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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - Reino da Escuridão: "Lua"

Hoje, dia 13/03/2020 - Sexta-Feira, 13, Lua Cheia - Portugal, Lisboa - Estado de Alerta Nacional

Sexta-Feira 13.jpg

"LUA"

 

É sexta-feira, 13, e é cheia a Lua...

Na noite clara as mentes dormem já,

Paira no ar o som de um bacará

No sussurrar “cristálico” da rua...

 

Ofusca a luz da noite a forma nua,

Os corações repletos de oxalá,

Os corpos clandestinos de sofá,

E o supremo prazer que se acentua...

 

Por toda a parte ascendem mil amplexos

E crescem movimentos murmurados...

Vampiros, lobisomens, estão fechados

 

Porque esta noite imperam nossos sexos...

E num ato de amor meu corpo sua...

É sexta-feira, 13, e é prenhe a Lua...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia: Serra da Lua: Penso em Ti - VIII

Penso em Ti.jpg

   IX

 

“PENSO EM TI”

 

Penso em ti,

Aqui,

No altivo Palácio da Pena,

Por entre os ocres

E os sanguíneos das paredes,

Por entre os ferros

Das grades e portões,

Por entre as rochas

Jurássicas de saber,

Onde a bruma ocupa o vazio

Das cozinhas e salões,

Envolve os jardins

E claraboias,

Abafa a ausência de vida

E de sentido,

Enquanto a República

Cobra bilhetes de paisagem

E história

A casais de turistas

Sem romance...

 

Penso em ti

E sei que te amo!...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia: Serra da Lua: Palácio da Pena - VII

Palácio da Pena.jpg

VIII

 

"PALÁCIO DA PENA"

 

A tarde de Domingo

Respirava a bruma,

O capacete húmido da Serra da Lua,

Cujo verde tem,

Na multiplicidade das espécies,

A singularidade exótica de toda a região...

 

De botas de montanha,

Tu e eu, mão na mão,

Tomámos as estradas e os caminhos

Da Serra da Lua,

Rumando à natura e ao romance...

 

Podíamos ter partido de Sintra,

Quais exploradores aventureiros,

Até às proximidades do cabo da Roca,

Explorando o verde, por entre

Os beijos trocados, sem medo,

Ao som de rouxinóis...

 

Poderíamos ter seguindo

Depois pela via

Que liga Colares a Cascais,

Pela praia do Guincho,

Sentindo os salpicos da maré

Nos despertando

A alma e os sentidos...

 

Mas... seguimos rumo à Lua,

Senhora suprema dos amantes,

Pela estrada da Pena,

Montanha a cima,

Em torcicolos apertados,

Curvas e contracurvas,

Que se sucedem e quase sobrepõem,

Me fazendo sonhar, com as margens

Do teu corpo feito mulher...

 

Subimos na sombra serena e húmida

De velhas árvores, Pena a dentro,

E onde, por vezes, muitas,

Não entra a luz da Lua

Ou mesmo um raio de sol,

Mas... onde a tua áurea se funde

Com a minha... num facho de amor...

 

Caminhámos ladeados de muros,

Repletos de hera e musgos,

Cobertos de verdes matizes e,

Aqui e ali, molhámos os lábios,

Nas fontes frescas e cristalinas,

Nos fios de água que apuram

A sensação de humidade que,

Por todo o lado, se respira

E nos invade os corpos,

Sedentos de paixão,

E nos faz transudar

No tapete de folhagem seca...

 

Ao subir...

Vão rareando as quintas.

As casas...

E a Serra ganha novo verde...

A cada passo,

De um e de outro lado,

A floresta é rainha,

Por entre ciclópicos

Amontoados de rochedos

Cinza e verde,

Alguns quase que suspensos,

Parecendo prontos a desabar,

Como as nossas almas,

Arfando bruma

E amor na escalada verde...

 

Quase no cimo o parque espera-nos...

Passamos a Porta dos Lagos,

Monte a dentro,

Ainda de mãos dadas,

Depois outra porta mais...

Para o Castelo dos Mouros,

Que não seguimos,

E entramos no Parque,

Pela Porta Principal,

Quais conquistadores de vida,

Rumo ao triunfo de um amor...

 

A estrada dá-nos a volta à mente

E numa espiral, quase completa,

Atinge a mole granítica acinzentada,

Onde assenta, único e esplendoroso,

O Palácio da Pena,

Destino da rota

Que traçámos antes do entardecer...

 

Com um sorriso nos lábios,

De narinas invadidas pelo cheiro

Da terra molhada,

Eu recebo triunfante

O beijo

Que provém da tua boca...

 

É noite...

