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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

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Livro de Poesia - Desassossegos de um Bardo: O Senhor dos Tempos - III

O Senhor dos Tempos.jpg

             III

 

 “SENHOR DOS TEMPOS”

 

O Senhor das Eras, dos Tempos, e o seu garanhão

Apareceram na noite, vindos do nada,

Pelos portões do etéreo, do quotidiano,

Antes do raiar fresco da madrugada…

 

Cavalo alado, transportando o dono

Vestido de negro, com manto de bruma,

Voava num céu feito estrada de estrelas,

Em tempestade de tirar sono,

Ágil e leve como uma pluma…

 

O Senhor dos Tempos seu haragano montou,

Partindo por uma noite adentro

Através dos portões do tempo,

Autoestrada fora,

Na Via Láctea da imensa escuridão…

 

Montado no colossal alazão,

Num manto de samito branco,

Ocultando as vestes negras,

Ele voou no ar como uma tempestade,

Sem receios, sem mágoa, sem saudade.

 

Escura era a noite,

Mas ele tinha reunido as estrelas na sua mão

Para iluminar um caminho através do céu,

Que apenas ele conseguia seguir sem se enganar,

Por instinto, magia ou coisas por explicar.

 

Os cascos de seu cavalo alado

Bateram cometas de fogo,

Pelo Universo percorrido,

Enfeitiçando o olhar

De quem a ambos contemplasse.

 

Senhor dos Tempos:

Ninguém sabe para onde vai

Ninguém sabe de onde vem…

 

Nos abismos do Cosmos

Numa floresta escura,

Por entre cavernas de granito preto,

Os filhos das trevas moravam no esquecimento,

Traindo-se mutuamente numa confusão sem fim,

Porque o Senhor da Escuridão, dos Tempos,

Os mantinha sob o domínio do seu feitiço.

 

Desde a primeira criação do tempo,

De todos os tempos,

Que os homens sábios e os profetas,

E todos os trabalhadores do oculto,

Haviam alertado o Espaço

Sobre um acerto de contas

Vindo do vento, feito de fogo,

Como uma praga de destruição,

Uma pandemia imensa,

Para quem segue os caminhos do mal.

 

Além, muito acima dos oceanos e dos rios largos,

Gritos trovejantes faziam-se ouvir,

Através do Sol ou da chuva,

Nas curvas que indicavam

A virada das estações do ano.

 

No alto rondava o Senhor dos Tempos,

Como mestre único de todo o conhecimento,

Enquanto tudo e todos sob ele,

Uns companheiros celestes,

Amigos do vazio antes do tempo ser tecido,

Homenageavam a sua coroa,

Com palavras de fogo branco

Ecoando nas vestes mágicas

Do ser da luz e da escuridão.

 

Para onde ele vai

Ninguém sabe…

 

Algures, nas margens do Tempo e do Espaço,

Num planeta singelo,

De um Sistema Solar sem importância,

Na paz de um vale, escondido por montanhas,

Uma criança nasceu

Enchendo a noite com seu choro.

 

Um ancião deu graças

Ao Senhor das Idades, dos Tempos, das Eras,

Por este singelo acontecer,

Porque o mal perde a batalha

Contra a inocência

Apenas porque a desconhece.

Nunca a entenderá,

E não faz ideia de como a combater.

 

As aves do céu ficaram em silêncio

Sabendo ser chegada a hora,

Neste tempo esquecido,

Das águas se calarem

E das montanhas ecoarem,

Vazias de conteúdo,

Para as cidades surdas

Há tanto, tanto tempo,

A chegada há muito esperada.

 

«- Basta!» - gritou uma voz.

E todos os lugares foram despertados,

Na Terra feita de gente, plena de humanos,

Pobres e ricos sentindo a pandemia e o fogo,

Quais rostos de morte e destruição, montados juntos,

Ligando o globo, qual pira funerária.

 

Foi o Senhor das Eras

Reunindo almas na safra,

O Senhor dos Tempos

Reunindo… na safra!

 

A partir do sangue e do trovão,

Dos homens e das suas mortes,

Nos seus olhos escuros com tristeza

O Senhor dos Tempos contemplou a colheita,

Naquele ponto minúsculo do seu Universo.

