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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - Brumas da Memória: O Veleiro

O Veleiro.jpg

 

"O VELEIRO"

 

Nos momentos futuros,

No tempo presente,

O mundo global

Não tem de ser igual,

Pouco coerente

Na vil corrente...

 

A hospitalidade desembarca

Numa costa sem combate,

Ausente de neblina,

Plena de luz...

 

A tradição não é menos complexa

Que brilho do Sol,

Por entre a bruma

Que se esquiva

A cada passo nosso...

 

O respeito é um ser sem aventura,

Num qualquer sistema lendário,

Em que o confronto é letra morta...

 

Espontaneamente,

Alguém conta a alguém

O que alguém pensa de alguém

Sem que ninguém fique a saber mais...

 

Atos, atitudes e conceitos...

Partes do todo imenso que nos explica,

Caminhos que fazem história

Na Odisseia do que somos!...

 

Caem as Torres aos pares em Nova Iorque

E uma nova guerra

Nasce das cinzas...

Nasce e berra,

Qual recém-nascido,

Que em plenos pulmões faz por ser ouvido...

E em Quioto o mundo

Toma consciência,

Que o velho planeta

Está a mudar...

Juram combater

O efeito de estufa

Mas nem todos o irão jurar...

 

G8, G3, já basta,

Que a Terra cansada

Pede descanso,

Queremos viver sem CO2,

Efeitos de Estufa,

Antes, depois...

Queremos ambiente,

Queremos a Terra

Que é nossa, que é tua,

E a queremos sem guerra

Sem poluição...

 

E em Portugal direitos humanos,

Pedimos à Troika e ao Estado em vão…

Queremos saber para onde vamos

E sem confisco daquilo que temos,

Porquê ser pobre e viver com menos?

Queremos ter voz, poder dizer não!

Mas por ódio e vício de guerra escusada

Um americano de ar “asnoico”,

Muito paranoico, mas bem armado,

E que não distingue romena de turca,

Manda invadir, numa golpada,

Um povo antigo, sábio e ousado…

Que a destruição maciça veste burca,

Veste nada...

 

Estupidamente,

Que outro nome não há,

A tropa avança sem prova provada

Que não a da propaganda alienada...

 

Dá-se o conflito, vem a chacina,

Num dos berços da Civilização Ocidental,

Porque o asno não reconhece Alá

Nem sabe das mil e uma noites de Bagdad!...

 

Passam os meses... morrem os dias...

Saltam linhas férreas, na vizinha Espanha,

E ao som das bombas, de um Terror sem nome,

Um tal de Bin Laden mutila milhares...

 

Onze de março... onze de setembro...

Que guerra é Santa e os povos migalhas...

Que as Torres são Gémeas

Como as linhas férreas...

 

O direito à diferença,

De crença e de ser,

Terá que existir no novo Ocidente...

Mas se, por acaso, tal não aparecer

O sangue será de novo inocente...

 

E lá vem a Troika

Salvar Portugal,

Com a alma negra

Grita austeridade

E trás memorando pouco natural…

 

Fica o Povo agora mais pobre

Dizem que é défice,

Que é muito usual…

Vende-se o Governo

Ultraliberal,

A preço de saldos:

Joias por caldos

De velhas galinhas.

Vende-se o ouro,

A prata e o cobre

Que é coisa de Nobre…

E vai-se ao bolso do português

Que pague os erros que o Estado fez…

A tradição não é menos complexa que brilho do Sol,

Por entre a bruma que se esquiva

A cada passo nosso...

 

O respeito é um ser sem aventura,

Num qualquer sistema lendário,

Em que o confronto é letra morta...

 

A Humanidade não é um conjunto homogéneo...

Somos todos nós! Diferentes, iguais,

Seres naturais com burca provada

Ou véu pelo rosto,

Cara destapada ou nu descomposto!

 

E em Portugal direitos humanos,

Pedimos à Troika e ao Estado em vão…

Queremos saber para onde vamos

E sem confisco daquilo que temos,

Porquê ser pobre e viver com menos?

Queremos ter voz, poder dizer não!

Nos momentos futuros, no tempo presente,

O mundo global não tem de ser igual,

Pouco coerente, na vil corrente...

 

E há quem dê Passos na austeridade,

Esmifra-se o povo que a hora é dura,

Fecham-se Portas à liberdade,

Rouba-se o Povo pelo bem comum,

Com ares de santos cheios de candura,

Vem desemprego, pobreza, vem saque,

Que o cinto tem marca de austeridade

Para quem trabalha para comer.

Para quem já não sabe o que fazer...

Partem e migram os portugueses,

Vêem-se gregos, quiçá irlandeses,

O cheiro a podre alastra na Europa

Que solidariedade é coisa pouca,

É coisa do Sul, de gente louca,

Disparam os juros, a dívida, a fome,

Mas quem governa sabe o que come...