O Palácio iluminado

Está aberto ao público nesta hora...

São os quinhentos anos

Agora celebrados...

A Lua Cheia brilha de fulgor,

Ao lado do mítico edifício,

Por entre as sombras negras do arvoredo...

Tudo se queda no silêncio

Mais que profundo...

O belo torna-se real...

E, de mãos dadas,

A teu lado,

Eu descubro,

Por fim, a poesia...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia: Serra da Lua: Eternidade - VI

Eternidade.jpg

       VII

 

"ETERNIDADE"

 

Quando, na Praia Grande,

Um jovem passa,

Num surfar que abraça,

Sem que abrande,

A praia, o mar,

O horizonte...

 

Quando a prancha é ponte

E, de fugida,

Por entre espuma, é hino,

Pelas vagas da vida,

Sem destino...

 

Quando, na curva, navega,

Sobre as ondas,

Livre de entrega,

Sem fios, sondas,

Rumo ao céu divino...

 

Quando ao mar arranca,

Pelas águas,

Um rufar, qual tambor

Em desatino...

 

Quando, ao Sol que desce,

A prancha desliza intemporal,

Enquanto o perigo cresce,

De forma injusta

E desigual:

 

Eu... vejo no surfista

A despedida:

Na forma de uma vaga,

Em agitar fatal...

Me recordando

Um momento de partida,

Em que a espuma

É o teu rosto

Em lágrimas de sal!...

 

Não!

Não posso mais sentir

Tamanha dor...

 

Meu corpo quero fundir

Com teu amor

E, mais que a saudade

Que em meu ser hoje treme,

Eu quero a força

Da vaga que geme,

O azul marinho

Da longevidade,

Eu quero, amor,

Contigo... a eternidade!!!

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia: Serra da Lua: Sexto Sentido - V

Sexto Sentido.jpg

          VI

 

"SEXTO SENTIDO"

 

Se eu fosse um mouro,

Em seu castelo erguido

Na Serra que da Lua

Tem o nome e o sentir,

Gritando, lá do alto,

Sortilégios esotéricos

Ao povo Luso que a Serra invade,

Com sede de terra e de poder,

Para esse espaço a sangue,

Ferro e fogo conquistar...

 

Se eu fosse um nigromante,

Feiticeiro da Serra da Lua,

Qual mago que um tambor

Rufando enche de glória,

Senhor de Áfricas

Sem fim ou sem princípio,

Soberano dos vivos

E dos mortos evocados,

Dono da negra magia do passado,

Podendo, com meus dons,

Fazer parar as leis da guerra,

Que os continentes

De todo enfeitiçaram...

 

Se eu fosse o vento

Que mais forte sopra,

No altivo castelo da mourama,

Na noite tempestiva de invernos

Perdidos entre lareiras

Que as memórias não consomem,

Por mais alto

Que arda a chama,

Por mais calor

Que a lenha produza...

Imperador de tufões,

De vendavais,

Rei do sopro

Que não se esgota nunca,

Por muito que me venha zumbir

Dentro da alma,

Sussurrando-me aos ouvidos

Desesperos de infinito,

Que parecem competir

Com a velha eternidade...

 

Se eu fosse a dança,

Que dança e não balança,

Em sete véus mágicos de moura,

Em movimentos de ondulante ritmo,

Marcado em cada passo,

Em que a forma acompanha o som,

Como se a perfeição

Estética da vida

Pudesse traduzir a festa

Da evidente humanidade

Ou a música da alegria da vitória,

Um grito mudo de gozo e de prazer,

Que ao Homem faz viver

E reviver no espaço e tempo,

Qual passo de baile

A celebrar eventos mil

Mais do que outros já havidos...

 

Se eu fosse a bela primavera,

Terna de ambientes,

Florida nos caminhos,

Altiva no serrado,

Nesse Castelo dos Mouros

Amada a cada volta,

A cada curva,

Destemida e sem receio

De um dia perder a liberdade...

Enfim, uma estação solidária,

Realizada de viva esperança,

Cega de perfumes e odores

Em cada berro de vida

Que me cerca e me transborda....

 

Se eu fosse, por fim,

A fortaleza árabe,

Em Sintra altiva e imponente,

Ou simples mato,

Uma terra de medos,

Mistérios e surpresas,

Fonte de vida,

Abrigo de animais,

Floresta tropical,

Savana, bosque,

Ou ainda até,

E porque não,

Selva africana,

Charneca em flor,

Várzea cultivada

Na sombra da montanha...

 

Se eu fosse tudo isto

E muito mais,

Diria,

Como direi agora,

A mesma coisa simples

E pequena:

"- Guarda só pra ti

Os meus segredos,

Meu amor,

E vive para que eu possa viver,

Pleno de ti,

Que sem ti nada é poder!...