 

Aquele ponto, afinal, era importante,

A humanidade pareceu-lhe fundamental,

Para o equilíbrio caótico do seu Cosmos…

Fora por isso que ele e a Luz tinham gerado a criança

Que nascera chorando,

Abrindo um caminho brilhante por entre a escuridão.

 

Para os velhos e os desamparados,

Os fracos e os humildes,

Para os novos filhos de Luz,

Ele soprou palavras de compaixão.

 

Gentilmente, o universo viu dissolver-se a escuridão

Através do grande vale entre montanhas,

No minúsculo ponto azul do cosmos.

O infante já não chorava agora,

Ressoava como o fogo,

Que gerara morte e destruição,

Mas, por ser brilho, o novo fogo trazia paz, vida e esperança.

 

O Senhor dos Tempos partiu, uma vez mais,

Deixando no ponto azul o fruto do seu amor com a Luz,

Qual colheita agora nata,

Apontando à humanidade a via aberta para a liberdade.

 

Senhor dos Tempos:

Ninguém sabe para onde vai…

Ninguém sabe de onde vem…

 

Gil Saraiva

 

Nota: Inspirado na canção (e temática) dos Magna Carta: Lord of the Ages.

 

 

 

Livro de Poesia - Divagações Quase Líricas - O Tempo - XIII

O Tempo.jpg

    XIII

 

"O TEMPO"

 

O tempo

Quando tem tempo

Para nos dar um tempo,

Vem a tempo,

Trás bom tempo

 

Há que dar tempo

Ao tempo.

 

Que o tempo

Que não tempo,

Não serve para ninguém.

 

O impossível

Apenas demora mais tempo.

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia: Portaló - Parte I - Paisagens - X - Entrada no Paraíso

Entrada no Paraíso.JPG

                X

 

“ENTRADA NO PARAÍSO”

 

Porto e Portal da vila,

Imponentes entradas,

A quem tributo até as aves prestam,

Onde o chegar é natural,

Lembrando talvez outras arcadas

Ou romantismos que se manifestam

Numa vassalagem da memória

De gerações vividas,

Longa história,

De muitas vindas, muitas idas…

 

Pegadas gravadas pelo tempo,

Entre o riso e o contratempo,

De quem ali passou,

De quem dali gravou

O portal, o porto, o movimento,

De quem ali viveu mais que um momento…

 

Este todo é belo,

Fascinante, admirável,

Simples porto,

Onde se chega num sorriso,

Para depois transpor portal austero,

Tão memorável,

Que transpô-lo

Nos deixa, enfim, no paraíso…

 

Assim chegamos nós,

Trocando beijos,

Fazendo do Amor,

A nossa voz,

Nossos desejos,

Com paixão, com fé

E com esplendor…

 

Paisagens,

Puras, com verdade,

Do Morro da Saudade,

Que se vivem plenas

Pelas margens

Do oceano que nos beija os pés.

 

Um vivo sortilégio da paixão

Entre nós dois amor, amante, amada,

Que, sem sentirmos, nos invade o coração,

E que se instala sem jamais nos pedir nada…

 

Gil Saraiva

 

* Parte I - Paisagens ou o Sortilégio da paixão

Livro de Poesia: O Próximo Homem II - Sarajevo (as memórias da guerra - 1992-1995)

Sarajevo.jpg

 

"SARAJEVO"

 

- Mãe ... oh mãe, mãe!?

Tenho fome, mãe...

Mãe... oh mãe, mãe!?

 

Tenho medo, mãe...

 

Mãe, oh mãe, mãe,

Tenho frio mãe...

 

Eu vou morrer, mãe!!!

 

É sempre assim

Dia-a-dia,

Sempre e sempre

E já vai longo o tempo

Em que é sempre assim

Em Sarajevo...

 

Quando irão crescer,

Em esperança,

Estes tão tristes seres

Na idade dos sorrisos?

 

Alguns conseguem

Fugir...

 

Mas quantos ficam pra sempre

Nos despojos da guerra?

 

Até quando ouvirá

O Mundo

E em quantos Sarajevo

Aquele grito de angústia:

 

- Mãe... oh mãe, mãe!...

 

Gil Saraiva

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