Chega a Primavera, dizem que é árabe,

Mas vira guerra para os do costume,

Não querem que o leite seque na teta,

Sofrem as gentes pelos poderosos,

Que se habituaram a ser gulosos,

Sempre a mesma treta, o mesmo final,

O ouro é negro, a fome é fatal...

Morreu um Laden, nasceu um Estado,

Diz-se islâmico e mata com gosto,

E a França experimenta o cheiro da morte,

Que burca é mordaça, é arma e é foice,

Que ceifa… inocentes perdidos da sorte...

E vindos do medo, sem mala nem carga,

Fogem os povos da chacina amarga

Num Oriente que se diz Próximo...

Sem eira nem beira, a guerra alarga,

Gera migrantes por todo o lado,

Milhares, milhões, procuram refúgio

Numa Europa cega onde refugiado

Parece palavra sem significado.

O polícia do mundo vira cenoura,

Varrendo valores para debaixo da mesa,

Num populismo de bruxo e vassoura,

Orgulhosamente grita disparates,

Um novo Narciso no meio da riqueza,

Jura fazer muros, grandezas, peçonhas,

E mais outras tantas poucas-vergonhas...

 

Mas no meu país uma geringonça

Parece querer a face virar à crise implantada,

Pode nem dar nada, mas gera-se esperança,

Afinal, quem sabe... existe mudança...

Nem sempre o diabo chega a tempo,

Por mais que ele seja anunciado...

Que sirva de exemplo por pouca que seja,

Que se semeie, que afinal se veja...

 

A solidariedade embarca numa costa sem combate,

Ausente de neblina, plena de luz,

Num veleiro verde, com bandeira branca...

 

Gil Saraiva

Livro de Poesia - Brumas da Memória: Para que a Troika não se esqueça

Para que a Troika não se esqueça.jpg

“PARA QUE A TROIKA NÃO SE ESQUEÇA”

 

Dizem

Que temos nós

Direito à vida.

 

Dizem

Que vem na lei,

Que tem de ser.

 

Dizem

Que ninguém pode,

Dela, ser privado,

Salvo se crime houver

E, sem saída,

Se age

Por mais meios

Não haver…

 

 

 

Uns dizem

Que é direito assegurado,

Que assim se constrói democracia…

Outros dizem que tirá-la

É pecado,

Sentença capital da agonia,

Condenando,

Até ao fogo eterno,

As almas pecadoras ao Inferno.

 

Mas o que dizer de quem,

Que aplica um memorando

E navegando à vista, navegando,

Saca de todos nós o que não temos?

Rouba dizendo que devemos

Não se sabe o quê, à Troika prenha,

Que tanto nos odeia e desdenha,

Roubando a quem tem necessidade,

Tirando a quem não tem capacidade.

Impõe-se assim esta ordem estranha,

Injusta, violenta, uma artimanha,

Que nos vai forçando a cumprir,

Sem vontade se ter e sem sorrir,

Tudo o que nos obriga a própria lei,

Imposta porque quem tem força de rei.

 

Uma lei tão vil,

Tão errada, falsa,

Tão tamanha,

Que o povo ao suicídio

Vai levando ou à pobreza,

Por não haver maneira

Ou poder ter

Como se cumprir um tal comando,

Que da força da lei

Faz fortaleza,

Imposto por um Governo fraco

Que apenas quer encher o saco.

 

 É assim a vida,

O que dizer?

Pergunta o Estado,

Vendo cofres a encher,

Num confisco que cheira realeza,

De quem o povo, aos poucos,

Vira presa…

 

Dizer que são culpados!

Porque não?

Dizer

E condená-los a Prisão!

 

Homicídio involuntário

De gente sem saída,

Gente que se mata,

Só por desespero,

Gente fraca, sem sorte,

Sem alma e sem bocado,

A quem o futuro foi roubado.

Gente que não sabe de roubo

Ou contrabando,

Que grita dor e fome em desespero,

Que definha pelo exagero

Do saque em favor do memorando

Assinado, à revelia, por tal bando.

 

Dizem que temos nós direito à vida.

Dizem que vem na lei, que tem de ser.

 

Quem julga os assassinos,

Das almas sem saída,

De tanta gente que assim

Ficou perdida?

 

Quem julga um Estado destes, a preceito?

Um estado assim tão vil, tão mau, demente,

Que abusa do Povo já desfeito,

Como se nada fosse, ou… quiçá…

Nódoa atroz que sai com detergente.

Dizem que temos direito à vida…

Dizem… e quem o diz,

Só mente!

 

É preciso avivar, de todos, a memória

Dos tempos em que vida foi avessa,

Lembrar os dias sem saída, sem glória,

Para que a Troika não se esqueça!

 

Gil Saraiva

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