 

Espera-me nesta vida

E na outra se a houver,

Com os teus braços abertos

Por carinhos,

Enfeitada de sedas e perfumes,

Cetins, veludos

E linhos de encantar

Ou nua apenas,

Qual odalisca que sem esforço

Conquista o temível sultão...

 

Mas mais que tudo:

Ama o Vagabundo dos Limbos,

Ama Haragano, O Etéreo,

O Senhor da Bruma,

Este eu, cujo discurso

Se perde nas palavras,

Mas que este coração a ti doou,

Porque tu és

O meu sexto sentido!"

 

Gil Saraiva

O Dia Internacional da Mulher - Estro - Brumas da Memória

O Dia Internacional da Mulher.jpg

"O DIA INTERNACIONAL DA MULHER..."

 

O outro dia

Foi o Dia Internacional da Mulher,

Mas...?

Então... e hoje...?

E os outros trezentos

E sessenta e quatro dias

De quem são?

 

Um, eu sei...

Onde há peru ou leitão...

É Natal,

Dia do Rei,

Do Papa ou do sacristão...

 

Outro ainda eu conheço,

É terça de Carnaval,

Tem também um da Criança

E outro dos Namorados...

Mas que nos importa afinal

Esses dias de lembrança,

Seja dia de Finados

Ou dum longo tempo Pascal?

 

E o dia do ladrão?

Da alegria? Da velha?

Da fome ou da tradição...?

Ninguém me diz quando são?

 

O Dia Internacional da Mulher...

Mas que coisa que inventaram,

Um dia que aproveitaram

Para enganar… quem quiser...

Exploram e chamam fraco

Ao sexo feminino...

Esse bebé é menino?

Ou… a menina está bem?

Não!

Eles não enganam ninguém!

É medo... Eu sei!

É medo que fique forte...

Dão-lhe um dia, fazem corte,

E através dele criam lei...

Mas que grande hipocrisia,

Dos senhores da valentia...

 

O outro dia

Foi o Dia Internacional da Mulher.

Mas...? Então... e hoje...?

E os outros trezentos

E sessenta e quatro dias de quem são?

 

São daqueles a quem

Um seio materno

Deu vigor, amor, dedicação...

São daqueles por quem

Esse ser terno

Sentiu dor, fome,

Raiva, humilhação...

Nos outros dias do ano,

Nos dias do dia-a-dia,

Eu vejo a panela ao lume,

A casa passada a pano,

A rotina do costume:

Roupa cosida, lavada,

Comida bem preparada,

Casa pronta,

Chão esfregado,

E o soalho encerado...

Mais o trabalho lá fora,

Pago por meio ordenado,

Se quiser ou vai embora...

 

Nos outros dias do ano

Sexo fraco

É para manter,

Assim manda o soberano,

Porque assim é que é viver...

 

Ter que ser mãe

E ser escrava,

Fazer tudo e calar só.

Andar descalça na lava

E depois limpar o pó...

E não esquecer o marido,

Pois o pobre homem,

Coitado,

Deve estar aborrecido,

Se deve sentir cansado,

Porque cansa

Ser servido

E dar ordens bem sentado...

 

O outro dia foi o Dia Internacional da Mulher…

Mas...? Então... e hoje...?

E os outros trezentos

E sessenta e quatro dias

De quem são?

 

Não importa!

Mulheres do mundo inteiro,

Digam: Não!

No Paquistão,

Ou no mais simples outeiro...

 

Desse dia da mulher

Façam um dia de luta!

Porque há de a mulher

Ser puta e o homem

Garanhão?

 

Nesse dia da mulher

Façam vigílias e luto

Contra o Patriarca bruto,

Neste mundo

De tabus e repressões...

Digam bem alto,

Gritando:

"- Chega de humilhações!"

Que esse dia da mulher

Seja apenas mais um dia

Para as que já conquistaram

O que mundo lhes devia...

 

Porém,

Para a maioria:

É o dia da revolta,

Não de festa,

Mas de garra,

De uma garra

Que se solta

Para acabar a fanfarra,

Para impor a igualdade,

Para conquistar:

Liberdade!

 

O outro dia

Foi o Dia Internacional da Mulher...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia: Serra da Lua; Adormecer - IV

Adormecer.jpg

         V

 

"ADORMECER..."

 

Quero

Ver o brilho de teus olhos

Refletir o gozo do teu ventre...

 

Quero...

 

Porque tu,

Fronteira marginal de meu prazer,

Fonte viciada onde me banho,

És rochedo que se ergue

Junto à praia,

És terramoto,

Epicentro de mim

E tudo o mais...

