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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia: Portaló - Parte I - Paisagens - VIII -Morro de S. Paulo

Morro de São Paulo.JPG

 

                  VIII

 

“MORRO DE S. PAULO”

 

Ao olhar

Ressalta já o Morro de S. Paulo;

Ao recordar

Um morro de reis, de glórias

E de escravos;

Morro de histórias,

Fantasmas e de bravos;

Morro de saudade,

No tempo perdido,

Onde um minuto vale a eternidade,

Onde cada segundo tem sentido…

 

Aqui, no Morro de S. Paulo,

Das águas feitas de cristal,

Se elevando

O sonho ganha corpo, rosto, forma,

É natural…

 

E o sorriso vai edificando,

Em cada instante,

Uma outra plataforma,

Feita de natureza cativante

Como que esculpindo nova Atenas…

 

Mais do que bonito

O Morro de S. Paulo

É belo apenas!

 

Aqui,

De mãos dadas, passeamos

O nosso amor

E ele sorri, enquanto andamos,

Ao Sol e ao calor,

Por entre as lojas

Como que para nós engalanadas,

Por entre ruas estreitas,

Calcetadas,

Onde se vendem,

Quase às toneladas,

Recordações,

Que um dia,

Empoeiradas,

Nos despertam a saudade,

A nostalgia,

Dos olhares trocados naquele morro.

Objetos, símbolos, na verdade,

Do amor vivido, da alegria,

De quem dentro de ti

Não quis socorro…

 

No Morro de S. Paulo fui feliz,

Fomos amor rubro,

Intenso, enlouquecido…

Que ali se cimentou, criou raiz,

Que jamais por nós será esquecido…

 

Gil Saraiva

 

* Parte I - Paisagens ou o Sortilégio da Paixão

Livro de Poesia: Achas de um Vagabundo - Introdução

Achas para um Vagabundo.jpg

Introdução

Decorria o ano de 2003, já lá vai um longo tempo, quando este livro foi pela primeira vez alinhavado. Nem todos os poemas aqui incluídos datam exatamente dessa altura exata, alguns deles tiveram origem nos primeiros anos do terceiro milénio, não porque essa mudança fosse a mais importante, nada disso, apenas porque coincidiu com o meu primeiro divórcio, depois de um casamento de 17 anos, uma filha, um filho e uma vivência ímpar e indescritível na história deste que vos escreve.

Foram anos muito felizes na minha vida, feitos de grandes vitórias, momentos amargos, lutas titânicas e episódios de paixão deveras arrebatadores. Porém, se o amor se extingue de um dos lados do casal, e passa, quase sem se dar por isso, a apelidar de rotina ou status quo, é sinal de que algo chegou ao fim, por muito que uma das partes não o considere.

A nova batalha, nos anos seguintes, gerou uma enorme revolução dentro de mim. De súbito, sem estar preparado, tinha de reaprender a viver sozinho, era necessário mudar de terra, de trabalho, de vida enfim. Tudo para conseguir sobreviver com a sanidade o mais intacta possível, sem estar sempre a recordar o que, ao tempo, não precisava mesmo de ser relembrado, para que o meu ego evitasse cair em depressão ou até em algo mais sinistro. Era necessária uma dose de otimismo, de bom humor e da procura de um novo rumo. Foi o que fiz.

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Brumas da Memória: Para que a Troika não se esqueça

Para que a Troika não se esqueça.jpg

“PARA QUE A TROIKA NÃO SE ESQUEÇA”

 

Dizem

Que temos nós

Direito à vida.

 

Dizem

Que vem na lei,

Que tem de ser.

 

Dizem

Que ninguém pode,

Dela, ser privado,

Salvo se crime houver

E, sem saída,

Se age

Por mais meios

Não haver…

 

 

 

Uns dizem

Que é direito assegurado,

Que assim se constrói democracia…

Outros dizem que tirá-la

É pecado,

Sentença capital da agonia,

Condenando,

Até ao fogo eterno,

As almas pecadoras ao Inferno.

 

Mas o que dizer de quem,

Que aplica um memorando

E navegando à vista, navegando,

Saca de todos nós o que não temos?

Rouba dizendo que devemos

Não se sabe o quê, à Troika prenha,

Que tanto nos odeia e desdenha,

Roubando a quem tem necessidade,

Tirando a quem não tem capacidade.

Impõe-se assim esta ordem estranha,

Injusta, violenta, uma artimanha,

Que nos vai forçando a cumprir,

Sem vontade se ter e sem sorrir,

Tudo o que nos obriga a própria lei,

Imposta porque quem tem força de rei.

 

Uma lei tão vil,

Tão errada, falsa,

Tão tamanha,

Que o povo ao suicídio

Vai levando ou à pobreza,

Por não haver maneira

Ou poder ter

Como se cumprir um tal comando,

Que da força da lei

Faz fortaleza,

Imposto por um Governo fraco

Que apenas quer encher o saco.

 

 É assim a vida,

O que dizer?

Pergunta o Estado,

Vendo cofres a encher,

Num confisco que cheira realeza,

De quem o povo, aos poucos,

Vira presa…

 

Dizer que são culpados!

Porque não?

Dizer

E condená-los a Prisão!

 

Homicídio involuntário

De gente sem saída,

Gente que se mata,

Só por desespero,

Gente fraca, sem sorte,

Sem alma e sem bocado,

A quem o futuro foi roubado.

Gente que não sabe de roubo

Ou contrabando,

Que grita dor e fome em desespero,

Que definha pelo exagero

Do saque em favor do memorando

Assinado, à revelia, por tal bando.

 

Dizem que temos nós direito à vida.

Dizem que vem na lei, que tem de ser.

 

Quem julga os assassinos,

Das almas sem saída,

De tanta gente que assim

Ficou perdida?

 

Quem julga um Estado destes, a preceito?

Um estado assim tão vil, tão mau, demente,

Que abusa do Povo já desfeito,

Como se nada fosse, ou… quiçá…

Nódoa atroz que sai com detergente.

Dizem que temos direito à vida…

Dizem… e quem o diz,

Só mente!

 

É preciso avivar, de todos, a memória

Dos tempos em que vida foi avessa,

Lembrar os dias sem saída, sem glória,

Para que a Troika não se esqueça!

 

Gil Saraiva

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