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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - A Exoração do Postremo: Revolução - X (Revivido)

Revolução.jpg

       X

 

"REVOLUÇÃO"

 

Quem viveu os conturbados dias?

Aguardo um pouco, mas

Ninguém responde…

 

A consciência

Da dimensão trágica

Parece esquecida

No sorriso dos lábios,

Na palidez dos rostos,

Na indiferença das atitudes,

Nos infantes hinos da nação.

 

Quem viveu os conturbados dias?

Pergunto novamente e, de novo,

Ninguém responde…

 

Não deixa de ser irónico

Ver, assim, perplexas,

As massas revolucionárias

Da Terceira República!

 

Na busca dos porquês tento entender

Que oportunidades se perderam

Nos relatos eufóricos dos triunfos,

Das conquistas de Abril,

Já esquecidas,

Pensadas hoje como meras situações quotidianas,

Porque, quem as viveu, se sente ofendido,

Na adulteração burlesca da revolução…

Se sente, enfim, fantasma

Do processo revolucionário,

Dimensão tradicional da dúvida política

 

Quem viveu os conturbados dias?

Pergunto pela última vez.

Ninguém responde.

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - A Exoração do Postremo: Revolução - X

Revolução.jpg

       X

 

"REVOLUÇÃO"

 

Quem viveu os conturbados dias?

Aguardo um pouco, mas

Ninguém responde…

 

A consciência

Da dimensão trágica

Parece esquecida

No sorriso dos lábios,

Na palidez dos rostos,

Na indiferença das atitudes,

Nos infantes hinos da nação.

 

Quem viveu os conturbados dias?

Pergunto novamente e, de novo,

Ninguém responde…

 

Não deixa de ser irónico

Ver, assim, perplexas,

As massas revolucionárias

Da Terceira República!

 

Na busca dos porquês tento entender

Que oportunidades se perderam

Nos relatos eufóricos dos triunfos,

Das conquistas de Abril,

Já esquecidas,

Pensadas hoje como meras situações quotidianas,

Porque, quem as viveu, se sente ofendido,

Na adulteração burlesca da revolução…

Se sente, enfim, fantasma

Do processo revolucionário,

Dimensão tradicional da dúvida política

 

Quem viveu os conturbados dias?

Pergunto pela última vez.

Ninguém responde.

 

Gil Saraiva

 

Nota: Estamos a pouco mais de dois meses de celebrar a revolução dos cravos, o 25 de abril de 1974. No dia 26 de abril inicia-se a contagem decrescente para a celebração do quadragésimo sétimo aniversário. Nessa alura Portugal celebrará quase tantos anos de democracia, menos um, como os que teve de Salazarismo. Faço votos que então a democracia plena e a liberdade já tenham regressado à sua plena forma, sem Estados de Emêrgência, calamidade ou outros, sem confinamentos, nem proibições limitadoras da nossa liberdade. Faço votos...

 

 

 

Livro de Poesia: Achas de um Vagabundo - Introdução

Achas para um Vagabundo.jpg

Introdução

Decorria o ano de 2003, já lá vai um longo tempo, quando este livro foi pela primeira vez alinhavado. Nem todos os poemas aqui incluídos datam exatamente dessa altura exata, alguns deles tiveram origem nos primeiros anos do terceiro milénio, não porque essa mudança fosse a mais importante, nada disso, apenas porque coincidiu com o meu primeiro divórcio, depois de um casamento de 17 anos, uma filha, um filho e uma vivência ímpar e indescritível na história deste que vos escreve.

Foram anos muito felizes na minha vida, feitos de grandes vitórias, momentos amargos, lutas titânicas e episódios de paixão deveras arrebatadores. Porém, se o amor se extingue de um dos lados do casal, e passa, quase sem se dar por isso, a apelidar de rotina ou status quo, é sinal de que algo chegou ao fim, por muito que uma das partes não o considere.

A nova batalha, nos anos seguintes, gerou uma enorme revolução dentro de mim. De súbito, sem estar preparado, tinha de reaprender a viver sozinho, era necessário mudar de terra, de trabalho, de vida enfim. Tudo para conseguir sobreviver com a sanidade o mais intacta possível, sem estar sempre a recordar o que, ao tempo, não precisava mesmo de ser relembrado, para que o meu ego evitasse cair em depressão ou até em algo mais sinistro. Era necessária uma dose de otimismo, de bom humor e da procura de um novo rumo. Foi o que fiz.

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Brumas da Memória: Balada do 25 de abril - III

Balada do 25 de abril.jpg

              III

 

“BALADA DO 25 DE ABRIL”

 

Na negra noite andaste

Décadas mudo, sem pio

Ai, nessa vida passaste

De emigrante a vazio...

 

Anos assim de tortura,

Silêncio sem liberdade...

Para ganhar à ditadura,

Tens que morrer com vontade...

 

Quarenta e oito, um a um,

Anos de fome, ilusão,

Criaram força incomum,

De resistir na prisão...

 

E o vinte e cinco de abril

Foi madrugada dos bravos

Capitães que no fuzil

Trocaram balas por cravos...

 

E cantar Sérgio Godinho,

Zeca Afonso e outros mais,

É ser na voz adivinho

Daquele abril de imortais...

 

Na negra noite andaste

Décadas mudo, sem pio,

Ai, nessa vida passaste

De emigrante a vazio...

 

Sempre lutar contra engodos,

Contra a PIDE e o calar,

Nasce o Sol, é para todos,

Cabeça erguida a sangrar...

 

E o vinte e cinco de abril,

Foi madrugada dos bravos

Capitães que no fuzil

Trocaram balas por cravos...

 

E agora que o Sol nasceu,

Na noite clara de abril

Mais de trinta, conto eu,

São os primeiros de mil...

 

Na negra noite andaste

Décadas mudo, sem pio…

Ai! Nessa vida passaste

De emigrante a vazio...

 

Mas tão curta é a memória

De um povo que já esqueceu

Que Salazar tem na História

A nossa noite de breu...

 

E o vinte e cinco de abril,

Foi madrugada dos bravos

Capitães que no fuzil

Trocaram balas por cravos...

 

De economia vivemos,

P'ra nos manter lutamos,

Casa e emprego não temos,

Quem nos pergunta onde vamos?

 

Somos: imposto, tributo,

Finanças ocas, impostas,

Eu não estou só, num reduto,

Há mais quem queira respostas!

 

Que o crepúsculo, a madrugada

Anuncie sem ter saudade...

Queremos não ver estragada

Nossa razão, liberdade!

 

E o vinte e cinco de abril,

Foi madrugada dos bravos

Capitães que no fuzil

Trocaram balas por cravos...

 

Prisão p´ra quem enganou

O nosso Povo, afinal,

Não tem perdão quem roubou

Nossa alma em Portugal.

 

Os passos foram enganos,

Mas a memória não esquece,

Pelos Direitos Humanos

Justiça a quem a merece!

 

E o vinte e cinco de abril,

Foi madrugada dos bravos

Capitães que no fuzil

Trocaram balas por cravos...

 

Urge de novo escutar:

“—Aqui!

Posto de Comando

Do Movimento das Forças Armadas!"

Das nossas Forças Armadas!

 

Gil Saraiva

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