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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - Sortilégio Tropical: Gaia. - XXXII

(entre cá e lá...)

Gaia.jpg

XXXI

 

"GAIA"

 

Vila Nova de Gaia foi menina,

Vila e moça, gaiata sem idade,

À beira rio viveu a mocidade,

Esquecida p’los deuses, mas divina...

 

Vila Nova de Gaia, a feminina

Musa do Douro, altiva majestade,

O direito ganhou a ser cidade

Depois de tantos anos de traquina...

 

Noiva do Grande Porto, geradora

De quem passou a ponte da memória

Por ter nas mãos a garra criadora,

 

Esse dom de do nada fazer História:

São teus: Teixeira Lopes, Isolino,

Soares dos Reis... as artes, um destino...

 

 

 

Livro de Poesia: Portaló - Parte II - Portaló - X - Os Chalés

DSCF1506.JPG

        X

 

“OS CHALÉS”

 

Como peças de um grande dominó

Os chalés vestem a encosta

Do Morro de S. Paulo: É Portaló…

 

Se do Pessoa eu vejo bem o porto

Nos outros se tem igual conforto…

 

Temos Zélia Gatai, Voltaire

E Jorge Amado,

José de Alencar, Júlio Verne,

José Saramago…

Temos Marguerite Duras

E emoções

Seja em Machado de Assis,

Luís de Camões,

Nas aventuras

De Alexandre Dumas,

Joaquim Ubaldo Ribeiro

Ou Eça de Queirós

Por entre as brumas…

 

Castro Alves tem também telheiro,

E nem os miseráveis são refugo

Pois que aqui tem também,

Seu chalé, o Vítor Hugo…

 

Todos estes chalés de Portaló,

Têm nomes de escritores imortais,

Porque a ilha inspira e trás à mó

Os mais férteis e profícuos cereais,

Que depois de moídos e tratados

Geram um mosto, quando combinados

Com extratos de estros especiais.

 

Aqui amor eu escrevo entre chalés,

O que sou, o que amo, como te adoro,

Aqui eu te descrevo como és,

Por ti eu grito, riu, gozo e choro.

Aqui a fantasia é mais real,

Nestas cabanas na mata integradas,

Chalés atlânticos, casinhas enquadradas,

Num ambiente perfeito e natural.

 

Jamais aqui me ouvirás pedir socorro,

Vamos ficar por cá, para sempre, querida,

Tu que és a felicidade desta minha vida

Fica comigo para sempre neste morro.

 

Gil Saraiva

 

* Parte I I - Portaló ou o Sortilégio do Paraíso

Livro de Poesia: Portaló - Parte II - Portaló - III - Paisagem e Paisagens

Paisagem.JPG

                      III

 

“PAISAGEM E PAISAGENS”

 

Do ocre das fachadas

Das acomodações e dos chalés

Imagens de cor ficam gravadas,

Se destacam os detalhes, lés-a-lés,

Das madeiras, dos alçados,

Das varandas,

Passadeiras, caminhos, cordas bambas,

Delimitando espaços e picados…

 

São os chalés, por fora, salpicados

De espreguiçadeiras inovando

Ora repouso ameno,

Ora pecados,

Que cabe a cada um ir desvendando…

 

Tudo se vira ao porto, ao mar

E a Valença,

Ponto continental no horizonte,

Que a noite, ao cair, faz revelar

Do outro lado da água, bem de fronte,

Pelas luzes, as formas e a presença

Que olhando podemos vislumbrar…

 

É neste contexto que te chamo

De sonho, de alma, de paixão,

É nesta paisagem que te amo,

Na relva, na varanda, no colchão…

Perco-me em teu olhar

E sou feliz,

Feliz por te sentir,

Por te tocar,

Por saber que amanhã

Vou acordar

Com tua fragrância em meu nariz…

 

Mas mais do que esta ilha

Deslumbrante,

Inventada para amores intensos,

Vivos,

Tu és, amor, hoje e doravante

A paisagem de meus passos

Ainda conjuntivos…

Mas em montes e vales me quero perder,

Nas tuas paisagens vou viver,

Sem precisar de outros atrativos…

São paisagens reais que amo e friso

Só porque adoro estar no paraíso…

 

Gil Saraiva

 

* Parte I I - Portaló ou o Sortilégio do Paraíso

Livro de Poesia: Portaló - Parte II - Portaló - I - Rústica Entrada

Rústica Entrada.jpg

                 

 

“RÚSTICA ENTRADA”

 

Quem chega

O porto atravessa

E o portal;

Se de barco chegou

É natural

Que no verde pasmem os olhos,

Sem pressa,

Porque a paisagem

É de ritual,

De verdes, aos molhos

Das árvores caindo

De todos os tons,

O chão colorindo,

Bichos, gente, sons…

 

A dois passos somente

O Portaló,

Ali, alegremente,

Como um sol-e-dó,

Parece,

Pela rústica entrada,

Convidar quem passa,

A prolongar a estada,

Com seu ar de graça…

 

Ali entrámos dois, um tu e eu,

Dali saímos um,

Que em nós cresceu

De amor como nenhum

Outro, jamais assim, se conheceu.

