe daremos?"

"- Adolfo...?"

"- Lindo..."

Diz o pai...

"- Adolfo... Adolfo Hitler!"

 

Até o mal,

Um dia, teve

De nascer...

E quantas vezes

Ele nasce

Por amor?

 

O que faríamos nós

Se, previamente,

Conseguíssemos saber?...

 

 Gil Saraiva

Livro de Poesia: O Próximo Homem II - Chorai...

Chorai.jpg

"CHORAI"

 

Chorai...

Chorai comigo os filhos das Trevas...

 

Aqueles que chutam a bola

Apocalíptica dos sonhos sem prazer...

Aqueles a quem a vida disse, um dia,

Pra sofrerem as torturas da agulha;

A doce sensação do não sentir;

E o ventre seco e frio da própria

Morte...

 

Chorai...

Chorai comigo os filhos das Trevas...

 

 

Aqueles que veneram a miragem negra,

Heroína suprema dos homens

Sem rosto, sem nome

E sem força de vontade

Ou sem amor...

 

Chorai...

Chorai comigo os filhos das Trevas...

 

Porque deles é o reino da vida

Sem Futuro,

Porque neles tudo é estéril,

Seco e sem sentido;

Porque eles são o espelho mais triste

Do Inferno.

 

Chorai...

Chorai comigo os filhos das Trevas...

 

Porque entre eles passeia a Negra Dama,

Plena de clientes, satisfeita...

Porque de Tchernobil já estão vacinados...

Porque oxigénio, Amazonas e ozono,

São coisas supérfluas, palavras soltas,

Num mundo que deixaram já faz tempo...

Porque a SIDA é apenas um atalho,

Não um mal, apenas e somente

O caminho mais curto para quem

Já não tem tempo...

 

Chorai...

Chorai comigo os filhos das Trevas...

 

Lagartas fechadas num casulo

Selado nas veias, ocas de sangue,

Plenas de vício e de tristeza...

Crisálidas, uns insetos humanos

Que nunca serão gente;

Vazios de esperança, carentes de voz...

Seres de asas queimadas

Que jamais voarão rumo à liberdade;

Que jamais sentirão o cheiro das flores,

O gosto, o gozo de voar, ser borboleta...

 

Chorai...

Chorai comigo os filhos das Trevas...

 

Chorai lágrimas de amigo, irmão, de primo

Ou filho até...

 

Chorai os que odeiam, agora, a luz

do Astro Rei...

 

Chorai os corpos vivos

A quem a mente abandonou...

 

Chorai aqueles que andam à procura

Da alma que não sabem encontrar...

 

Chorai...

Chorai comigo os filhos das Trevas...

 

Chorai também aqueles olhos parados...

Deus…!!!

Aqueles olhos parados de quem já foi criança,

De quem era tão engraçadinho

Nos primeiros sorrisos... lembram...?

E quando, um dia, ele te chamou "- Mamã..."

Ainda te recordas…?

E quando, a dado momento,

Deu os primeiros passos,

E tu, pai orgulhoso,

O abraçaste entre as essas mãos,

Amostras firmes de vigor,

Então tão carinhosas...

Não é fácil esquecer…!!!

 

Chorai...

Chorai comigo os filhos das Trevas...

 

Que já tiveram mãe, avós, amigos,

A quem demos a mão,

Com quem brincamos à apanhada,

Escondidas, cabra-cega, monopólio,

Damas, xadrez, gamão, jogos de cartas,

De amor, carinho, afeto ou de amizade...

 

Chorai... Aqueles que sabiam quem tu eras,

A quem contavas, baixinho... a rir, talvez...

Segredos que o mundo inteiro ignorava.

 

Chorai...

Chorai comigo os filhos das Trevas...

 

E sejam brancos, negros, vermelhos,

Arraçados; chineses, esquimós, gregos,

Franceses, angolanos, alemães

Ou portugueses, não nos importa a nós...

 

Chorai...

Chorai comigo budistas,

Católicos, ateus ou protestantes;

Velhos, crianças, meninos e meninas,

Jovens na flor da idade, homens, mulheres,

E toda a gente que neste mundo exista...

 

Chorai...

Chorai comigo...

Uni hoje vossa dor à minha mágoa.

 

Chorai, chorai comigo, ó, por favor...

Que a culpa não é só de quem cultiva,

Trafica ou se vicia... Mas sim de todos nós

Que não fazemos nada para ceifar da Terra

A triste chaga... Ao menos... chorai...

 

Chorai...

Chorai comigo os filhos das Trevas...

Condenados por nós à Morte lenta...

 

Chorai...

Chorai comigo...

Chorai, chorai comigo...

Chorai...

Chorai comigo os filhos das Trevas...

 

Gil Saraiva

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