 

Quero

Ser a maré

Que sobe à tua volta

E que torna a descer

Suavemente

Ou com a fúria das vagas,

Que, como na Adraga,

Moldam a seu belo prazer

A dura rocha....

 

Quero

Poder provar o sal

Das tuas ondas;

Escondendo-me à força e

À vontade;

Explodir dentro de ti

Nascente natural do meu querer,

Fonte viciada onde me venho

Para regressar, um dia,

Não sei quando...!

 

E quero

Poder olhar para o mundo

Sem o ver;

Sentir a multidão

Sem a sentir;

Falar com a vida

Sem falar;

Pois sei que apenas

Quero ter

A tua companhia

E saber ir

Para onde contigo

Possa estar...

 

Quero,

Ainda,

Que os nossos pensamentos

Se envolvam

Conforme os movimentos!...

 

Eu quero

Tudo amor

E tudo é pouco,

Porque o tudo é nada

Sem te ter...

 

Mas o que é tudo?

(Por um momento o espaço

Fica mudo

Para em seguida,

A minha voz, dizer...):

 

É o rever teu rosto de mar

A cada amanhecer

E já,

Indo alta a noite,

Voltar a vê-lo adormecer...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia: Serra da Lua: Serra, Várzea e Mar - III

Serra, Várzea e Mar.jpg

               IV

 

"SERRA, VÁRZEA E MAR"

 

Na Serra do teu corpo

O amor

Não tem fim...

 

Na Várzea do teu ser

O sonho

Não tem nome...

 

No Mar do teu existir

A vida

Não tem idade...

 

Tem um rosto,

Um olhar,

Que te devora faminto

De expectativas,

De êxtase,

De plenitude...

 

Daqui,

Deste lugar único

Onde a paisagem

É apenas tu,

Eu venero a Serra Da Lua

Jurássica no existir,

Húmida na ramagem,

Nebulosa na sensualidade,

Verde na esperança

De um palácio sem pena

De quem, sem ti,

É Rei em tempo de República...

 

Sou como o labirinto

De minas e secretos caminhos

Que infestam Várzea e Mar,

Montes e penedos,

Arribas e falésias,

Vales e palacetes…

 

Sou a passagem esquecida

Que o teu caminhar nunca percorreu

Por falta de mapa ou segurança,

Ou porque a fé

Não tem preço marcado

Nas vendas da feira de S. Pedro...

 

Sou como o mar

Que afaga, sem cansaço,

A rocha talhada

Pelas caricias da espuma...

 

Sou como o vento

Criando cavernas, pontes

E esculturas maduras

De séculos de existir,

Mas jovens na forma hirta e firme

Com que recebem

As marés a cada dia

No litoral mais ocidental

Da velha Europa...

 

Mas tu és a flor,

Pura na cor alva dos teus braços,

Quais pétalas de seda

Onde amordaçaria meus lábios

Para a eternidade…

 

Tu és o ser

Simples,

Na forma selvagem e rebelde

Com que de branco e verde

Invades a floresta de acácias e pinheiros

Sem te importares com o tamanho,

O talho ou a idade dessa flora conformada

Com a existência...

 

Tu és minha,

Não por registo, contrato,

Declaração ou pacto,

Mas por amor!

 

Eu sou o Vagabundo Dos Limbos,

Haragano, O Etéreo,

Senhor da Bruma.

Que na Serra Da Lua

Estendeu a mão

E colheu para sempre do verde

O branco,

A pincelada,

A que as gentes chamam

Flor silvestre ou gota de água...

 

Na Serra do teu corpo

O amor

Não tem fim...

 

Na Várzea do teu ser

O sonho

Não tem nome...

 

No Mar do teu existir

A vida

Não tem idade...

 

Porque tu, como as marés,

Moldas em mim,

Como se rocha eu fosse,

Os segredos da força

Que nos une,

Os sentimentos

Que nos tornam um...

 

Um só ser, uma só serra,

uma única várzea,

Um imenso mar...

 

Nas Serras do teu corpo

Eu encontro o vale

E jamais me volto a encontrar!

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia: Paradigmas do Meu Ego: Era Uma Vez... - IV

Era Uma Vez.jpg

 

III

 

"ERA UMA VEZ..."

 

Era uma vez,

Não sei bem onde,

Não sei bem quando...

Mas sei que era uma vez:

 

A minha vez!

(Talvez...)

 

Corri depressa

E não cheguei mais cedo,

Afinal a culpa era do tempo...

Desse Cronos que nos faz

Andar a horas.

