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Estro

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Estro do meu ego guarda a minha poesia, sem preocupações de forma ou conteúdo, apenas narrativas do que me constitui...

Livro de Poesia - Ântumos Implexos dos Airados: O Meu Vulcão - X

O Meu Vulcão.jpg            X

 

"O MEU VULCÃO”

 

Não me deixes só

No universo,

Não me tires a alegria,

O amor, a vida,

Não me faças voltar

A ser perverso,

Não me deixes tu a alma nua,

Não me abandones minha querida.

 

Não me deixes perdido, só,

Na solidão emerso,

Não deixes minha alma ressentida.

Não quero ficar só,

Abandonado neste mundo,

Não quero estar perdido

Ou ser imundo…

 

Ó vida escura, sombria, sem calor,

Estou cego, não consigo olhar.

Quero morrer. Tenho a alma fria

Gelada pela dor,

Eu não vou conseguir aguentar,

Pois não posso viver sem teu amor.

Estou cego, a vida quero abandonar,

Sem teu amor eu quero,

Eu tenho de morrer,

Assim não, por favor,

Assim eu vou fender…

 

Como um raio vou fender meu ego,

Vou estilhaçar-me pelo infinito

Vou gritar ao sonho

Que não nego

Que tu para mim és Sol,

Luz, mito.

Vou gritar que te amo

E embora cego,

Em ti vejo um diamante

E não permito

Que alguém jamais te ame

Como eu te amava,

Porque senão,

Meu vulcão

Vai verter lava!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia - Ântumos Implexos dos Airados: La Palma, Cascata de Lava - IX

La Palma Cascata de Lava.jpg                                  IX

 

“LA PALMA, CASCATA DE LAVA”

 

Revolta-se a Terra e logo pelas Canárias,

Grita, em tremores pela ilha fora,

Em nome do planeta pois que demora

O Homem a parir reformas ordinárias

Sobre o clima, o ambiente, já sem hora,

Minuto, segundo ou mesmo instante

Para tudo mudar porque é flagrante

Que o destino não espera e a chama chora

Rios de fogo pela encosta agora,

Desembocando cascatas de lava no oceano,

Numa guerra invulgar, sem mano a mano.

 

E monte da velha enxofre fede,

Rebenta de raiva o vulcão adormecido,

E em torrentes de sangue nada impede

Os rios de devorar casas e terras num rugido,

Sem dimensão, sem forma, sem sorriso,

Sem consideração, espera e sem aviso,

Que não seja o da confusão, do alarido.

Para as vítimas o drama cheira a desespero

De nada serve a luta, o orgulho ou o esmero.

 

Ali reina um caos sem ter vertigens.

Plantações de banana viram estrume,

Em torresmos derretidos, desde o cume,

Que a civilização volta às origens.

Chega o rei, ministros e dinheiro,

Entram promessas pela televisão,

Que imagens de espanto são viveiro

De audiências, de sofá e de emoção,

De quem ao longe assiste ao formigueiro

De uma La Palma recreada em cinzeiro.

 

Em La Palma, as cascatas são de lava.

Laranja, amarelo, negro e vermelho

São as cores da revolta que se trava

Numa ilha para quem não há conselho

Que ajude a suportar tamanha dor,

De quem vive dessa terra, de quem viu

Desaparecer o fruto de todo o seu labor

E sem comos, nem porquês, se despediu

Dos seus haveres, das memórias, no calor

Porque as chamas tudo em volta consumiu.

 

A natureza acordou um vulcão adormecido,

Nem requerimentos, sem razões, sem um pedido!

 

Gil Saraiva

 

 

 

Livro de Poesia: Achas de um Vagabundo - Toca-me

Toca-me.jpg

"TOCA-ME"

 

Quando aquela mão

Se estende decidida e sensual,

Num caminho seguro,

Até tocar suave

Um membro adormecido,

Despertamos nós...

 

Desperta o príncipe

Com coaxares de sapo,

Porque a magia

Se fez vida

E gozo último...

 

Quantos de nós, homens,

Antropófagos do sentir,

Não atingimos o céu

Antes do tempo

E tudo por um toque apenas?

Ahhhhhh...

Isto é vida!

 

Nada se compara

Ao arrepio da derme

Perante um deslizar

De dedos ao acaso.

 

Nada é mais intenso

Do que sentirmos a mão,

A nossa mão,

Navegar serena,

Pela derme de outro alguém,

Procurando o calor ameno

De um Trópico de Câncer

Ou Capricórnio...

Pra mergulhar ardente

Num vulcão de amor

E nos fazer arder

Sem febre alguma

Que não aquela

A que chamamos de paixão...

 

Partir do que é geral

Para o mais específico,

Íntimo, privado e particular...

Sentir a preocupação das formas,

Das cores, do brilho,

Do estado hipnótico de um toque,

Em impressões táteis

De impensáveis sensações

De loucura frenética e absoluta...

 

Depois...

Procurar uma ordenação tátil

Dos elementos do percurso

E projetá-los em cenas

De luxúria conseguida e integral...

Por fim...

Gritar em êxtase:

 

Toca-me, de novo, meu amor!!!

 

A Mulher,

Mais do que ser humano,

É arte viva,

Sente

Como nenhum outro espécime

À face do planeta...

E faz sentir...

Chegamos ao infinito

Num só toque...

E de lá voltamos para podermos,

Também nós,

Tocar e atingir assim

O despertar de uma aurora

Que nasce pura de êxtase

E plena de prazer!...

 

A Mulher

Faz uivar bem lá no fundo

Aquele ser esquecido,

De ser gente,

De ter vida,

De ter voz...

E provoca do íntimo

A alma ansiosa de sentir,

Perdida de sentido,

De momento,

Já faz muito e muito tempo,

Para gritar, por fim,

Em pleno êxtase:

 

Toca-me, de novo, meu amor!!!

 

Gil Saraiva

 

 

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