 

Vivemos plenitude,

Amor, alegria, fusão

Com atitude,

De quem, do nós, fez pão

Com devoção,

Amassando a farinha

Do amor

Que de nós vinha,

Com garra, com paixão

E com fervor.

 

Rustica entrada aquela do hotel,

Onde rústicos refinámos a vida,

Sem sabermos que mais tarde,

À despedida,

Seria pura e doce como o mel

Das abelhas aplicadas,

O amor que ali crescera

De forma desmedida

Nas nossas almas

Para sempre entrelaçadas…

 

Rústica entrada…

Perfeita estada…

 

Gil Saraiva

 

* Parte I I - Portaló ou o Sortilégio do Paraíso

Livro de Poesia: Portaló - Parte I - Paisagens - X - Entrada no Paraíso

Entrada no Paraíso.JPG

                X

 

“ENTRADA NO PARAÍSO”

 

Porto e Portal da vila,

Imponentes entradas,

A quem tributo até as aves prestam,

Onde o chegar é natural,

Lembrando talvez outras arcadas

Ou romantismos que se manifestam

Numa vassalagem da memória

De gerações vividas,

Longa história,

De muitas vindas, muitas idas…

 

Pegadas gravadas pelo tempo,

Entre o riso e o contratempo,

De quem ali passou,

De quem dali gravou

O portal, o porto, o movimento,

De quem ali viveu mais que um momento…

 

Este todo é belo,

Fascinante, admirável,

Simples porto,

Onde se chega num sorriso,

Para depois transpor portal austero,

Tão memorável,

Que transpô-lo

Nos deixa, enfim, no paraíso…

 

Assim chegamos nós,

Trocando beijos,

Fazendo do Amor,

A nossa voz,

Nossos desejos,

Com paixão, com fé

E com esplendor…

 

Paisagens,

Puras, com verdade,

Do Morro da Saudade,

Que se vivem plenas

Pelas margens

Do oceano que nos beija os pés.

 

Um vivo sortilégio da paixão

Entre nós dois amor, amante, amada,

Que, sem sentirmos, nos invade o coração,

E que se instala sem jamais nos pedir nada…

 

Gil Saraiva

 

* Parte I - Paisagens ou o Sortilégio da paixão

Livro de Poesia: Portaló - Parte I - Paisagens - IX - Porto e Portal

Porto e Portal.jpg

 

“PORTO E PORTAL”

 

Morro de S. Paulo, Tinharé,

Cheira a Brasil e a saudade,

Aroma mais puro que o café,

Um cheiro profundo

A felicidade…

 

Descer na paisagem,

Até tocar o mar,

Por rampa de miragem

Singular,

Onde carros de mão,

De malas cheios,

Dizem ser táxis,

Sobem de escalão,

Movidos a braços

Num calor de Verão…

 

E atracado bem perto a um portal

Que com coragem a tudo resiste,

Feito de séculos, pedras e de cal,

De obra humana firme que persiste,

Qual testemunha histórica da vila,

Eis que se pode vislumbrar o porto…

 

Subir, descer, andar, pareceu desporto,

Recebem-se os turistas de mochila

Pois no ponto de entrada e de saída,

Neste recanto onde o amor cintila,

A paisagem parece desmedida…

 

De um lado, o morro da saudade

Ou de São Paulo, bem colorido,

A onde o sonho vira realidade,

Do outro, o portal, o porto, o mar

E lá no fim, quase que esquecido,

Uns rasgos traços tentam desenhar

A terra ao fundo, o continente,

As margens da baía, como espuma,

Desvanecida assim por entre a bruma,

Tão longe desta ilha, desta gente….

 

Nós viemos lá da outra banda,

Transferidos por um velho bimotor,

Que, pelos ares, cumpriu sua demanda

De nos trazer à terra do amor.

 

 

Do aeródromo ao morro, meia hora,

Por caminhos de areia, cá chegamos…

 

E quando na base do morro estacionamos,

Vieram logo os táxis, sem demora.

 

Carrinhos de mão, daqueles das obras,

Com moleques, tisnados pelo Sol,

Pareciam sapos, lagartos, mesmo cobras,

Imitando na subida dura, de andar mole,

O passo da lesma, lagarta ou caracol.

 

Nos carrinhos… as malas dos turistas,

Enquanto estes se perdiam com as vistas.

 

Já nós os dois, amor, de mãos entrelaçadas,

Namorámos morro a cima e na descida

Vendo botecos, lojinhas e esplanadas,

Pensámos estar vivendo uma outra vida,

No paraíso perdido da paixão,

Lembras-te querida?

Até de ti,

Armada em atrevida,

Levei um apalpão,

Sem saber ler,

Nem achar que o posso descrever…

 

Por fim, porto e portal,

Num largo, feito movimento,

Onde amar parece natural.

 

Ali o amor tem cor,

sabor e cheiro,

Porque ali

O romance é hospedeiro,

De mim, de ti,

De nós,

Em imprevistas

Emoções,

Impulsos e ecos egoístas,

Do bater dos corações apaixonados

Ao qual nos rendemos,

Num torpor,

Que por amor,

Nos faz do verbo amar escravizados…

 

Gil Saraiva

 

* Parte I - Paisagens ou o Sortilégio da Paixão

 

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