 

Cheguei tarde,

Tarde demais...

Quem sabe?!...

Apenas por ter o relógio

Atrasado no Tempo,

Num tempo que não espera,

Mesmo quando o relógio para!

 

Mas cheguei,

Ah, sim, cheguei!...

Cheguei aonde era uma vez...

 

Lá fora,

Cá dentro,

Dentro de mim,

Que mais importa?

Cheguei e pronto!

 

Estou aqui,

Para quem o tempo não conta

Por mais que passe,

Para quem corre o risco

De chegar tarde

Mas corre na mesma,

A ver se,

Dessa vez,

É a que importa!

 

Era uma vez,

Um relógio parado no Tempo,

Perdido de funções,

Um sem sentido,

Que apenas existe e não se explica,

Mas lindo,

Divinamente belo

Aos olhares que nele buscam um Tempo,

Que ali parou sem explicação…

 

Daqueles que param

E ficam por instantes,

Que por breves,

A revelar que o Tempo não é tudo

E que talvez o relógio não tivesse

Vocação para dar horas,

Marcar um Tempo,

Farto de ser marcado sem sentido,

Porque a Eternidade não tem Tempo

Mas o Tempo dura eternidades!

 

Era uma vez,

A nossa vez,

Talvez…

Sim!

Era uma vez…

E desta vez,

Era por certo a nossa vez,

Porque afinal

Alguma vez é de vez a nossa vez!

 

Era uma vez…

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia: Serra da Lua: A Mensagem da Terra - II

A mensagem da Terra.jpg

                II

 

" A MENSAGEM DA TERRA"

 

Olá amor...

Digo eu,

Sorrindo,

Como sempre,

Séculos de felicidade,

Qual geólogo ou geofísico

Que encontra a plena realização,

De toda uma vida,

Ao julgar explicar a formação

Das cadeias de montanhas

Ou do genuíno batólito que fez nascer,

Um dia,

Num remoto passado,

A Serra da Lua...

 

Olá amor...

Sabes,

Minha querida,

Tu que és como a teoria

Que parece ser definitiva,

Firme,

Estática,

Mas que evolui

Pelos resultados das novas observações

De um verdadeiro existir que,

Como tu,

Entre tese e antítese,

Constrói a essência

Que te torna única...

Que te faz bela...

Que te concebe assim:

Perfeita,

Singela,

Singular…

 

Olá amor...

Tu és o fenómeno

Onde eu recomeço

A cada dia,

Desde o mais primitivo início,

A minha apaixonada investigação,

Observando diretamente,

A nu,

O conhecimento de ti...

Porque existo por e para ti,

Para te ver sorrir

Porque te sentes amada,

Viva e confiante…

Tu és o onde

Aonde eu procuro a confirmação

Do transcendente amor

Que me invade as veias

E me explode

O coração...

 

Olá amor...

Tu és a mensagem da Terra,

A voz da Serra da Lua,

O ser que me faz Sintra...

Tu és o grito celta do druida

Na Lua Cheia,

No fim de um rito único e sagrado…

Tu és o sortilégio do mago

Na bruma,

Da qual eu sou Senhor…

O elemento que transforma

A pedra em rocha,

O batólito em História,

A História em mito,

O mito em lenda,

A lenda em tradição,

A tradição em romance

E o romance

Em amor...

 

Olá amor...

Tu és a mensagem da Terra

O estrato mais subtil,

Mais puro

Porque, apenas em ti,

A pedra vira amor

E o sedimento:

Pilar!

 

Olá amor...

Tu és a árvore

Que veio de fora

E que fez verde a Serra toda...

A raiz que se expandiu

Transmitindo a palavra

Que se fez fértil,

Que se fez vida,

Que te fez tu,

Que em mim gerou felicidade!...

 

Olá amor...

Tu és a onda que chega

Num perpétuo renovar das areias,

Sombrias de minério,

Da Praia Grande,

De onde espalhas a tua mensagem,

Tão permanente

Como as pegadas que os

Dinossauros deixaram,

Para sempre,

Eternizadas nas rochas,

Agora verticais...

Tu és o milagre

Que me fez homem,

Que me fez servo,

Que me fez dono,

De ti e tu de mim,

Numa simbiose irrepetível

Porque verdadeira,

Sentida e universal…

 

Olá amor...

Tu transmites,

Pelo brilho

Da espuma e do granito,

Pela bruma,

Névoa ou neblina.

Pela magia ritual

De uma saudade,

Que amar é existir

Em fusão e harmonia...

Pois que esta é,

Na forma cristalina,

A Mensagem da Terra!

 

Olá amor…

E obrigado!

 

Gil Saraiva

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